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Sindicalista
denuncia que SuperVia está canibalizando malha ferroviária do Rio
A SuperVia está promovendo o sucateamento e a canibalização da malha ferroviária
do Rio de Janeiro, denunciou o presidente do Sindicato dos Ferroviários, Valmir
Lemos, durante entrevista à TV Alerj na última quinta-feira. A falta de
investimento foi constatada pelo deputado estadual Paulo Ramos (PDT), presidente
da Comissão do Trabalho da Assembléia Legislativa do RJ, que esteve nas
instalações da empresa em vistoria, no final do mês passado.
“Tivemos a oportunidade de visitar ramais desativados, de onde são tirados
dormentes, e às vezes trilhos, com o objetivo de complementar nos ramais que
estão em funcionamento”, contou o deputado. “O sindicato tem manifestado
reiteradamente preocupação com a segurança, não só a dos trabalhadores, mas com
a segurança dos usuários”, afirmou.
“Você não tem a segurança de uma sinalização, a rede aérea que não tem materiais
para se fazer uma manutenção, então se faz um remendo. Em todas as 10
subestações foram demitidos todos os trabalhadores. Se tiver uma pane não tem um
operador para fazer a manutenção imediata daquele aparelho. Constantemente você
tem descarrilamento por falta de dormente”, denunciou o sindicalista ferroviário
Valmir Lemos.
No início de outubro, a indignação tomou conta dos passageiros que invadiram as
linhas. De acordo com o deputado, o equipamento que deveria abrir as portas em
caso de emergência, chamado de manipulador, foi retirado das composições. O
trem, lotado, ficou mais de dez minutos parado debaixo do sol perto da estação
de Nilópolis. Quando os passageiros finalmente conseguiram sair, a revolta se
espalhou.
Alguns dias depois da revolta, dois trens, à baixa velocidade, se chocaram
próximo à estação de Japeri. Nesse momento, “a própria empresa admitiu que o
trem vinha em velocidade reduzida e mesmo assim se chocou com outro trem. Só
faltou admitir que houve falta de freio”, disse Lemos.
Na avaliação do deputado Paulo Ramos, tanta incompetência só pode ser “uma coisa
deliberada com o objetivo de chamar a atenção para a SuperVia na disputa por
financiamentos públicos. O objetivo consiste em se utilizar dos acidentes, da
revolta da população, com o objetivo de arrancar investimentos públicos, em
detrimento muitas vezes da tranqüilidade da população”.
Mas, segundo o sindicalista Valmir Lemos, em todos os incidentes e acidentes
acontecidos desde a privatização da malha do Rio, “o que se identificou em cada
investigação de cada acidente e incidente teve um elemento chave de falta de
investimento”.
“Na época da privatização eles disseram que tinham recursos para investir, que
recuperariam a malha ferroviária”, lembrou o deputado. Paulo Ramos informou que
irá “oficiar a Agetrans e a Polícia Civil. Nós queremos informações sobre todos
os acidentes, sobre como as investigações terminaram”. |