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Teatro lotado
assiste à pré-estréia do filme ‘São Paulo, cidade aberta’
Na noite do dia 8 de
julho de 1924, o general Isidoro Dias Lopes, colocado no comando pelos
revolucionários que desde a madrugada do dia 5 lutavam na capital de São Paulo,
decide a retirada para Jundiaí. O major Miguel Costa, da Força Pública Paulista,
que liderava as tropas melhor apetrechadas do país, sublevadas desde o início,
não aceita a decisão. Na manhã seguinte, o major é informado que o “presidente
do Estado”, Carlos de Campos, fugira da cidade com as tropas governistas. São
Paulo, a capital da oligarquia cafeeira, estava nas mãos dos revolucionários.
No filme “São Paulo,
cidade aberta”, que teve sua pré-estreia na sexta-feira, 23, o episódio é
resumido por um eloquente soco na mesa, dado por Miguel Costa ao saber da fuga
de Carlos de Campos. No confronto com Isidoro, ele tivera razão.
Com o teatro Denoy
de Oliveira lotado, “São Paulo, cidade aberta” recebeu intensos aplausos ao seu
final. E, realmente, não é apenas a primeira obra cinematográfica sobre um dos
maiores e mais heroicos episódios da nossa História, a Revolução de 1924. É uma
daquelas obras definitivas, que será referência para as que virão a seguir.
Na segunda revolta
tenentista – a primeira, a revolta do Forte de Copacabana, em 1922 – a
oligarquia cafeeira não hesitou em destruir a sua própria capital com um
selvagem bombardeio de artilharia pesada. Em “São Paulo, cidade aberta”, a
excelente música de Marcus Vinícius de Andrade sublinha esses momentos
dramáticos de forma precisa – sem antepor-se aos acontecimentos narrados ou
representados, sem desaparecer diante deles.
A retirada até Foz
do Iguaçu – e a fusão com os revolucionários gaúchos que daria início à marcha
da Primeira Divisão Revolucionária, sob o comando de Miguel Costa, tendo Luís
Carlos Prestes como chefe de Estado Maior – finalizou a Revolução de 1924.
Entretanto, apenas seis anos depois, em 1930, os revolucionários triunfariam.
“São Paulo, cidade
aberta” é o resultado, lembrou o seu diretor, Caio Plessman de Castro, de um
trabalho coletivo. O que, certamente, não ofusca, pelo contrário, realça, o
trabalho de cada participante, a começar pelo próprio Caio Plessman, pelo
argumento de Sérgio Rubens de Araújo Torres, pela música de Marcus Vinícius,
pela narração de Othon Bastos e pela interpretação de João Signoreli (Joaquim
Távora), Ney Piacentini (Miguel Costa), Fabio Tomasini (Isidoro Dias Lopes),
Álvaro Gomes (Carlos de Campos), Eduardo Parisi (João Cabanas), Marcelo Airoldi
(João Alberto), Fábio Pinheiro (Juarez Távora), Luís Rodolfo Dantas (Macedo
Soares) e outros atores. |