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Governo argentino eleva taxas de importação
para proteger indústria local de eletrônicos
O Senado da Argentina aprovou na última semana de outubro o Projeto de Lei
que estabelece novos impostos para produtos eletrônicos que não são
fabricados no país. Apresentado pela presidente Cristina Kirchner, o Projeto
eleva de 10,5% para 21% a carga tributária sobre as importações de
equipamentos como celulares, GPS, TVs, DVDs, máquinas fotográficas, entre
outros.
A ministra de Indústria e Turismo, Débora Giorgi, afirmou que a política de
incentivar a produção de equipamentos eletrônicos no país não deve ser
entendida como um “impostaço”, com o objetivo do governo fazer caixa,
lesando os consumidores – acusação de várias multinacionais com sede no
Brasil e no México, principalmente-, mas que visa “um renascer tecnológico
para o setor”.
“Dizem que com a Lei não só vai aumentar o preço dos produtos e ampliar a
brecha digital em nosso país. Não é verdade, vamos é reduzir a brecha
digital, pois hoje pagamos os celulares mais caros do mundo. Qual é o
mistério para produzir aqui esses aparelhos, se a Argentina tem um avanço
científico reconhecido até em áreas sofisticadas como a nuclear?”, declarou.
“A Argentina está importando produtos tecnológicos por 2 bilhões e meio de
dólares, e o conjunto total de eletrodomésticos, chega aos 6 bilhões de
dólares. A aprovação da Lei implica em menos recursos saindo do país, mais
independência econômica e mais empregos para os argentinos”, destacou
Cris-tina Kirchner.
Mesmo que o projeto apresentado não estabeleça uma clara diferença entre as
empresas compro-vadamente nacionais e os monopólios estrangeiros
estabelecidos no país, os fabricantes multinacionais de produtos eletrônicos
que exportam para Buenos Aires promoveram um intenso lobby contra os
impostos. “O governo deu um passo à frente com essa Lei, mais ainda devemos
avançar mais. Não podemos só nos contentar com produzir produtos eletrônicos
aqui. Temos que industrializar o país, não precisamos de multinacionais que
sugam nossos recursos. Temos técnicos, cientistas, trabalhadores
experientes, capazes, podemos retomar o exemplo plantado pelo presidente
Perón que substituiu importações, e organizou um país auto-suficiente”,
assinalou Hugo Moyano, presidente da CGT Argentina. |