|
Clima: Brasil não vai aceitar que pobres paguem pelo CO2 dos ricos
O embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado,
diretor do Departamento de Meio Ambiente e Temas Especiais do Ministério das
Relações Exteriores, afirmou que não se pode cobrar dos países pobres a
responsabilidade pela alta emissão de CO2 dos países ricos. “Eles são os grandes
responsáveis pelo aquecimento global. Não se pode cobrar dos países em
desenvolvimento. É uma forma de aplicação do princípio do poluidor-pagador”,
ressaltou.
O embaixador comentou, na última sexta-feira
(30), que existem divergências em relação à criação de um fundo internacional
para financiar ações de combate ao aquecimento global – um dos temas que será
discutido na Conferência da ONU sobre mudanças climáticas, de 7 e 18 de
dezembro, em Copenhague (Dinamarca). No encontro, o governo brasileiro deve
cobrar uma responsabilidade maior dos países ricos com a redução das emissões.
Luiz Alberto Figueiredo lembra ainda os
países desenvolvidos não estão levando a sério a recomendação do Painel
Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) de que reduzam suas emissões em
25% a 40%. O embaixador destacou que as metas apresentadas por estes países até
agora giram, em média, em torno de 11% a 17%, sendo que parte disso seria
cumprida com a comercialização de créditos de carbono que, na prática, não
constituem ações de fato contra o aquecimento global.
O ministro das Relações Exteriores, Celso
Amorim, declarou em entrevista ao canal Globonews que “o Brasil não vai se
esconder atrás de ninguém e não vai deixar ninguém se esconder atrás dele”. “Nós
vamos colocar o nosso número. Agora, vamos cobrar, não vamos permitir que
ninguém se esconda atrás do Brasil”, reiterou. “Não queremos aliviar a
responsabilidade dos países ricos, porque eles falam muito do que nós devemos
fazer, mas é preciso também ver o que eles vão fazer”, enfatizou. |