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Principal hospital de Israel usou órgãos
roubados de palestinos
A TV israelense,
Canal 2, veiculou entrevista do Dr. Yehuda Hiss, ex-presidente do IML de Israel,
Abu Kabir, admitindo que órgãos de palestinos foram roubados durante 20 anos. A
entrevista foi concedida à professora Nancy Sheppard-Hughes, da Universidade de
Berkeley, Califórnia.
Matéria tratando do
assunto foi escrita pelo jornalista inglês Ian Black e publicada, no dia 20, no
jornal The Guardian.
Segundo o jornal, a
coleta de órgãos de palestinos era feita sem o consentimento dos familiares. Os
palestinos haviam morrido em circunstâncias ligadas à repressão nos territórios
sob ocupação, do contrário, como explicar que seus corpos tivessem chegado ao
IML dentro de Israel?
Na entrevista,
Yehuda Hiss assume, sem rodeios, que “o processo começou no início de 1980 e
durou até o final do ano 2000”. Hiss acrescentou que “doávamos os órgãos que
tomávamos aos hospitais. Especificamente os entregamos aos hospitais Tel
Hashomer [um dos maiores na região de Tel Aviv] e Hadassah [o mais conceituado
de Israel], em Jerusalém. Eles nos deram um microscópio e um scanner intra-corpo
para filmar o conteúdo dos cadáveres”.
O vídeo transmitido
pelo Canal 2 informa que os profissionais de Abu Kabir “coletavam pele, válvulas
cardíacas e ossos de palestinos”. “Tudo”, acrescenta Hiss, “era altamente
informal. Não se pedia permissão de familiares”.
Hiss também admitiu
que órgãos de soldados israelenses que chegavam ao instituto também eram
extraídos sem consentimento de familiares. “Mas”, tentou minimizar: “não
extraíamos o olho inteiro, apenas a córnea e o olho era colado de volta no
local”. O Guardian acrescenta que “militares confirmaram o ‘programa’ (sic) mas
acrescentaram que ‘esta atividade terminou uma década atrás’”.
O ministério da
Saúde de Israel admitiu, em declaração de seu porta-voz ao Canal 2, o que ele
chama de “colheita”: “As normas não eram muito claras naquele tempo, mas, nos
últimos 10 anos, Abu Kabir tem trabalhado de acordo com a ética e lei judaica”.
Em 26 de agosto de
2009, o jornal sueco Aftonbladet publicou uma matéria de autoria do repórter
Donald Bostrom, sob o título “Os órgãos de nossos filhos são saqueados”, onde
denuncia a morte de palestinos e a posterior entrega dos corpos mutilados por
autópsias deformadoras.
O parlamentar
árabe-israelense, Ahmed Tibi, que exigiu investigações sobre o assunto desde as
primeiras denúncias, em 2002, durante a Segunda Intifada (revolta popular
palestina), agora propôs e garantiu a convocação do ministro da Saúde de Israel
para depor no parlamento.
A Autoridade
Nacional Palestina exigiu investigação internacional sobre mais estes crimes
cometidos pelo regime de apartheid e terror de Estado de Israel. |