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OSS é
acusada de desviar verba pública de hospitais em Bauru
A OSS (Organização Social de Saúde) Associação
Hospitalar de Bauru (AHB), entidade privada que administra três hospitais
estaduais em São Paulo - Hospital de Base, Hospital Manuel de Abreu e da
Maternidade Santa Isabel –, está sendo acusada pelo Ministério Público
Federal (MPF) e pela Polícia Federal (PF) por crimes contra o Sistema Único
de Saúde (SUS), falsificação de fichas de atendimento ambulatorial e desvio
de R$ 16 milhões emprestados da Caixa Econômica Federal.
Entre as acusações constam a formação de
quadrilha, duplicidade na cobrança dos atendimentos médicos do SUS (há casos
de procedimentos pagos até três ou mais vezes) e fraudes na aquisição de
medicamentos e próteses.
Durante a investigação, o MP decretou a prisão
temporária de Joseph Saab (presidente da Associação há 14 anos), Marcelo
Saab (dentista, filho do presidente), Vladmir Scarpp (superintendente,
diretor financeiro), Samuel Fortunato (diretor técnico, responsável pelo
setor de compras), Célio Parisi (conselheiro), Maria Lúcia Lopes Saab
(supervisora de serviço de apoio), e foi considerada imprescindível por
conta dos primeiros resultados do trabalho, já que foi descoberta a intenção
deles de ocultar alguns indícios materiais do empréstimo e destino do
dinheiro.
Em passeata pelas ruas de Bauru, manifestantes
alertaram para os riscos iminentes da terceirização da gestão de hospitais e
equipamentos públicos de saúde para a iniciativa privada, adotada pelo
governador José Serra, e pediram punição exemplar para os envolvidos no
esquema milionário de desvio de verbas públicas. “Fizemos o funeral da Saúde
e quem foi o autor disso tudo foi o governador José Serra (PSDB)”, declarou
João Andrade, da CUT, durante o ato.
O esquema fraudulento foi desvendado pelo MPF
pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), em
conjunto com a PF, a partir de interceptações telefônicas. As conversas
revelaram conselheiros e diretores da Associação Hospitalar armando para
aprovar as contas do empréstimo milionário contraído junto à Caixa Econômica
Federal com o objetivo de “antecipar” verbas federais à entidade. |