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Uniban
recua da expulsão de aluna, mas será investigada
Após uma enxurrada de críticas e protestos de
entidades estudantis e femininas, OAB, parlamentares e governo federal, a
Universidade Bandeirantes (Uniban) recuou na segunda-feira da decisão de
expulsar a estudante Geisy Villa Nova Arruda, de 20 anos, vítima de insultos
e agressões por outros alunos dentro da instituição, na unidade de São
Bernardo do Campo, por usar um vestido curto.
Na tarde da segunda-feira, uma manifestação foi
organizada em frente à universidade pela UNE, Marcha Mundial das Mulheres e
parte dos alunos.
A atitude da universidade foi condenada pela
ministra Nilcéia Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as
Mulheres (SPM) e pelo Ministério da Educação (MEC), que deu dez dias para
que a Uniban explique as razões que levaram a reitoria a decidir pelo
desligamento da estudante. Para a ministra, a atitude da universidade
demonstra “absoluta intolerância e discriminação”. “É um absurdo. Ela passou
de vítima a ré”, declarou. O Ministério Público Federal e Polícia Federal
também instauraram um inquérito civil para o caso.
De acordo com o advogado de Geisy, Nehemias
Melo, a sindicância que culminou com a expulsão da universitária foi típica
“de um tribunal de exceção, nazi-fascita”. Melo considera que a estudante
foi vítima de pelo menos sete crimes no episódio: difamação, injúria,
ameaça, constrangimento, cárcere privado (ela chegou a ser trancada na sala,
segundo os advogados), incitação ao crime, atos obscenos por parte os alunos
que a hostilizaram, além de eventuais ilícitos contra a própria dignidade da
estudante.
Na segunda-feira pela manhã, dois defensores que
representam a jovem estiveram na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São
Bernardo do Campo, onde foi aberto um inquérito para apurar o crime de
injúria. Mesmo com o recuo da universidade na expulsão, o inquérito irá
prosseguir.
“No dia 22/10, quinta-feira (quando ocorreu a
hostilidade), me senti culpada, um lixo. E senti isso justamente porque a
faculdade me colocou naquela situação, de achar que eu era a culpada de toda
aquela manifestação. Na verdade senti muito medo. Fui a vítima da situação”,
declarou Geisy. |