6ª Marcha da Classe Trabalhadora reúne milhares no Congresso Nacional 

Centrais fazem Marcha unificada em defesa da redução da jornada 

Após a manifestação, lideranças sindicais se reuniram com os presidentes da Câmara e do Senado e apresentaram as pautas 

As Centrais Sindicais (CUT, CGTB, Força Sindical, CTB, NCST e UGT) realizaram a maior das mobilizações unitárias desde sua primeira edição em 2004 e reuniram 50 mil trabalhadores em Brasília, na quarta-feira, na 6ª Marcha Nacional da Classe Trabalhadora, que teve como principal reivindicação a redução da jornada para 40 horas semanais.

Sob chuva fina que caiu durante todo o dia na cidade, os trabalhadores se concentram no estádio Mané Garrincha e de lá partiram, em caminhada, até o Congresso Nacional, com faixas, bandeiras e cartazes entoando a palavra de ordem “1, 2, 3, 4, 5, mil, 40 horas já ou paramos o Brasil”.

Os manifestantes exigiram, além da redução da jornada, a aprovação do PL 01/07, que efetiva a política de valorização do salário mínimo; a defesa do pré-sal com o fim dos leilões e a Petrobrás como exploradora única; ratificação das Convenções 151 (pela negociação no serviço público) e 158 (contra as demissões imotivadas) da OIT; não à terceirização com a retirada dos PLS 4302/98 e 4330/04; e a aprovação da PEC 438/01 contra o trabalho escravo.

O presidente da CUT, Artur Henrique, lembrou que as centrais já obtiveram importantes conquistas com a realização das primeiras cinco Marchas, em especial a valorização do salário mínimo. “Mais de 43 milhões de brasileiros vivem com um salário mínimo, sendo 18 milhões de aposentados. Esse povo espera e quer que o Congresso aprove a política de valorização do salário mínimo, que foi fruto da mobilização das centrais, para garantir que a valorização permaneça até 2023, fazendo com que isso não seja uma política apenas do governo Lula, mas também de Estado”, ressaltou Artur.

“Se não for votada as 40 horas neste ano, em 2010 vamos parar fábrica por fábrica até conseguir a redução da jornada”, destacou o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho.

“Foi a maior Marcha de todas. A unidade das centrais sindicais demonstra o amadurecimento da classe trabalhadora do Brasil. Marchamos juntos para conseguir o melhor para a classe operária. A proposta para redução da jornada para 40 horas tem que ser aprovada rapidamente”, enfatizou o presidente da CGTB, Antonio Neto.

Para o presidente da CTB, Wagner Gomes, “foi muito importante essa mobilização para que o projeto que prevê a redução da jornada de 44 para 40 horas seja votado. Mas não podemos nos esquecer da importância em mantermos a unidade do movimento sindical”.

O presidente da UGT, Ricardo Patah, pontuou que “além dos temas que nos são caros, como a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, defenderemos com todo nosso empenho a extinção do fator previdenciário, pois o consideramos um golpe nos interesses dos aposentados e pensionistas que contribuem, enquanto trabalham, e são lesados na hora da aposentadoria”.

O responsável pela relatoria do projeto de redução da jornada, deputado Vicentinho (PT-SP), considerou que “mais importante até do que juntar entidades de posição ideológica distinta é constatar a unidade que existe entre elas, porque o empresariado está dividido sobre a redução. Parte já pratica às 40 horas semanais, outros ainda resistem. Eu tenho certeza que se o projeto for ao plenário da Câmara e do Senado será aprovado”.

A redução da jornada vai gerar dois milhões de novas vagas de trabalho, ajudará na redução dos índices de acidentes de trabalho e permitirá aos trabalhadores maior tempo de lazer e convivência familiar, afirma pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que aponta que no Brasil a jornada de trabalho é uma das maiores do mundo.

Além das centrais, outros representantes dos movimentos sociais como União Nacional dos Estudantes (UNE) e Movimento dos Trabalhadores Sem Terra também participaram da mobilização.

Durante a tarde, os presidentes das seis centrais e lideranças sindicais foram recebidos pelo presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP). O parlamentar recebeu a pauta de reivindicações da 6ª Marcha e prometeu instalar uma comissão formada por deputados e centrais para elaborar uma forma de enviar a PEC com grande possibilidade de aprovação.

Os sindicalistas reivindicaram a definição de uma data para votar as 40 horas. “É uma matéria polêmica, não há duvida. Simplesmente marcar uma data para votação em plenário não dá certo. O que eu quero fazer é sentar com os deputados que representam o grupo contrário à medida e os favoráveis, mais as centrais sindicais, e encontrar um caminho para encaminhar o tema com entendimento entre os líderes partidários”, afirmou Temer.

José Calixto Ramos, presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), ressaltou que os dirigentes sindicais depositam consideração e confiança no presidente da Câmara, e alertou que as centrais também estão empenhadas em “buscar uma solução para a situação dos aposentados do país”.

Os dirigentes também foram recebidos em audiência pelo presidente do Senado, José Sarney, que prometeu colocar a ratificação da Convenção 151 para votação com prioridade na Casa. A 151 já foi ratificada pela Câmara. Os sindicalistas solicitaram que o senador coloque a PEC da redução da jornada em votação assim que chegar ao plenário.


Primeira Página

 

Página 2

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Expediente

Página 3

Projetos do pré-sal estão prontos para ir a plenário

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Amigos fazem arrecadação de fundos para deputada Erundina

Página 4

Associação Comercial de SP pede veto a despejo sumário

Sinhazinha Kátia Abreu quer que o governo federal intervenha no Pará

Frente popular derruba projeto de privatização na Câmara de Belém 

Fernando Ferro: “concessões de mídia têm que ser controladas”

Agradecimentos a Geisy - Eduardo Guimarães

Cartas

Página 5

Centrais fazem Marcha unificada em defesa da redução da jornada

Trabalhadores fazem paralisação contra 137 demissões na Sabesp

Funcionários da Cemig param sexta contra reajuste salarial de 0,60%

Bosch: metalúrgicos entram em greve por aumento real

Funcionários repudiam redução salarial na Claro e arrancam negociação

Vice-reitor da UNIBAN acha que expulsar aluna agredida foi justo

Página 6

México se levanta em defesa da estatal de energia elétrica 

OEA não reconhecerá eleições sem Zelaya 

Para Chávez, é cinismo tachar de agressor quem quer se defender diante de bases americanas na Colômbia 

Criador do AK-47: “Não querem mostrar quem nos dirigiu durante a guerra” 

Página 7

Embaixador americano é contra a escalada das tropas no Afeganistão

Netaniahu é vaiado em encontro da Federação Judaica Americana

Palestinos ocupam Ramallah em memória de Yasser Arafat

Manifestantes palestinos e israelenses se juntam para por abaixo trecho do Muro da Segregação

Anúncio do livro Economia Internacional Contemporânea - Nilson Araújo de Sousa

O muro de Berlim e o cinismo

Representantes da RPDC e Coreia do Sul debatem questões da Península

Página 8

A tecnologia como ideologia (3) 

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