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Telefónica adia venda da chamada “banda
popular”
A Telefónica
adiou o início da venda do chamado programa “banda larga popular” que havia
marcado para o dia 9. Sem explicar o motivo, limitou-se a divulgar uma nota
genérica: “A Telefônica prossegue trabalhando para viabilizar, no menor prazo
possível, o lançamento do produto com as características estabelecidas pelo
decreto 54.921 do Governo do Estado de São Paulo que cria a Banda Larga Popular.
A empresa espera concluir em breve as atividades adicionais necessárias para
iniciar a comercialização do produto”.
Através do
referido decreto, em 15 de outubro, o governo de São Paulo lançou um programa de
banda lerda, com conexões de 200 Kbps até 1 Mbps – velocidade inferior à que a
União Internacional de Telecomunicações (UIT) define como a banda larga -, a um
preço de R$ 29,80 mensais. Para isso, concedeu isenção de 25% de ICMS cobrados
do setor.
Após informar
que tinha aderido ao programa do governador José Serra, a Telefónica anunciou
que iria disponibilizar a “banda larga popular” com a condição de que o usuário
também adquirisse assinatura de telefone fixo, de cerca de R$ 40 mensais,
constituindo-se em venda casada, a qual é vedada pela Lei Geral das
Telecomunicações (LGT) e também pelas regras do Serviço de Comunicação
Multimídia (SCM), que normatizam os serviços de acesso à internet. A operadora
espanhola alegou que em seu entendimento estava atendendo “às características
estabelecidas pelo decreto [54.921]”.
Instituições
como o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e Associação ProTeste
denunciaram a venda casada que a Telefónica pretendia realizar. Para o Idec,
“essa isenção de ICMS para a banda larga é um negócio muito melhor para a
Telefónica do que para os consumidores”.
“O decreto
fere a LGT, além de aceitar que a concessionária preste Serviço de Valor
Adicionado, fere ainda a resolução do SCM, onde é expresso que a prestadora é
vedada de condicionar uma oferta à aquisição de outro serviço. Para a ProTeste,
o decreto é ilegal”, ressaltou a coordenadora da Frente dos Consumidores de
Telecomunicações e consultora da associação ProTeste, Flávia Lefèvre Guimarães.
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