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México se levanta em defesa da estatal de
energia elétrica
Manifestação
contra o fechamento da estatal contou com a participação de dezenas de
milhares de pessoas de 700 sindicatos e organizações sociais
Dezenas de milhares de trabalhadores
convocados pelo Sindicato Mexicano de Eletricitários, SME, tomaram as ruas
centrais da Cidade do México, na quarta-feira, dia 11, em repúdio à
liquidação da empresa estatal de energia Luz e Força do Centro (LFC) e pela
demissão de mais de 44 mil trabalhadores do setor. A enorme manifestação
contou com a participação e o apoio de 700 sindicatos e organizações
sociais, que em encontros prévios em todas as regiões da cidade integraram a
Assembléia Nacional de Resistência Popular.
“Há exatamente um mês que as instalações da
empresa LFC foram tomadas por assalto, com o argumento mentiroso da falta de
eficiência e de gastos excessivos. Os representantes do governo antinacional
de Felipe Calderón atuaram como uns covardes e bandidos, destruindo a
propriedade pública, provocando falta de energia, causando perdas
milionárias e problemas aos moradores da região que a empresa servia”,
afirmou Martín Esparza, secretário-geral do sindicato, assinalando que
“pensaram que iam nos liquidar, porém o México inteiro está se levantando
contra essa agressão. Não poderão acabar com a história do SME, nem com a
sua dignidade”. O Sindicato dos Eletricitários é um dos mais representativos
e combativos do México.
O ato que deu o fecho à marcha foi realizado
no Zócalo, maior espaço público da enorme capital mexicana, onde se
pronunciaram também Andrés López Obrador, líder da oposição, os legisladores
Alejandro Encinas, do Partido Revolucionário Democrático, PRD; Porfirio
Muñoz Ledo, Gerardo Fernández Noroña e Jaime Cárdenas, do Partido do
Trabalho, PT; assim como o reitor da Universidade Autônoma do México, José
Narro Robles, e o dirigente do Sindicato dos Telefônicos, Francisco
Hernández Juarez.
Faixas com os dizeres “Abaixo o decreto que
liquida a LFC”, “Fora Calderón, capacho do império”, “Chega de desemprego e
corrupção”, “Viva o SME”, e “México unido com os eletricitários”, enfeitavam
colunas de milhares de trabalhadores que chegaram ao Zócalo de todos os
pontos da cidade.
O governo deu a ordem de ocupar o edifício de
Luz e Força do Centro, no dia 10 de outubro, de liquidar a empresa e
expulsar de seu trabalho 44 mil operários eletricitários, se apoderando de
todos os prédios e centros de trabalho dos outros quatro estados que
recebiam o serviço da LFC. Ordenou que a força do exército (em alguns
lugares se passando por polícias) permaneça bloqueando as dependências.
Repassou o fornecimento de energia elétrica a outra empresa estatal , a CFE,
criando enormes problemas para a população.
Esparza denunciou que “Calderón aprofundou
até limites insustentáveis a dependência do nosso país aos Estados Unidos,
fazendo todas as tramóias possíveis para criar as condições de privatizar. É
assim com a LFC, e também com os subterfúgios preparados na Petróleos do
México, PEMEX”. Mostrou que, desde o “decreto criminoso do governo, longe de
se ver diminuída a mobilização, a solidariedade que encontramos com milhões
de mexicanos indignados com essa política nos encoraja a realizar uma greve
nacional”.
O líder do Sindicato dos Trabalhadores da
UNAM, Agustín Rodríguez, sublinhou que “a agressão a estatal e aos
companheiros eletricitários levantou a classe operária e a todos os
trabalhadores mexicanos. Não é uma questão setorial, é um ataque aos
direitos de todos nós. Devemos revogar o decreto infame porque a situação da
estatal não foi causada pelos trabalhadores, mas por culpa daqueles que a
administraram e dos governantes dos últimos anos”.
De manhã, milhares de pessoas se manifestaram
frente à sede central de Luz e Força do Centro (LFC) e realizaram uma
ocupação simbólica do lugar. A partir dai, os eletricistas se
espalharam pelas ruas e avenidas principais da capital. |