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Teles tentam levar FUST e são derrotadas na
Confecom
Unidade entre a representação dos movimentos
sociais, de governos e de pequenos e médios
empresários nacionais garante avanços na
Conferência Nacional de Comunicação
Realizada de 14 a 17 de dezembro, em Brasília, a
1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom)
derrotou a proposta das teles de permitir que
elas utilizem os recursos do FUST (Fundo para
Universalização do Serviço de Telefonia). O
fundo acumula um montante de R$ 7 bilhões para
ser aplicado na universalização da telefonia
fixa.
No centro das suas intervenções, os
representantes das teles – como se não fossem
eles próprios os responsáveis pelos altos preços
e má qualidade da internet banda larga, e que
mantêm no apagão a maior parcela do território
brasileiro - ainda buscaram vender ilusões sobre
os ganhos que o país teria se liberasse para seu
monopólio privado os vultosos recursos públicos
do FUST. Como resposta, os delegados aprovaram a
inclusão digital como política pública de
Estado, que garanta acesso universal aos
usuários. A operacionalização deste processo
pela Telebrás foi aplaudida e aprovada pela
maioria dos presentes, mas, como esta votação
foi regrada pelo critério do voto “sensível”,
necessitaria ter 60% de apoio.
Vale dizer que a tal votação “sensível” foi um
critério arrancado a fórceps, já que uma parcela
expressiva do setor empresarial ameaçou se
retirar da Confecom caso não fosse modificado o
critério já acordado de maioria simples. Desta
maneira, abandonou-se o acerto de 40% de
representação dos movimentos sociais, 40% de
empresários e 20% de governos, que deveriam
decidir por 50% mais um. Passou-se então, nas
votações “sensíveis”, solicitadas por metade dos
membros de qualquer bancada, a ser requerido o
quorum de 60%.
Como parte da bancada empresarial era composta
por setores nacionalistas, foi aprovada a
redução de 30% para 10% na participação do
capital estrangeiro nas comunicações, com a
defesa explícita do princípio da soberania
nacional.
O compromisso inequívoco da maior parte dos mais
de mil delegados que representaram todos os
Estados do país, com a democracia e a
pluralidade, ficou igualmente expresso na defesa
da criação do Conselho Nacional de Comunicação,
articulado com os Conselhos Estaduais e
Municipais, que funcionem com instâncias de
formulação, deliberação e monitoramento de
políticas de comunicações no país; com a defesa
pela regulamentação dos artigos 220 a 224 da
Constituição Federal, que barram os monopólios e
oligopólios no setor, impedem a propriedade
cruzada dos meios e garantem espaço para a
diversidade regional, a educação e a cultura.
Também aprovaram que as emissoras públicas que
hoje estão na TV por assinatura devem se fazer
presentes nos canais abertos.
Foi mais uma vez a unidade que garantiu a
aprovação de propostas como a 193, que
estabeleceu a “garantia de mecanismos de
fiscalização, com controle social e participação
popular, em todos os processos como
financiamento, acompanhamento das obrigações
fiscais e trabalhistas das emissoras, conteúdos
de promoções de cidadania, inclusão, igualdade e
justiça, cumprimento de percentuais educativos e
produções nacionais”. A proposta 196 defende a
“auditoria do poder público em todos os meios de
comunicação privados que tenham recebido
qualquer tipo de recurso público e que não
tenham obedecido às normas constitucionais que
contemplem programas educativo/culturais, etc”,
frisando que “a não observância desses preceitos
constitucionais implicaria em devolução das
verbas públicas e da não renovação da
concessão”.
A agudização do confronto fez com que vários
pequenos e médios empresários identificados com
uma concepção democrática e plural da mídia se
somasse com a representação dos movimentos
sociais e de governos progressistas. Ainda que
limitada, esta aliança é um bom começo para pôr
abaixo as cercas do latifúndio midiático. |