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Notícias relevantes-2
Continuação da edição anterior
FIDEL CASTRO
Nossos cidadãos devem ter presente que as vacinas contra determinados vírus são
mais difíceis devido às mutações genéticas dos mesmos, como os associados à
gripe AH1N1 e outros.
Os países mais desenvolvidos e ricos possuem laboratórios bastante sofisticados
e custosos. Cuba, apesar do subdesenvolvimento e do bloqueio ianque, foi capaz
de criar alguns laboratórios para a produção de vacinas e medicamentos.
A nível internacional tem surgido um lógico medo com a mencionada gripe, por sua
capacidade de disseminação e seus efeitos em determinadas pessoas mais
vulneráveis. Além dos aspectos relacionados com a cooperação internacional de
nossos médicos — que têm feito com que Cuba ganhe grande autoridade e prestígio
—, desejava juntamente com a Diretora Geral da OMS fazer uma análise do tema da
epidemia AH1N1. Ela reiterou-me que a dificuldade com as vacinas é devido a que
os laboratórios capazes de produzi-las na Europa, nos Estados Unidos e no Canadá
estão a obter muito menos volume de vacinas do que as necessárias; que a demanda
nos países desenvolvidos era grande e as primeiras vacinas disponíveis para os
outros países não estariam prontas até finalizar o ano, e seus preços tendem a
aumentar consideravelmente. Entre os países que devem ser priorizados ela
incluiu Cuba por sua cooperação internacional e sua capacidade de aplicar logo
as vacinas a pessoas priorizadas através de sua rede hospitalar.
A doutora Chan sabe que, onde quer que estejam os médicos cubanos cooperarão na
rápida aplicação das vacinas.
São notícias logicamente positivas para nosso povo. Apesar disso, devemos ter
presente determinadas circunstâncias.
As primeiras vacinas tardarão várias semanas em chegar, ou quem sabe dois ou
três meses.
Para a OMS sua maior inquietação é que a capacidade mutante do vírus da epidemia
ultrapasse rapidamente o efeito das vacinas e seja necessário iniciar novamente
a busca de outra vacina eficaz. Isso, segundo a minha opinião, determina a
importância de uma rede adequada de serviços médicos como a que existe em nosso
país, e a orientação sistemática de uma população que possui altos níveis de
educação para que coopere com as medidas pertinentes.
A carência de serviços médicos adequados em muitos países, incluídos os Estados
Unidos, onde quase 50 milhões de pessoas não recebem atendimento médico, eleva
consideravelmente o número de possíveis vítimas. Nesse país foi declarada a
Emergência Sanitária. Há dois dias escutava a notícia de que nos Estados Unidos,
de novembro até março a Gripe AH1N1 poderia causar a morte de 90 mil pessoas,
visto que os meses de frio favorecem o desenvolvimento da epidemia. Oxalá esses
cálculos resultem equivocados e o dano seja menor. Com uma população que
ultrapassa pelo menos 27 vezes a população de Cuba, seria equivalente a mais de
3 mil falecidos em nosso país, e a muitos milhões de pessoas no mundo, apesar
dos avanços da ciência.
Os sintomas iniciais da AH1N1 surgiram no México desde o primeiro trimestre do
presente ano e quase, simultaneamente nos Estados Unidos e no Canadá. Daí passou
para a Espanha, um dos primeiros países da Europa onde se estendeu a epidemia.
Quando o atual presidente dos Estados Unidos levantou as restrições aos
cubano-americanos para as viagens a Cuba, em grande número de Estados dessa
nação já a epidemia tinha-se expandido. Desta forma resultou que os quatro
países que mais geram turismo ou viagens a nosso país por outras causas, eram
aqueles nos quais, em maior grau, estendeu-se a epidemia pelo mundo.
Os primeiros casos portadores do vírus foram viajantes vindos do estrangeiro. As
pessoas contagiadas em nosso país eram relativamente poucas, durante meses não
houve um só falecimento. Mas na medida em que o vírus foi se estendendo por
todas as províncias, principalmente naquelas com maior número de familiares
residentes nos Estados Unidos, foi necessário adquirir novos equipamentos para
fazer análises para o Instituto de Medicina Tropical “Pedro Kourí”, e
multiplicar o esforço ao mesmo tempo em que se lutava contra o dengue.
Foi assim que se produziu o estranho caso em que os Estados Unidos, por um lado,
autorizou as viagens do maior número de pessoas portadoras do vírus e, por
outro, proíbe a aquisição de equipamentos e medicamentos para combater a
epidemia. Logicamente não penso que foi essa a intenção do governo dos Estados
Unidos, porém é a realidade que resulta do absurdo e vergonhoso bloqueio imposto
a nosso povo.
Com os equipamentos de outras procedências estamos em condições de conhecer, com
absoluta precisão, o total de afetados pela epidemia e o número de pessoas cuja
morte esteja relacionada com a presença do vírus que a origina.
Felizmente, além dos serviços e do pessoal médico bem capacitado de nosso país,
no mercado internacional existe um medicamento antiviral eficaz, especialmente
se é aplicado às pessoas com inconfundíveis sintomas de serem possíveis
portadoras do vírus e àquelas das quais recebem atendimento direto.
Dispomos desse antiviral e também da matéria-prima necessária para continuar
produzindo uma cifra similar à disponível, e para contar com as doses
indispensáveis realizar-se-á todo o esforço necessário.
Embora em muitos países, devido à ausência de redes de serviço e de pessoal
médico, não se ofereça aos organismos internacionais a informação relativa à
epidemia, conhecemos o firme propósito de nosso governo de comunicar com toda
precisão, a esses organismos, o número de casos e as mortes associadas à
epidemia, como sempre temos feito com os dados referentes à saúde pública de
Cuba.
Nosso país, por seu lado, conta afortunadamente com uma rede de serviços de
saúde; a possibilidade de oferecer atendimento imediato às pessoas afetadas é
real, e dispõe do número suficiente e da qualidade de seus médicos, muitos dos
quais têm cumprido honrosas e inesquecíveis missões internacionalistas.
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