Governador de Minas agride namorada em festa de luxo
A moça
recebeu a pancada, caiu, revidou e depois cada um foi para um lado, dizem
testemunhas
Uma das testemunhas oculares da agressão
perpetrada pelo governador Aécio Neves no domingo, 25 de outubro, em meio a
uma festa promovida por um estilista da Calvin Klein no Hotel Fasano, do Rio
de Janeiro, descreveu a cena da seguinte forma:
“Visivelmente alterado, ele deu um tapa na moça que o acompanhava - namorada
dele há algum tempo. Ela caiu no chão, levantou e revidou a agressão. A
plateia era grande e alguns chegaram a separar o casal para apartar a briga.
O clima, claro, ficou muito pesado”.
Imagine o leitor que essa testemunha ocular é a
colunista social Joyce Pascowitch, que, de repente, sem que desejasse tal
metamorfose, passou de cronista de grã-finos a repórter policial. A nota de
Joyce Pascowitch é intitulada “Nelson Rodrigues”, em referência ao
teatrólogo que pregava que “mulher gosta de apanhar”.
A colunista social não revelou o nome do
agressor. Disse que era “um dos convidados mais importantes e famosos da
festa que o estilista Francisco Costa, da Calvin Klein, deu na piscina do
hotel Fasano, no Rio, nesse domingo”. Embora, pelo encadeamento das
notas sobre a festa, em seu blog, fosse mais ou menos claro quem era o
sujeito.
Dias depois, Juca Kfouri, em nota intitulada
“Covardia de Aécio Neves”, foi direto:
“Aécio
Neves, o governador tucano de Minas Gerais, que luta para ter o jogo
inaugural da Copa do Mundo de 2014, em Belo Horizonte, deu um empurrão e um
tapa em sua acompanhante no domingo passado, numa festa da Calvin Klein, no
Hotel Fasano, no Rio. Depois do incidente, segundo diversas testemunhas,
cada um foi para um lado, diante do constrangimento geral”.
Depois de pregar que “a imprensa brasileira
não pode repetir com nenhum candidato a candidato a presidência da República
a cortina de silêncio que cercou Fernando Collor [e o Fernando
Henrique?], embora seus hábitos fossem conhecidos”, Kfouri fez a
seguinte anotação: “... o blog recebeu nota da assessoria de imprensa do
governo mineiro desmentindo a informação e a considerando caluniosa. O blog
a mantém inalterada”.
A agredida foi Leticia Weber, uma modelo de 24
anos. Não conhecemos a moça, mas, em que pese andar com um debilóide como
Aécio, parece ser dotada de muitas virtudes. Bater em mulher já não
dignifica a carreira do sujeito. Bater em certas mulheres, então, parece
coisa de quem não gosta de mulher...
Não, leitor, não é isso que você pensou. A
questão é que Serra, Aécio, Fernando Henrique, esse tipo de gente, não é
capaz de amar ninguém. São todos uns narcisistas doentios. Byron disse uma
vez que quem não ama a sua pátria, não ama coisa alguma. Com os tucanos da
cúpula, o caminho é inverso: eles não amam a pátria porque não amam ninguém.
Um, já presidente da República, tratava a mulher, nos papos com um
proxeneta, como “megera”. Outro, governador do segundo ou terceiro Estado do
país, senta a mão na namorada, a ponto dela cair no chão, no meio de uma
festa, sem se importar com a seleta assistência ou sem conseguir se conter
mesmo diante de tal público. Serra, o que passa álcool nas mãos depois de
cumprimentar alguém do povo, até agora, que se saiba, não bateu na mulher.
Apenas, segundo seu ex-amigo Flávio Bierrenbach, agora ministro aposentado
do Superior Tribunal Militar, “Serra entrou pobre na Secretaria de
Planejamento do Governo Montoro e saiu rico. Ele usa o poder de forma cruel,
corrupta e prepotente. Poucos o conhecem. Engana muita gente. Prejudicou a
muitos dos seus companheiros. Uma ambição sem limite. Uma sede de poder sem
nenhum freio”.
Não por coincidência, são os mesmos que
liquidaram o patrimônio brasileiro, devastaram a economia nacional e
infelicitaram milhões de pessoas. Todos eles, aliás, sempre pregaram que sua
vida pública é tão imaculada quanto sua vida privada, apesar de uma nada ter
a ver com a outra. Caifás, o sumo sacerdote dos fariseus, era um São
Francisco perto dessa espécie de gente.
O fato que hoje comentamos, certamente só teria
a importância que leva a um boletim de ocorrência na delegacia, e a fazer o
agressor sentar no banco dos réus, se o indigitado não fosse governador de
Minas e pré-candidato a presidente do PSDB.
E se não fosse o abafamento completo do fato
pela mídia, com as duas exceções que registramos – e apenas em seus
blogs.
Obviamente, eles nunca vão ver Lula praticando
um ato semelhante. Isso é negócio de janotas transviados, desses que abundam
no PSDB. Mas, só para raciocinar, imaginemos que isso acontecesse com alguém
do governo ou um apoiador do governo. Há alguma dúvida sobre o carnaval que
ia ser aprontado ao redor do fato?
Não é uma surpresa que a mídia serrista também
haja aderido ao abafamento. Eles sabem que o cachação de Aécio na namorada
não é um problema só para Aécio. Afinal, ele está muito bem acolhido dentro
do PSDB – não há nada em Aécio que destoe do conjunto da cúpula tucana.
C.L.