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Iraque: guerrilha susta
o saque de petróleo
na região norte do país
A Resistência
patriótica detonou oleoduto, que liga os campos de petróleo de Kirkuk ao
porto mediterrâneo de Ceyhan, paralisando a sangria
O
porta-voz do ministério do petróleo do governo-fantoche iraquiano, Assem
Jihad, admitiu que um conjunto de explosões conseguiu danificar 55
quilômetros do oleoduto utilizado para o assalto do petróleo do norte do
Iraque.
A drenagem do petróleo da região é feita toda através do oleoduto que chega
ao porto mediterrâneo de Ceyhan, na Turquia.
Além das labaredas de fogo que subiam aos céus, havia várias poças de óleo
em diversos pontos ao longo do oleoduto. Jihad informou que “as exportações
pararam e técnicos se deslocaram até lá para pesquisar a extensão dos danos
e orçar o conserto”.
SHELL
A ação ocorreu na véspera da assinatura do contrato entre os representantes
do governo-fantoche e a anglo-holandesa Royal-Ductch Shell para que esta
junto com a “malasiana” Petronas (que na verdade tem 56% de suas na mão de
uma corporação denominada BG Group onde as iniciais significam British Gás).
O assalto – apelidado pela mídia de ‘exportação’ – é de 2,5 milhões de
barris por dia e as corpora-ções que açambarcaram campos gigantescos no
Iraque planejam atingir a retirada de 12 milhões por dia. Isso significaria,
ao preço médio 2 dólares o barril (no ato do contrato, o que seguramente as
corporações farão lobby para elevar o preço), um lucro líquido de cerca de
US$ 9 bilhões ao ano no total do butim a ser repartido por elas, pois os
custos da exploração correm pelo governo do Iraque.
A ação da guerrilha iraquiana ocorre poucos dias depois da declaração do
partido Baas, de Sadam Hussein e Izaat Al Duri, expedida no dia 13,
alertando para as ações a serem tomadas contra o assalto perpetrado contra o
povo.
PARTIDO BAAS
“Portanto, a liderança do Partido Baas faz um alerta final e severo a estas
multinacionais para que não assinem estes contratos ilegais, avisando-as que
estarão sujeitas a ações dentro e fora do Iraque e serão processadas por
assinar acordos ilegítimos com autoridades ilegítimas durante a ocupação do
Iraque”, diz o documento divulgado pelo Baas.
A liderança política do povo iraquiano destaca ainda que “o
governo-marionete da ocupação não tem nenhuma legitimidade” para assinar
contratos de participação na extração “de longo prazo, acima de 50 anos com
as gananciosas companhias estrangeiras” e que, portanto, “estes acordos
ferem a soberania do Iraque e são nulos e ilegais”.
“Estes contratos ilegais expõem à luz do dia o saque criminoso do petróleo
do Iraque através de acordos assinados pelo governo-marionete de Maliki e
pelo assim denominado ‘governo regional curdo’ com as imorais e gananciosas
companhias estrangeiras de petróleo. Isto constitui uma flagrante violação
da soberania do Iraque sobre seu solo e seus recursos naturais e representa
também uma escandalosa violação da Lei Internacional e da Carta das Nações
Unidas”, destaca o partido Baas.
“Nosso partido reafirma”, prossegue a Resistência através do Baas, “que os
acordos assinados com o governo-marionete da ocupação são nulos, vazios e
ilegais e alerta as companhias multinacionais para que parem a flagrante
violação da soberania do Iraque! De fato, a Resistência heróica derrotará os
invasores ocupantes e alcançará a grande e final vitória. Isso vai devolver
ao Iraque sua soberania e acesso a toda sua terra, espaço aéreo, águas,
recursos petrolíferos e vai construir um forte novo Iraque, que vai garantir
os direitos naturais iraquianos”.
CONTRATOS ILEGAIS
O ministro do petróleo durante o governo de Sadam Hussein, Issam al-Chalabi,
em entrevista à rede Al Jazeera no domingo, declarou que os contratos não
atendem nem mesmo às atuais leis do Iraque: “A lei em vigor no Iraque requer
que o governo obtenha endosso do parlamento, porém o ministério do petróleo
continua a oferecer contratos sem sequer se reportar ao parlamento”.
“No ano passado supõe-se que os ingressos do petróleo ficaram em US$ 80
bilhões, porém isto não levou ao fornecimento dos mais simples dos serviços
tais como água e eletricidade”, prosseguiu Issam Al Chalabi. |