Serra quer Brasil fazendo o que os países ricos
não aceitam fazer
O governador de São Paulo, José Serra,
alinhou-se com a proposta dos países ricos que
exigem que os países emergentes arquem com um
peso maior na redução de emissão de poluentes na
Conferência sobre Mudanças Climáticas, que
acontecerá em dezembro em Copenhagen, na
Dinamarca.
Isso aconteceu na segunda-feira (9), ao
sancionar uma lei sobre política estadual
climática. Serra disse que o presidente Lula
deve apresentar uma proposta mais “ousada” na
redução de gases poluentes para a Conferência.
“Falta defender uma meta com ousadia”, disse
ele.
Por seu lado, o presidente Lula declarou que o
Brasil vai apresentar uma meta avançada para
Copenhagen, porém advertiu que os países ricos
têm “maior responsabilidade” em assuntos
climáticos, uma vez que vivenciam um processo de
industrialização mais longo. “Esses países
emitiram muito mais gás de efeito estufa do que
os países que estão se desenvolvendo no século
20 e no século 21. Portanto, é importante que os
compromissos sejam de todos, mas que sejam
proporcionais à responsabilidade de cada país”,
disse Lula em seu programa semanal Café com o
Presidente, na segunda-feira (9).
Por serem os maiores poluidores, os países ricos
querem que os emergentes assumam metas maiores
para continuarem poluindo. Os EUA, os maiores
emissores de carbono do mundo, nunca assinaram o
tratado de Kyoto, de 1997, que visava melhorar o
clima no planeta. Com isso, a cobrança de Serra
está sob medida para os países ricos que, além
disso, querem travar o crescimento dos países
menos desenvolvidos.
A lei de Serra, que prevê a emissão de 24
milhões a menos de gás carbônico, no entanto,
não é tão “ousada” como ele apregoa. É o que dá
para perceber na complicada explicação do
governador: “A meta de São Paulo é de redução
absoluta, que não pode ser confundida com metas
de cortes de tendências. Visualmente, a meta do
governo federal pode ser até maior, mas na
prática contempla o próprio crescimento da
emissão de gás carbônico. Uma coisa é a
desaceleração e a outra é a redução em termos
absolutos”. Ainda pesa sobre o governo de Serra
e do PSDB, há 14 anos dirigindo São Paulo, o
fato de que até hoje o Rio Tietê continua
poluído.