|
Trabalhadores repudiam proposta da Claro de
reduzir seus salários
Conforme a Federação dos Trabalhadores em
Telecomunicações, além do reajuste abaixo da
inflação, Claro congela direitos
Os trabalhadores em telecomunicações da rede de
telefonia celular Claro, em campanha salarial
desde o início de outubro, rejeitaram a proposta
da empresa, que ofereceu reajuste abaixo da
inflação: 3,65% para salários e pisos.
Representados pela Federação Nacional dos
Trabalhadores em Telecomunicações (Fenattel), os
funcionários ressaltaram que, além da
desvalorização dos salários, a empresa,
pertencente à mexicana Telmex, também propôs o
congelamento dos benefícios. De acordo com José
Luiz Passos, assessor da Fenattel, “a
reivindicação da categoria é o INPC integral
mais 4% de aumento real”. “E desde o início das
negociações, a Claro tem sido intransigente,
impedindo, inclusive, o acesso de uma dirigente
sindical à empresa. Nós recusamos essa proposta,
ainda mais com os lucros exorbitantes que a
empresa tem apresentado”, declarou José Luiz ao
HP. Em 2008, a receita líquida da empresa foi de
11.528.000.000. Nos três primeiros três
trimestre deste ano, sua receita líquida foi de
8.828.000.000.
José Luiz condenou a política salarial da
empresa assim como o descaso da Claro com os
trabalhadores, lembrando que a empresa foi
flagrada pelo Ministério do Trabalho com dezoito
trabalhadores em condições de trabalho, moradia
e higiene considerados “degradantes” e
semelhantes ao regime de escravidão, em obras da
companhia, em Vila Velha (ES). O grupo de
operários, aliciado no Norte do Rio de Janeiro,
que atuava na escavação de canaletas, por onde
passariam cabos óticos da operadora de celular,
estava desde o dia 27 de setembro sem receber
qualquer valor ou abono pelo serviço.
Conforme a Federação, e os Sindicatos que
participam da negociação, a mobilização irá
prosseguir. A próxima rodada de negociação entre
os representantes dos trabalhadores e a empresa
está agendada para o dia 13 de novembro e,
segundo a entidade, a Comissão de Negociação já
definiu a reivindicação: Reajuste pelo INPC
integral mais 4% de aumento real. “Lembramos que
no Brasil está em vigor uma política para o
salário mínimo que garante o INPC integral mais
o crescimento do PIB do ano anterior como
aumento real”.
Em relação aos benefícios, como auxílios
alimentação e creche, a proposta da Claro é
reajuste zero. “À exceção do Paraná e Santa
Catarina, nos demais estados o valor do
tíquete-refeição hoje é R$ 18,00 para as
jornadas de oito horas e R$ 16,00 para jornadas
de seis horas. A proposta da empresa é mantê-lo
em R$ 18,00. Isso significa que apenas dois
estados terão o valor do benefício elevado, ou
seja, equiparado aos demais. É um absurdo e quem
sai ganhando com isso é a empresa”, explicou a
Federação.
Segundo a entidade, “na creche ela usa a mesma
estratégia, de forma inversa. Apenas quatro
estados tem hoje o valor fixado em R$ 280,00 -
São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Acre, que,
juntos concentram um maior número de empregados.
Em Pernambuco e Mato Grosso valor praticado é R$
300,00. Nos demais estados, como Rio de Janeiro
é R$ 250,00 e Espírito Santo R$ 230,00. Qual a
proposta da Claro para a creche? R$ 280,00. Ou
seja, ela não vai gastar nada e os trabalhadores
vão ficar no prejuízo. Para a maioria dos
empregados, nenhuma correção. Isto é
inaceitável”, afirmou a Fenattel. |