|
Farsa eleitoral consumada no Afeganistão:
reassumirá Karzai, o preferido da ocupação
Hamid Karzai foi declarado presidente-fantoche reeleito do Afeganistão pela
chamada Comissão Eleitoral Independente, a mesma que assumiu que houve
fraude em volume suficiente para impedir a vitória de Karzai que se
declarara eleito no primeiro turno.
A fraude foi tão generalizada que a Comissão Eleitoral Independente (CEI)
que se apressara a declarar a vitória de Karzai no primeiro turno teve que
voltar atrás e recontar votos sob pressão da ONU e de países que ajudam os
EUA na ocupação. Com tal nível de fraude e abstenção (segundo dados da mesma
comissão só 38% dos eleitores compareceram às urnas) o caráter de governo
ilegítimo ficaria ainda mais escancarado.
Antes de entrar no Afeganistão com os invasores, Karzai trabalhou na
petrolífera Unocal, a mesma que está construindo o oleoduto do Mar Cáspio ao
Mediterrâneo, passando por território afegão. Não satisfeitos, os EUA
nomearam outro consultor da Unocal, nove dias depois de sua posse, como
enviado especial no Afeganistão.
Aliás, como já fartamente publicado, seu irmão Wali Karzai estava desde 2001
na folha de pagamento da CIA. Acerca dele a guerrilha afegã escreveu em
manifesto divulgado no dia 2: “criou a Força Tarefa de Kandahar envolvida em
diversas violações dos direitos humanos. De acordo com o semanário Times,
Wali Karzai [que detém o controle do tráfico de heroína e ópio no país,
maior fornecedor mundial destas drogas] usou frequentemente a Força Tarefa
contra oponentes. Esta e outras milícias privadas que recebem milhões de
dólares para escoltar os comboios dos invasores extorquem dinheiro de
pessoas do povo e taxam agricultores. Estão envolvidos em roubo, sequestro e
outras atividades inescrupulosas”.
Nestas condições, Abdullah Abdullah se candidatou a presidente-fantoche de
plantão, achando que podia prestar um melhor serviço, pois com menos
desgaste que Karzai. Ficou em segundo no primeiro turno e denunciou o que
estava à vista de todos: a fraude correu solta com urnas com mais votos que
eleitores, mortos votando em regiões sob domínio da guerrilha.
A Organização das Nações Unidas (ONU) admitiu no dia 11 de outubro a fraude
que “afetou por inteiro o processo eleitoral” nas eleições realizadas em 20
de agosto. Em coletiva em Cabul, o chefe da missão da ONU no Afeganistão,
Kai Eide, declarou: “Só posso dizer que foi uma fraude generalizada”. Nas
contas das equipes de fiscalização da União Européia, há pelo menos 1,5
milhão de votos fraudados.
A CEI foi obrigada a voltar atrás. Parecia que ia haver segundo turno, mas
sob a mesma supervisão de Azizullah na chefia do bando na Comissão
Eleitoral.
Abdullah, que não servira a Unocal antes da invasão, não detinha a mesma
confiança dos ocupantes e sua requisição pela troca dos ladrões de urnas no
comando das eleições não foi atendida. Abdullah Abdullah renunciou à disputa
do segundo turno e Karzai foi proclamado presidente sem que os marines
tivessem que fazer novo esforço de boca de urna.
Detalhe: Abdullah, atendendo a não se sabe que amigável solicitação, engoliu
em seco e pediu a seus seguidores que não protestassem nas ruas. |