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‘IstoÉ’, o dinheiro do BNDES e a exumação de
defuntos
A “IstoÉ
Dinheiro” dedicou 12 páginas de sua presente edição ao BNDES. A matéria é uma
mistura de alhos com bugalhos – e, o que é pior, com os poucos alhos tendo a
função de travestir os muitos bugalhos.
Pegando uma
carona nos artigos que temos publicado sobre o assunto, “IstoÉ Dinheiro”
menciona os empréstimos que a atual administração tem concedido às
multinacionais – mas apenas como artifício besta para, supostamente, legitimar o
seu verdadeiro foco.
Com exceção de
Carlos Lessa e Delben Leite, os outros ex-presidentes do BNDES entrevistados
pela revista são uma tralha tucano-neoliberal, um magote de almas penadas que
devem ter baixado inadvertidamente em algum centro espírita, apesar da
vigilância dos bravos discípulos de Alan Kardec. São verdadeiras assombrações
asininas, tipo Mendonça de Barros e André Monturinho – aquele para o qual era
vantagem dar estatais até de graça.
Para completar
o rol, entre os de cujus aparece o Armínio Fraga e o Giambiagi – este,
provavelmente, egresso da tumba que divide, na ala dos brancos do cemitério de
Richmond, com o Mainardi, o Cabeção e mais um outro cadáver de que não lembramos
o nome, que o Ali Kamel está despejando para ocupar o lugar.
Em matéria de
cadáver, aliás, a “Istoé Dinheiro” não dispensou nem o Bobby Fields, que tem sua
tentativa de destruir o banco, na época da ditadura, descrita como projeto de
“transformar o BNDES numa espécie de banco de investimentos depois de 1964”.
Se dependesse
desses maus espíritos, o BNDES só financiaria as multinacionais. Aliás, se
pudessem, fechariam o banco e doariam o seu dinheiro para o JP Morgan-Chase.
Portanto, o que eles têm contra a política do sr. Coutinho de destinar a maior
parte do dinheiro do BNDES aos monopólios privados, é que nem todos são
americanos.
A matéria e a
edição de “Istoé Dinheiro” são voltadas contra as empresas nacionais. O resto é
palhaçada ou, talvez, tentativa mal-ajambrada de faturar uns cobres. O que mais
se repete é que o BNDES virou “hospital de empresas” (antes fosse!). Porém, um
dos grandes acertos do BNDES, o financiamento à Bom Gosto – uma das poucas
empresas nacionais de porte que sobraram na área de laticínios – é criticado
porque a empresa foi bem sucedida, “indo de uma receita de R$ 5 milhões para R$
1,5 bilhão”, num setor onde pululam multinacionais.
Para encerrar
a mais interesseira do que interessante matéria, a entrevista com o atual
presidente do BNDES é um besteirol de perguntas crassas e irrelevantes.
Nós aqui não temos nada contra conceder carona a quem necessitar. Mas que os
caronas se comportem – ou que viajem a pé, pois não gostamos de más companhias.
C.L. |