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Marighella é
homenageado em São Paulo: “exemplo para os que lutam pelo Brasil livre”
“Este ato é muito
importante para resgatar a luta de Carlos Marighella. Para garantir que seja
rompido o véu de silêncio que ainda se tenta impor sobre os que dedicaram suas
vidas pela justiça para o povo, pela soberania do Brasil”, afirmou Carlos
Augusto Marighella, filho de Carlos Marighella, militante e deputado
constituinte pelo PCB em 1946, fundador da Aliança Libertadora Nacional, morto
no dia 4 de novembro de 1969, em uma emboscada realizada pela ditadura na cidade
de São Paulo.
“Além disso, debater
sobre os fatos transcorridos naquela época é um compromisso com a democracia”,
acrescentou o seu filho durante a homenagem ao combatente, realizada na última
quarta-feira (4) na Câmara Municipal de São Paulo.
O filho e a viúva de
Carlos Marighella, Clara Scharf, participaram do evento onde Marighella recebeu
o título de Cidadão Paulistano, concedido pela Câmara Municipal, por projeto do
vereador Ítalo Cardoso, do Partido dos Trabalhadores.
“É muito importante
que homens como Carlos Marighella sejam referências para o povo e para a
juventude brasileira”, acrescentou seu filho que ainda ressaltou que este evento
pela memória de seu pai “é mais do que justo; Carlos Marighella sempre foi amado
pelo povo de São Paulo”.
A companheira de
Marighella, Clara Scharf, ressaltou sua preocupação e seu incentivo à
participação das mulheres na revolução: “ele sempre se preocupou com estimular a
mulher na luta de resistência à ditadura”. Ela acrescentou que “em suas
atitudes, tanto com as companheiras, como com os companheiros, demonstrou ser um
ser humano profundamente solidário”, destacando que a luta dele “valeu a pena.
Valeu para transformar o Brasil, que hoje é um pouco do que a gente sonhava”.
O salão nobre da
Câmara Municipal de São Paulo ficou lotado para homenagear aquele que muitos
ressaltaram ser “um grande herói brasileiro”.
Parlamentares e
líderes de partidos como o PT, PCdoB, PPL, PSB, PCB, PSDB. Entre eles o
ex-ministro José Dirceu; o ex-deputado Federal Ricardo Zarattini; o secretário
de Relações Internacionais do PPL, Nelson Chaves; e o vereador e ex-deputado
Jamil Murad.
Dirigentes de
associações e organizações de trabalhadores a exemplo da Central Geral dos
Trabalhadores do Brasil, representada pelo seu presidente em São Paulo, Paulo
Sabóia, e seu vice-presidente nacional, Oswaldo Lourenço, fundador da ALN junto
com Marighella; o MST, representado pelo seu líder no ABC, Marcelo Buzetto; e do
presidente da UNE, Augusto Chagas. Além do ator Sergio Mamberti, presidente da
Funart; do escritor Antonio Cândido; e do diretor do grupo de teatro União e
Olho Vivo, Idibal Piveta.
Estiveram presentes
representantes dos ministros da Justiça e da Secretaria Especial de Políticas
para as Mulheres. Assim como delegações de diversos países da América Latina,
como o Uruguai, Argentina, Nicarágua, Venezuela, Cuba, El Salvador, Peru,
Bolívia e República Dominicana.
Altemir Gregolin,
ministro da Pesca e Aquicultura, enviou mensagem em que ressaltou que “colhemos
hoje, graças à luta brasileira de Marighella, os ares da liberdade”.
E as delegações
estrangeiras foram representadas pelo senador boliviano, Andrés Guzman, na mesa
dos trabalhos, e pela declaração do representante do Partido Comunista de Cuba,
Hector Fraginal: “foi um combatente que se pautou pelos mais altos princípios
revolucionários”.
Anton Fon, que
participou de jornadas ao lado de Marighella, falou em nome dos seus
companheiros: “Marighella andou pelas ruas de São Paulo e pelos recantos do
Brasil inserido nas lutas do povo e pregando os ideais humanistas do socialismo.
Um patriota que defendia que a consciência revolucionária não se desenvolve
espontaneamente, mas tem que ser estimulada pelos revolucionários, que sua luta
é fundamental para que o povo avance até as últimas conseqüências em sua luta de
libertação. Aqui, quando o homenageamos, seus ideais de libertação do país do
imperialismo estão presentes. Seu sacrifício nos coloca diante dos desafios que
a história nos impõe: Ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil!”.
De acordo com o
escritor Antonio Cândido, “Marighella foi um grande lutador que havia se
desprendido de questões particulares. Ao transcendê-las, em seu sacrifício
inabalável pelo Brasil, se tornou um herói da nossa história”.
O representante do
Partido Pátria Livre, Nelson Cháves, destacou que “viemos prestar homenagem ao
grande combatente revolucionário que deu a sua vida sonhando com um Brasil justo
e livre. Este ato, na Câmara Municipal, com a força da presença de tão
destacadas lideranças a reverenciar sua memória, mostra que o país deu grandes
passos e que o exemplo de companheiros como Marighella norteou muitos a seguir
seus passos e abraçar seus justos ideais”.
Um dos momentos mais
vibrantes foi quando todos entoaram o Hino Nacional, seguido do hino A
Internacional. Ambos foram cantados por integrantes do grupo de teatro popular
União e Olho Vivo.
Além da homenagem em
São Paulo, o ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo
Vannuchi, participa em Salvador do ato “Marighella Vive”. No próximo sábado (7),
uma exposição no Memorial da Resistência em São Paulo será aberta ao público.
NATHANIEL BRAIA |