|
Associação
Comercial de SP pede veto a despejo sumário
Em carta ao
presidente Lula, ACSP destaca “excessiva facilidade de retomada do imóvel”
permitida pela lei que passou no Congresso
A
Associação Comercial de São Paulo (ACSP) pediu, em carta enviada ao presidente
Lula no último domingo (8), o veto a artigos da lei dos despejos sumários que
dão “excessiva facilidade” ao proprietário retomar o imóvel ao final do
contrato. O projeto de lei nº 140/09 passou pelo Congresso em menos de quatro
meses sem discussão com a sociedade e agora aguarda que algum senador peça para
que seja debatido no plenário. Do contrário irá direto para o gabinete do
presidente.
A Confederação
Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) afirmou em nota publicada nesta
quarta-feira (11) que entraria com pedido de recurso junto aos senadores para
discutir as alterações na lei.
De acordo com a CNDL,
a cessão de contrato e a ação renovatória são os principais pontos que precisam
ser revistos antes da sanção presidencial. Para Roque Pellizzaro Júnior,
presidente da entidade, a lei representa “uma ingerência absurda” e “trará
prejuízo a milhões de micro e pequenas empresas”.
Famílias
O projeto de lei
coloca em risco também as milhões de famílias que moram de aluguel no Brasil. A
lei em vigor prevê que a desocupação do imóvel só ocorre em até seis meses após
o trânsito em julgado, com a nova lei esse prazo seria reduzido para apenas 30
dias sendo que em 15 dias todo o débito teria que ser quitado.
Outro ponto que
deixa os inquilinos em geral – tanto familiares quanto comerciais - em situação
de risco é o fato de o proprietário poder não renovar o contrato se receber uma
proposta melhor, abrindo espaço para que as “denúncias vazias” desalojem
famílias que já residem há anos no mesmo local ao mesmo tempo em que
impossibilita o usufruto do “ponto comercial” por parte dos lojistas.
O advogado Mario
Cerveira Filho, que atua há 36 anos no ramo imobiliário, considera que “esse
projeto tem a clara intenção de beneficiar os locadores, sobretudo de
shoppings”. O advogado lembra do abuso de locadores em shoppings centers, que
chegam a cobrar 13º, 14º e até 15º aluguel de seus inquilinos, além de taxas à
parte da mensalidade.
Segundo Cerveira,
“essas mudanças prejudicam demais o lojista de rua, além de tirar o direito de
defesa dos inquilinos”. Cerveira também criticou a inversão de papéis proposta
na nova lei, lembrando que “o processo de despejo é moroso não por culpa da lei,
mas por conta da lentidão do Judiciário”.
Vulnerabilidade
“Estamos analisando
todos os aspectos da lei e vamos, em conjunto com outras entidades, procurar
corrigir os pontos que nos parecem prejudiciais, entre os quais se destaca o da
questão da excessiva facilidade de retomada do imóvel comercial”, diz a carta da
ACSP que pede que “o artigo em questão possa ser revisto para restabelecer o
equilíbrio entre as partes e dar tranquilidade para milhares de pequenos
lojistas, que precisam se concentrar nos preparativos para as vendas do Natal,
para procurar fechar 2009 com um resultado positivo”.
O presidente da ACSP,
Alencar Burti, que assina a carta, sustenta que “esse dispositivo deixa o
comércio em situação de grande vulnerabilidade, pois, terminado o contrato, ele
pode ter que abandonar o local sem que se leve em consideração que, muitas
vezes, foi a sua atuação que criou, ou valorizou o ‘ponto’ onde está instalada a
loja e que uma eventual mudança poderá significar o fim de seu negócio”.
ALEXANDRE SOUZA |