|
Crescem roubos,
sequestros, estupros e latrocínios em SP
Secretaria de
Segurança justificou o aumento da criminalidade dizendo que a greve dos
policiais levou a uma subnotificação dos crimes no ano passado. Mas a greve não
durou o ano inteiro
A
criminalidade subiu em São Paulo em quase todos os itens medidos pela Secretaria
de Estado da Segurança Pública. Os dados divulgados na última quinta-feira (29)
revelam o aumento no número de roubos, furtos, seqüestros, homicídios (dolosos e
culposos), latrocínios e estupros no Estado no terceiro trimestre deste ano na
comparação com o mesmo período do ano passado.
Entre julho, agosto
e setembro de 2009, 44.229 veículos foram furtados, aconteceram 64.399 roubos e
1.311 estupros, 1.070 pessoas foram mortas intencionalmente (homicídio doloso) e
1.244 acidentalmente (culposo); e 26 ocorrências de sequestros foram
registradas.
No mesmo período do
ano passado, tinham sido 11 sequestros, 1.240 homicídios culposos, 1.017
dolosos, 863 estupros, 54.186 roubos e 40.314 furtos de veículos.
O movimento inverso
foi verificado nos dados do Instituto de Segurança Pública, que acompanha a
evolução da criminalidade no Rio de Janeiro.
De acordo com o ISP,
em todo o Estado do Rio, entre o terceiro trimestre de 2008 e o terceiro deste
ano, foi registrada uma redução de 64 para 48 latrocínios, 1.278 para 1.262
homicídios dolosos, 30.821 para 29.224 roubos, e um aumento no número de
apreensões de drogas e armas.
Desculpa
O governo do Estado
é obrigado, por lei, a divulgar os dados da violência em São Paulo. Segundo a
nota oficial da SSP, o aumento nas estatísticas seria devido à greve da polícia
ocorrida em agosto do ano passado. Na ocasião, os policiais paulistas, que
recebem o pior salário do Brasil, entraram numa greve branca (notifica mas não
investiga) que durou vários meses.
“A comparação dos
dados do terceiro trimestre com os do mesmo período do ano passado ficou
prejudicada devido à sub-notificação das ocorrências durante movimento
reivindicatório de policiais civis em 2008, iniciado em 13 de agosto. A CAP
calculou uma média da quantidade de crimes registrados nos últimos três anos e
estimou que o ‘efeito greve’ representou uma sub-notificação de 21% das
ocorrências”, diz a Secretaria.
A desculpa, porém, é
rechaçada pelo policiais e não reflete a realidade vivida diariamente pelo povo
paulista. A justificativa não reflete nem mesmo os dados da própria Secretaria,
que aliás, não são nada claros.
A nota da SSP sobre
o terceiro trimestre, afirma, por exemplo, que “o número absoluto de roubos no
Estado caiu de 66.506, de março a junho deste ano, para 62.308, de julho a
setembro, queda de 6,31%”. Só que a tabela do segundo trimestre, publicada pela
própria Secretaria, trata apenas dos meses de abril a junho, com um número
registrado de roubos – incluindo roubos a carga e a bancos - de 68.524.
E ainda, apesar de
ter havido uma pequena redução nos índices entre o segundo e o quarto trimestre
de 2009 (e mesmo nessa relação os latrocínios, estupros e seqüestros
aumentaram), a comparação dos segundos trimestres e primeiros trimestres de 2009
sobre 2008 revela o aumento dos crimes.
Estatística
No caso do
homicídios dolosos, no segundo trimestre de 2008, meses antes da greve, foram
registradas 1.047 ocorrências, já em 2009, no mesmo período, o número saltou
para 1.168 casos. Os estupros saltaram de 811 para 948. Os roubos aumentaram de
58.051 para 68.524. E os seqüestros de 12 para 21, quase dobraram.
Quando a comparação
é entre os primeiros trimestres, o salto é ainda maior. Foram 788 estupros em
2008 e 1.050 em 2009. Nem mesmo a justificativa da SSP de que o aumento nos
números de estupros no Estado ocorreu por causa da mudança na lei de crimes
hediondos, que entrou em vigor em agosto deste ano e que passou a considerar
como estupro também, casos de “atos libidinosos” e “atentados violentos ao
pudor”, pode explicar as ocorrências. No primeiro trimestre, quando a lei ainda
não tinha entrado em vigor, houve um salto de 33,2% neste tipo de crime,
demonstrando que o aumento das ocorrências no terceiro trimestre está apenas
seguindo a tendência da escalada da violência no Estado.
ALEXANDRE SOUZA |