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EUA tem estranho “fim
da recessão” com queda no consumo e arrocho no crédito
O PIB dos EUA no terceiro trimestre caiu 2,3% em relação a igual período do
ano passado, segundo dados preliminares do Departamento do Comércio dos EUA,
na quarta queda consecutiva. O Departamento preferiu ressaltar que pela
primeira vez desde o colapso de Wall Street, em relação ao trimestre
anterior de 2009 (abril-maio-junho), houve no terceiro trimestre um aumento
de 3,5%, mas admitiu que praticamente se deveu aos incentivos dados pelo
governo Obama, para a troca de um carro velho por um carro novo e para a
compra da primeira casa. Assim que o incentivo acabou, no mês seguinte,
setembro, o último mês do terceiro trimestre, as vendas no varejo caíram
1,5%, e os pedidos de novos alvarás, 1,2%.
Assim, mesmo com a quebradeira dos pequenos bancos – já são 115 – e os 16,5%
de desempregados, houve quem, efusivamente, logo apresentasse o resultado
como o “fim da recessão”, enquanto os mais ponderados viram “fim da queda
livre” pelos mais ponderados. Ou o fundo do poço. Mas se poderia falar,
verdadeiramente, em “recuperação”, sem empregos? O primeiro programa de
incentivo de Obama deu US$ 8.000 para quem compra a primeira casa; o outro,
US$ 1600 para quem trocar um carro usado por outro mais econômico. Mas, como
o prazo de vigência é bem curto, as limitações apareceram: “a venda de
carros desabou assim que o programa federal “cash-for-clunkers” expirou”,
revelou a revista inglesa “Economist”.
A publicação também assinalou que o emprego não-agrícola “afundou em
263.000” em setembro, o que era 62.000 mais do que agosto. Embora, apontou,
a atividade manufatureira tenha “esquentado um pouco”. Aliás, conforme a
revista, ao rever os números do desemprego, o Escritório de Estatísticas do
Trabalho dos EUA “concluiu que a economia perdeu 824.000 postos de trabalho
a mais no ano até março do que tinha pensado”.
“Ao novo estímulo se seguiu uma derrubada em setembro”, registrou a “Economist”,
que também assinalou o quadro crítico do desemprego em massa. “O maior
problema é que uma vez que seja retomado o crescimento, o emprego
provavelmente permanecerá anêmico”, ressaltou. Segundo uma pesquisa da Duke
University, de setembro, “mais da metade dos empresários disse que não
voltaria aos níveis de funcionários pré-recessão até 2012”. Acrescentou,
ainda, que o crédito tem “caído agudamente, de US$ 7,14 trilhões em maio
para US$ 6,78 trilhões em setembro” e piorando.
DURÁVEIS
O próprio boletim do Departamento do Comércio admite que o resultado nos
“bens duráveis” (um aumento, anualizado, de 22,3%) “largamente reflete o
programa ‘Clunkers’”. Na comparação com o trimestre anterior, o boletim
aponta ainda que “bens não duráveis aumentou 2% no trimestre contra
diminuição de 1,9% no anterior”; “investimento não-residencial fixo diminuiu
2,5% no terceiro trimestre, comparado com uma redução de 9,6% no segundo”;
“estruturas não-resideciais reduziram 9,0% comparado com diminuição de
17,3%”; “a exportação de bens e serviços aumentou 14,7%” no período, contra
“diminuição de 4,1% no segundo trimestre”.
A.P.
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