|
Hondurenhos
fazem vigília diante
do Congresso por saída de golpistas
Nos bairros
da capital, populares tomaram as ruas para celebrar acordo que estabelece o
retorno de Zelaya. Multidão aguarda no Congresso a votação que oficialize a
recondução do presidente legítimo
A
Integrantes da Frente Nacional contra o Golpe de Estado em Honduras
iniciaram na segunda-feira, dia 2, uma vigília permanente frente à sede do
Congresso Nacional, em Tegucigalpa, para exigir que se garanta a recondução
do presidente legítimo Manuel Zelaya, principal aspecto do acordo assinado
na sexta-feira passada entre o governo constitucional e representantes dos
golpistas.
O pacto determina que o legislativo deve aprovar o retorno do chefe de
Estado, após prévia consulta à Corte Suprema de Justiça.
“Não vamos sair daqui até conquistar nosso objetivo. A restituição do
presidente Zelaya é decisiva para acabar com o golpe. Não adianta a ditadura
ceder em outras questões e querer realizar as eleições com um governo de
pseudoreconciliação nacional que, de fato, deixe a iniciativa em suas mãos.
A eleição ou é democrática ou não será reconhecida nem pela sociedade
hondurenha, nem pelos governos do mundo. E a liberdade passa por Zelaya ser
restituído à presidência e estar na organização do processo eleitoral”,
afirmou à imprensa Juan Barahona, líder da Frente de Resistência, que
aglutina dezenas de agrupações sindicais, indígenas, camponesas, estudantis,
de intelectuais e outros setores.
José Alfredo Saavedra, que cumpre a função de presidente do Congresso, com a
sede do Parlamento cercada por manifestantes, anunciou em declarações a
emissora local HRN, nesta segunda-feira, que nesse mesmo dia entregara una
cópia do documento assinado a cada um dos 128 deputados. E que havia
convocado os membros da direção do Legislativo para o dia seguinte,
terça-feira, iniciar o tratamento da questão.A sessão deve ser convocada até
a próxima quinta-feira, dia 5.
“Nós demos ao Congresso Nacional, conforme o acertado neste acordo, uma
oportunidade. O Congresso tem a opção de continuar com o golpe de Estado.
Tem, porém, a opção de fazer o que esperam dele as nações do mundo e o povo
hondurenho que tem sido heróico nesta luta. Tem a possibilidade
extraordinária de transformar Honduras em um exemplo para a América e um
exemplo para a democracia”, assinalou Zelaya em entrevista a rede Telesul,
recomendando que “os deputados devem atuar com responsabilidade diante do
povo que os elegeu”.
De acordo com o pacto, no início da semana deve se conformar a Comissão de
Verificação coordenada pela Organização de Estados Americanos (OEA),
integrada pelos representantes internacionais e dois locais, um da parte de
Zelaya e outro de Micheletti.
O Partido Liberal, ao qual pertencem Zelaya e Micheletti, tem 65
legisladores no Congresso unicameral de 128 cadeiras, enquanto que o
Nacional possui 55. As vagas restantes são repartidas entre três partidos
minoritários.
O candidato presidencial do PN, Porfirio Lobo, disse que “a decisão da nossa
bancada será tomada com a intenção de contribuir a fazer o que seja
necessário para trazer a paz à nação”.
Os Estados Unidos, que enviaram na semana passada ao país centro-americano
três diplomatas encabeçados pelo subsecretário para a América Latina do
Departamento de Estado, Thomas Shannon, asseguraram que se o acordo for
cumprido apoiarão as eleições de novembro.
O pacto de oito pontos, além da restituição do presidente Zelaya, implica
entre ouras questõs na criação de um governo de reconciliação e na formação
de uma Comissão para investigar os fatos antes, durante e depois do golpe de
Estado.
O presidente Zelaya conclamou os patriotas e democratas hondurenhos a
ficarem vigilantes: “Sobre o processo de votação no Congresso Nacional”. O
presidente advertiu: “tenho indícios de que possivelmente alguns deputados
estejam tratando de impedir que se consiga culminar este acordo. Não devemos
ser ingênuos, porque o presidente do Congresso Nacional continua sendo
Roberto Micheletti, ele está exercendo uma presidência golpista. Vamos tomar
cuidado”.
SUSANA SANTOS
|