“Brasil
fez bem em hospedar Zelaya e no fim prevaleceu a verdade”, afirmou Lula
O
presidente Lula expressou na sexta-feira, 30, sua aprovação pelo acordo
alcançado em Honduras para acabar com a crise gerada pelo golpe de Estado
que em 28 de junho retirou Manuel Zelaya da Presidência. Lula comentou que o
Brasil agiu bem em abrigar Zelaya. “Eu dizia que ele era nosso hóspede,
estava em nossa casa e ninguém iria tirá-lo de lá. O Brasil fez bem em tomar
essa posição e no fim prevaleceu a verdade. O Brasil fez o que qualquer país
no mundo faria”, disse Lula ao deixar a região de El Tigre, a 450
quilômetros de Caracas, onde, junto com o presidente Hugo Chávez, participou
da primeira colheita de soja em território venezuelano.
"O Brasil fez o que qualquer país democrático
faria. Nem o Pinochet teve coragem de fazer qualquer coisa contra a
embaixada de Cuba... quando todos os exilados ficaram na embaixada de Cuba",
afirmou.
“Somos favoráveis que seja o Congresso
hondurenho, e o presidente Zelaya a presidir as eleições de 29 de novembro e
que depois Honduras volte à normalidade”, comentou Lula, durante sua visita
à Venezuela.
Zelaya está abrigado na Embaixada do Brasil
desde o dia 21 de setembro. A ditadura de Roberto Micheletti praticou vários
atos de agressão à Embaixada brasileira, como cerco militar, corte do
fornecimento de água, luz, telefone e revistas das mais diversas e
humilhantes. O Brasil resistiu e manteve o apoio a Zelaya, cobrando dos EUA
uma posição mais clara diante dos golpistas. Finalmente, na quinta-feira
passada, o vice-secretário para a América Latina, Thomas Shannon,
desembarcou em Honduras e deu sua contribuição para fechar um acordo, que já
vinha sendo discutido há várias semanas.
Lula ressaltou a participação da Organização dos
Estados Americanos (OEA) e dos países da América Latina para encaminhar o
acordo. Junto com o presidente Chávez, ele disse que os dois têm a mesma
posição sobre Honduras.
“Ontem à noite o ministro Celso Amorim falou com
o presidente Zelaya que estava satisfeito com o acordo. Agora estamos
torcendo para que o Congresso seja a favor do acordo e que o presidente
Zelaya possa presidir as eleições. Terminou sendo bom o que ocorreu. Acabou
sendo um aprendizado para todos nós que amamos a democracia”, completou.
“Houve um acordo e espero que seja cumprido.
Acho que terminará bem”, acrescentou o líder brasileiro, em declarações à
imprensa, quando subia ao avião para voltar ao Brasil. Para ele,
“Tegucigalpa passou o que deveria passar, fechou um acordo, agora deve
convocar eleições, e voltar à normalidade. Fica a lição que não se aceita
golpe militar e todos defendem o fortalecimento da democracia”, assinalou o
presidente.