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Concordata do banco CIT
Group é a 5ª maior dos Estados Unidos
No pedido de
bancarrota, o CIT informou que havia US$ 800 milhões vencendo entre a
sexta-feira dia 30 de outubro e terça-feira dia 3, que não tinha como
honrar. No dia 30 faliram mais 9 bancos, chegando a 115 no ano
O maior banco dos EUA especializado em crédito às pequenas empresas, o CIT,
requereu concordata na segunda-feira dia 2, na quinta maior bancarrota já
ocorrida no país, atrás em valor a da General Motors. No início do ano, para
não fechar, o CIT havia recebido US$ 2,33 bilhões do programa federal de
bailout. Os principais devedores, como o Goldman Sachs e o Bank of América
Merrill Lynch, ao fim da reestruturação, passarão a deter oficialmente o
controle do banco, recebendo 70 centavos por cada dólar de dívida. Como o
dinheiro público do bailout foi usado para comprar ações preferenciais do
banco, de acordo com a lei de falências dos EUA, que privilegia os credores,
os US$ 2,33 bilhões vão virar fumaça. Caso não houvesse um “acordo prévio”
com os credores, eles receberiam em torno de 6 centavos por cada dólar de
dívida.
“O Conselho de administração aprovou a proposta de entregar, voluntariamente
um dossiê sobre sua situação ao tribunal de falência do distrito sul de Nova
York”, anunciou o banco, com 101 anos de existência. Segundo o “New York
Times”, o valor dos ativos do CIT é de US$ 71 bilhões. No pedido de
bancarrota, o banco informou que havia US$ 800 milhões vencendo entre a
sexta-feira dia 30 de outubro e terça-feira dia 3 de novembro, que não tinha
como honrar. Também na sexta-feira, o dia da semana preferido da Corporação
Federal de Garantia aos Correntistas (FDIC, na sigla em inglês) para
anunciar falências de bancos, o órgão informou que mais nove bancos
quebraram e foram entregues a outro grande banco. Uma semana antes, o número
de bancos falidos havia ultrapassado o número 100, e já chegou a 115. Assim,
a outra face da falência de bancos nos EUA é o vertiginoso aumento da
monopolização.
Os nove bancos que faliram no dia 30, eram parte do banco FBOP, de Illinois,
com ativos combinados de US$ 19,4 bilhões e depósitos de mais de US$ 15
bilhões, e atuação também na Califórnia, Arizona e Texas, em mais de 150
filiais. Eles foram englobados pelo US Bancorp, que passará a ter 3 mil
filiais em duas dezenas de estados. O fechamento dos nove bancos custará ao
FDIC US$ 2,5 bilhões. Os 115 bancos fechados já causaram ao fundo federal
mais de US$ 25 bilhões só este ano e, segundo o NYT, “centenas de quebras de
bancos a mais devem elevar esse custo a cerca de US$ 100 bilhões até 2013”.
Além desses, grandes bancos, como o Citibank, são apontados como “bancos
zumbis”, mortos-vivos que só se movem ainda por causa do tsunami com
dinheiro público. No caso do Citibank, US$ 45 bilhões de bailout, e mais
centenas de bilhões de garantias federais a papéis podres do banco. No lugar
da restauração do crédito para mover a produção e gerar emprego, razão
alegada para o bailout, mais aperto de crédito. No terceiro trimestre, o
crédito foi cortado em 19% em geral e em 28% para as empresas (anualizado).
Dinheiro, só para monopolizar mais, e especular na bolsa e externamente, com
o diferencial de juros (“carry trade”). E o FDIC, com as arcas vazias, já
procura de onde vai tirar para a próxima leva de bancos quebrados.
DÍVIDA DE US$ 30 BI
O pedido de concordata do CIT se refere somente à holding do banco, deixando
de fora agências e filiais, o que facilitará, segundo o banco, a saída da
concordata. Em declaração, o CIT disse que 85% dos detentores dos títulos de
dívida do banco participaram do acordo, sobre uma dívida de US$ 30 bilhões.
Pela lei de falência dos EUA, pelo menos 51% dos credores e dois-terços do
valor total dos títulos devem ser atendidos para o requerimento de
concordata pré-acertada ser deferido. O CIT também alcançou um acordo com a
Goldman Sachs, para manter um empréstimo de US$ 2,13 bilhões mesmo sob
bancarrota, e pagando apenas uma taxa e colateral. O especulador Carl Icahm,
que estava tentando passar a perna nos outros, oferecendo 60 centavos por
dólar em caso de rejeição do acordo, acabou se compondo e ofereceu, ainda um
empréstimo de US$ 1 bilhão.
Desde 1980, as cincos maiores quebras registradas nos EUA foram o Lehman
Brothers (banco), em 15 setembro de 2008, com US$ 691 bilhões; Washington
Mutual (banco), em 26 setembro de 2008, com US$ 327 bilhões; WorldCom
(telecomunicações), em 21 julho de 2002, com US$ 103 bilhões; General Motors
(montadora), em 1º junho de 2008, com US$ 91 bilhões; e CIT (banco) – 2
novembro de 2009 - US$ 71 bilhões e a 6ª, Enron (energia) - em 2 de dezembro
de 2001 - US$ 65,5 bilhões.
ANTONIO PIMENTA
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