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Lagos: “Que os
acordos saiam do papel e Zelaya seja reconduzido”
Comissão de
Verificação recém-chegada a Tegucigalpa e OEA denunciam as manobras
protelatórias dos golpistas chefiados por Micheletti
“Queremos implementar um acordo que signifique que o presidente Zelaya tem
que voltar ao poder e que as eleições presidenciais devem se realizar de uma
maneira democrática”, afirmou o ex-presidente chileno Ricardo Lagos, que
lidera a Comissão de Verificação dos acordos para solucionar a crise
política de Honduras, no início de seu trabalho na terça-feira passada em
Tegucigalpa. “Es-tamos aqui para verificar que os acordos saiam do papel e
para restaurar as instituições democráticas ao estado em que se encontravam
antes de 28 de junho, no momento em que Zelaya foi removido de seu cargo”,
acrescentou, acompanhado pela secretária de Trabalho dos Estados Unidos,
Hilda Solís.
PRERROGATIVA
A Comissão que tem, segundo o texto firmado, a prerrogativa de fazer a
interpretação autêntica do acordo, é formada por Lagos e por Hilda Solís,
como representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA); por Jorge
Reina, indicado por Zelaya; e Arturo Corrales, em nome de Micheletti.
Pelo terceiro dia consecutivo, a Frente Nacional Contra o Golpe de Estado se
manifestou ontem frente ao Palácio Legislativo para exigir aos deputados,
especialmente aos 55 da bancada do Partido Nacional e aos do Partido Liberal
que não têm um vínculo estreito com a ditadura, a restituição do presidente
legítimo.
“Se não há restituição, não haverá eleição” foi uma das consignas mais
entoadas pelos milhares de manifestantes, liderados por Juan Barahona.
“Vamos permanecer aqui exercendo pressão sobre os legisladores, e deixando
claro aos golpistas e ao mundo que não podem e não vão empurrar com a
barriga a solução de um conflito que deixa todo nosso povo na incerteza, na
falta de trabalho, no ostracismo”, sublinhou o sindicalista.
Nessa situação, francamente desfavorável aos golpistas, ficam mais decoladas
da realidade as declarações da porta-voz da ditadura, Vilma Morales, que, na
quarta-feira disse que o governo de união pode ser instalado na
quinta-feira, dia 5, e que “a titularidade do Executivo seguiria como está,
seguiria sendo do presidente Micheletti, até que se decida o ponto 5”,
referindo-se ao item do acordo que define que caberá ao Congresso definir a
recondução de Zelaya.
MOMENTO
“Há um momento no qual é possível evitar o salto ao precipício”, tinha
advertido o ex-presidente chileno no dia anterior, depois que a Mesa do
Congresso Nacional hondurenho decidiu consultar a Suprema Corte de Justiça (CSJ),
o Ministério Público e a Procuradoria Geral (por pouco não pediram a opinião
do síndico do prédio de Mi-cheletti) sobre a restituição do presidente,
antes de votar a medida. Tudo com o objetivo evidente de atrasar o processo,
empurrar o golpe com a barriga, mas comprometendo totalmente as eleições
programadas para 29 de novembro. A comunidade internacional deixou claro que
não as reconhece caso realizadas sem a volta de Zelaya.
“Nós no Chile, muitos anos atrás, não fomos capazes disso. Tivemos depois
uma muito longa noite que só conseguimos remontar quando nos reencontramos
todos os democratas para dizer não à ditadura”, lembrou.
Solís, afirmou que aquilo que ocorre em Honduras pode ter implicações
regionais. “Queremos fazer mais ágil este processo para que se possa chegar
a um governo de unidade em 5 de novembro, reconhecido pos todos”.
Zelaya assinalou que é uma “ofensa e agressão” a proposta de formar um
governo sem antes definir sua restituição ao poder —caráter considerado
central nas negociações.
Para Víctor Meza, chefe da equipe negociadora de Zelaya, “esta proposta
supõe uma violação do espírito do pactado ao querer impor os nomes do
governo e é toda uma provocação para a Comissão de Verificação que chegou ao
país”, frisou.
SUSANA SANTOS
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