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Lojistas farão
campanha pelo veto aos despejos sumários
Confederação
Nacional de Dirigentes Lojistas diz que nova lei é “em golpe” contra comércio
A Confederação
Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) decidiu fazer campanha pelo veto
presidencial ao projeto da lei dos despejos sumários, aprovada pelo Congresso
sem passar pelo plenário nem da Câmara nem do Senado - usando o artifício da
aprovação em caráter “conclusivo” e “terminativo” nas comissões da duas casas.
“O projeto não foi
discutido com a sociedade, passou pelo Congresso em uma velocidade incrível”,
afirmou o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Júnior.
Para Pellizzaro, com
esse projeto “o Congresso inicia o fim do pequeno comércio. A medida é um tiro
nas micro e pequenas empresas”, pois acaba com a tradição do ponto comercial,
por remover o comerciante de seu local de trabalho de acordo com a ganância de
especuladores imobiliários e grandes proprietários de imóveis.
Segundo José Vicente
Estevanato, vice-presidente da CNDL, a nova lei cria “uma situação absurda”. “No
caso de um pagamento de aluguel mensal de R$ 10 mil, se o inquilino tentar
negociar um aumento de 10% (R$ 11 mil) e o proprietário pedir uma renovação para
R$ 20 mil, o juiz pode aceitar até 80%. Assim sendo, corre-se o risco de ver o
valor passar de R$ 10 mil para R$ 16 mil de uma hora para outra. Imagine uma
situação desta para um comerciante de uma cidade de 30 mil habitantes, que tem
sua loja no mesmo local há 15 anos. Como ficará, se aparecer outro com mais
dinheiro?”, questiona.
O presidente da
Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Alencar Burti, também se opôs a essa
possibilidade dizendo que “o contrato deve prever o direito de renovação e um
teto no aumento do aluguel”. Burti afirma que as mudanças irão “abalar a
segurança do comércio varejista” e que “isso causa preocupação”.
Segundo o advogado
Pedro Lessi, presidente do Instituto Brasileiro de Defesa dos Lojistas de
Shopping (Idelos), de um lado a permissão dada pelo projeto para que o
proprietário possa desalojar o inquilino, se afirmar que recebeu uma proposta
maior, “leva a denúncia vazia ao máximo”. Por outro, a velocidade em que será
permitido o despejo (15 dias) prejudica o lojista de forma irreparável. “O
lojista pode ter todos os motivos do mundo para justificar o atraso, mas não
poderá expor nenhum, porque antes disso a Justiça pode decidir colocá-lo para
fora”. Ainda de acordo com Lessi, a intenção do projeto é “culpar o locatário
pela falta de estrutura do poder judiciário, que deixa que os processos demorem
para serem julgados”.
Proprietários
O projeto favoreceu
os proprietários de Shopping Centers, setor que, segundo o vice-presidente de
Locações do Sindicato da Habitação já “buscava meios de acelerar o despejo”.
Para Luiz Fernando
Pinto Veiga, presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce),
entidade patronal representante de 385 shoppings, “não que a lei de 1991 fosse
ruim, mas o projeto dá mais segurança nos negócios”.
Se aprovada, a nova
Lei afetará, diretamente, pouco mais de 1 milhão de contratos de locação em todo
o Brasil. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), no Brasil, a cada 10 imóveis, dois são ocupados por inquilinos.
Veto
A Casa Civil da
Presidência e o Ministério da Justiça já estão analisando os pontos mais
polêmicos do novo projeto, principalmente os que dão mais poder aos
proprietários de imóveis e lesam diretamente as famílias, que estariam à mercê
dos senhorios e os pequenos empresários. Os dois Ministérios têm 15 dias, a
partir de quarta-feira (04), para avaliar se recomendam vetos. Em seguida, o
texto seguirá para apreciação do presidente Lula.
ALEXANDRE SOUZA |