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Hubner propõe alteração nos contratos
das distribuidoras de energia elétrica
A
Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) abriu audiência pública no dia
6, que vai se estender até o dia 27, para que seja debatida a metodologia do
cálculo de reajuste das tarifas de energia. Segundo o Tribunal de Contas da
União (TCU), um erro na atual metodologia está lesando os consumidores e
transferindo anualmente R$ 1 bilhão para os cofres das distribuidoras desde
2002, totalizando um volume de R$ 7 bilhões que precisam ser ressarcidos.
“Nosso entendimento é que estamos corrigindo uma distorção numa metodologia
que está colocada no contrato de concessão e numa portaria interministerial.
Essa alteração nos permite corrigir todos os nossos reajustes tarifários
daqui para frente, dando o peso adequado ao que chamamos de custos
gerenciáveis e não gerenciáveis pelas distribuidoras”, disse Nelson Hubner,
diretor-geral da Aneel.
A possibilidade de aprimorar as regras contratuais havia sido avaliada pela
Aneel em fevereiro de 2008. Entretanto, naquela época, não houve acordo
entre a agência e as distribuidoras para alteração dos contratos. Em
novembro do ano passado, a agência solicitou ao Ministério de Minas e
Energia (MME) alteração da Portaria Interministerial nº25/2002, o que
permitiria mudar a metodologia do cálculo de tarifas.
Segundo nota da Aneel, “como não existe consenso entre os ministérios de
Minas e Energia e Fazenda quanto à possibilidade de alteração da portaria e
pelas recentes manifestações públicas, por parte das empresas, favoráveis ao
aditamento dos contratos, a Aneel decidiu propor mudanças contratuais”.
"Hoje temos espaço político para chamar as distribuidoras e modificar via
alteração dos contratos", avaliou Nelson Hubner.
Sobre o ressarcimento dos consumidores, defendido pela CPI das Tarifas de
Energia Elétrica e entidades de defesa do consumidor, Hubner disse que vai
calcular todos os valores e chamar as distribuidores para fazer um acordo. O
ressarcimento seria por meio de reduções de índices tarifários futuros.
Devolução de dinheiro é praticamente impossível, avalia a agência que terá
um prazo de 30 dias para fazer o cálculo e discutir sobre o ressarcimento.
O ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, pediu em Salvador para a
população confiar no governo para solucionar a questão da cobrança indevida
de tarifas de energia elétrica. “Junto com a Aneel, estamos estudando a
situação com todo o cuidado, vendo se há, de fato, problemas, como tudo
indica que há”, disse Lobão. “No que se verificar que o consumidor foi
prejudicado, ele deve ter uma solução daqui para frente, ficando o passado
para ser mais bem examinado, mas com rapidez”, acrescentou.
CPI
O presidente da CPI da Tarifas de Energia Elétrica da Câmara, deputado
Eduardo da Fonte (PP-PE), informou que a CPI irá acompanhar de perto o
trabalho da Aneel durante esses 30 dias, quando será produzido um estudo
para mostrar “quanto os consumidores têm de crédito nas 63 distribuidoras do
Brasil”. “Para o pai e mãe de família não importa se esse valor será de um
ou dois centavos, o importante é que o direito do consumidor seja
preservado”, disse da Fonte.
O parlamentar afirmou que a CPI vai procurar uma forma de compensar os
consumidores. “O problema pode ser resolvido numa compensação nas contas
futuras dos consumidores, que poderão pagar um valor a menos nas contas de
luz”, disse.
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