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Funcionários da Vale no Canadá sustentam greve há 5 meses em defesa dos
direitos
Cerca de
3,5 mil trabalhadores, dos 4,6 mil funcionários da Vale no Canadá permanecem
em greve desde o dia 13 de julho. Os operários, das minas e refinarias da
cidade de Sudbury, lutam contra mais de 200 demissões e a tentativa da Vale
de alterar benefícios e aposentadorias garantidas aos trabalhadores no país.
Após
comprar mais de 75% da mineradora de níquel Inco em 2006, a Vale anunciou,
neste ano, o desejo de mudar o sistema canadense de participação nos lucros,
que garante aos metalúrgicos um bônus de acordo com o preço do níquel.
Desde a
aquisição da Inco, os trabalhadores receberam US$ 178 milhões em bônus sobre
os lucros de US$ 4,1 bilhões obtidos pela Vale no Canadá, segundo cálculos
do sindicato USW.
“A empresa
quer se aproveitar da crise para extrair concessões e destruir o padrão de
vida que conquistamos ao longo dos anos”, afirmou Myles Sullivan, membro do
United Steel Worker (USW 6500), que representa os trabalhadores da Vale-Inco.
Durante o
anuncio dos resultados do terceiro trimestre, a empresa informou que a
paralisação custou até agora 209 milhões de dólares em despesas. A produção
de níquel representa 14% do faturamento da Vale no trimestre.
Em uma
manifestação em Sudbury, o presidente regional do USW, John Fera,
responsabilizou o presidente da Vale, Roger Agnelli, pela tentativa de
destruição dos direitos trabalhistas. “Aguentem firme, nós vamos pegá-los”,
afirmou.
Os
operários também discordam dos planos da Vale de terceirizar parte da
produção da empresa. Questionam ainda a demissão de 250 trabalhadores e o
direito ao seniority – aumento de benefícios proporcionais ao tempo de
trabalho.
A Vale já
anunciou que pretende cortar 900 postos de trabalho no mundo, sendo quase a
metade deles no Canadá.
Os
trabalhadores denunciam ainda que a Vale pretende alterar a forma de
aposentadoria dos empregados. A empresa mantém uma dívida de US$ 725 milhões
com os trabalhadores canadenses.
Eles
reafirmaram sua vontade de defender os seus direitos e relembra-ram uma
vitoriosa greve nas minas da Inco em Sudbury durante a década de 70 que
durou nove meses.
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