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Governo de Israel quer escravizar imigrantes
e encerrá-los em campos de concentração
A “Rádio das Forças Armadas” de Israel informou que o governo está “considerando
criar campos de trabalho para imigrantes ilegais no sul do país”.
Para quem não sabe, “sul do país” quer dizer o deserto do Neguev. “Os imigrantes
receberiam abrigo, alimento e tratamento médico”, informou a Rádio, “em troca,
fariam trabalho manual fora dos campos, mas não receberiam salário”.
Muito inteligente, realmente, nada de criar planos para absorção dos imigrantes
ou mesmo deportá-los ou criar planos para sua absorção, porque não utilizar essa
mão de obra como trabalho escravo? Na Alemanha chamavam isso de campo de
concentração. Aliás, os nazistas colocaram na entrada do de Aushwitz os
conhecidos dizeres: “O trabaho liberta”. Agora, o governo de Israel quer a
chance de “libertar” os imigrantes que lá aportarem.
Diz ainda a rádio que o dinheiro dos salários iria para o Estado para “financiar
os campos”. Que achado!
Além disso, a exemplo dos tempos da escravidão, os filhos seriam separados dos
pais. O plano dos campos de concentração corre em paralelo com outro de
deportação de 1.200 crianças filhas dos imigrantes. O projeto está sendo
denunciado por organizações de direitos humanos israelenses.
O ministro do Interior Eli Yishai (do partido religioso judaico Shas),
“esclarece” que manter os filhos de imigrantes em Israel estimularia a vinda de
outras “centenas de milhares deles”.
Para Yishai estes imigrantes “trariam um leque de doenças tais como hepatite,
tuberculose e AIDS”.
“Nós decaímos tanto que é assustador”, afirmou o deputado pelo partido Hadash
(anteriormente Partido Comunista de Israel). “Isso mostra que não se aprendeu
nada em um país supostamente construído por refugiados para receber os
refugiados da guerra”, acrescentou.
Segundo um funcionário do governo encarregado dos imigrantes, Sigal Rosen, a
idéia surgiu depois que ofereceram a alguns kibutzim (plural de kibutz) grupos
de imigrantes vindos do Sudão. “Eles tinham dito que precisavam muito de
trabalhadores, mas depois de informados que teriam de pagar um salário mínimo a
estes, conforme manda a lei, sem poder fazer nenhuma dedução no valor dos
salários, rejeitaram a oferta de funcionários”.
Itay Epstein diretor da Anistia Internacional em Israel indignou-se: “esta idéia
maluca de abrigar imigrantes em campos de trabalho no deserto pela força é
contrária a todas as leis e tratados internacionais”.
“Por estas leis o direito à vida digna, ao trabalho e ao salário pertence a
todos. Essas pessoas não deveriam se tornar empregados pela força enquanto
tiraríamos proveito de sua miserável condição”, acrescentou Epstein. |