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Embaixador americano é
contra a
escalada das tropas no Afeganistão
General McChrystal
pediu reforço de 40 mil soldados para evitar “fracasso da missão”.
Embaixador (e general) Einkenberry se opôs e sugeriu força menor, para
adestrar fantoches
A escalada
de tropas dos EUA no Afeganistão, que vem sendo pedida insisten-temente pelo
novo comandante da invasão, general Stanley McChrystal, ao presidente Barack
Obama, recebeu inesperada contestação, segundo o jornal “New York Times”.
Desta vez, do embaixador dos EUA no país, nomeado em janeiro, e
ex-comandante da ocupação, general Karl Eikenberry. Anteriormente, por
denunciar a fraude nas “eleições” sob ocupação havia sido afastado o enviado
especial da ONU, o norte-americano Peter Galbraith.
A posição
de Eikenberry “o pôs em forte oposição” ao atual comandante americano e da
Otan “que pediu mais 40.000 soldados”, assinalou o NYT. Em março, em caráter
de urgência, Obama decidiu enviar 25 mil soldados adicionais, elevando para
68.000 o número de invasores, que, a depender de sua decisão, poderia
ultrapassar os 100.000 no final do ano (um aumento de 60% em um ano).
Enquanto o
Pentágono prepara a escalada, pelas pesquisas feitas pela própria mídia
ocidental verifica-se a concordância entre afegãos e norte-americanos contra
a guerra. 58% dos norte-americanos entrevistados se opõem à guerra do
Afeganistão, revelou pesquisa da CNN. No país da Ásia Central, 82% querem a
retirada dos invasores, de acordo com a BBC.
McCHRYSTAL
Rodeios à
parte, Mc-Chrystal é o homem da “contra-insurgência”, das operações
encobertas, assassinatos e chacinas e, assim, não surpreende que reivindique
a escalada. (Outro tipo de escalada já chegou ao auge: ataques teleguiados
contra civis, bombardeios de residências e mesquitas, chacinas em massa). Em
setembro, ele vazou para o “Washington Post” que “se houvesse falha” em
prover mais tropas, “a missão fracassaria”.
No
“Conselho de Guerra” realizado por videoconferência por Obama nesta
quarta-feira, ele procurou ouvir de Eikenberry esclarecimentos sobre a opção
por um número mais reduzido de reforços, direcionado para treinar as tropas
fantoches, e sobre definições de limites para a retirada. Além dessa opção
entre 10 mil e 15 soldados adicionais-, o conselho analisou mais três: 20
mil; 30 mil; e 40 mil, esta, a preferida de McChrystal. O Czar para o Af-Pak
(Afeganistão e Paquistão), Richard Holbrooke, ex-operador do esquartejamento
da Iugoslávia, também é favorável à escalada, assim como o secretário do
Pentágono Robert Gates e o general David Paetrus.
Como, além
de questionar a escalada, Eikenberry também reclamou da “falta de
confiabilidade” e da corrupção do “governo” Karzai, é de supor que ele
continue na frigideira. Mas Karzai só está lá porque os marines – e a
petroleira Unocal, agora Chevron - o levaram para o palácio. Junto também
veio o irmão, tido como o maior, ou um dos maiores narcotraficantes do país,
além de agente da CIA. Aliás, desde o tempo da sabotagem ao governo popular
que por quase duas décadas transformou a face do país, que a base social dos
EUA no Afeganistão é composta pelos ladrões, vendidos, latifundiários e
barões do ópio.
O avanço
da guerrilha e o fracasso da farsa eleitoral - com o dobro da abstenção da
eleição anterior, 1,5 milhão de votos falsos e cancelamento do segundo turno
-, são duas faces da mesma moeda. A situação da ocupação é cada vez mais
precária, com a guerrilha se estendendo em mais e mais áreas, golpeando
seguidamente na capital Cabul e alcançando o norte. A tropa italiana até
recorreu ao expediente de pagar um “imposto revolucionário” para não ser
importunada. Ainda segundo parecer de Eikenberry, de agosto, “a rejeição ao
governo afegão já é tão acentuada que ‘grupos chaves’ estão apoiando o
Talibã como a única alternativa viável ao governo que eles vêem como
abusivo”. Não surpreende que o general invasor só veja a rejeição ao seu
fantoche... Mas o fenômeno é expressão da rejeição extremada aos invasores
estrangeiros: afinal, durante o período em que esteve no poder o Talibã
assassinou o presidente Najibulah, retrocedeu em séculos os direitos das
mulheres conquistados na revolução popular e revelou um enorme fanatismo.
Mas, diante de invasores tão iníquos, assassinos e desrespeitadores de tudo
o que há de afegão, o Talibã, por seus laços com o país, vem sendo
instrumento da expulsão dessa escória.
DESAGREGAÇÃO
Em outra
manifestação de desagregação da força invasora, em setembro o representante
civil do governo dos EUA na província de Zabul, e ex-marine, Matthew Hoh,
renunciou ao cargo, por, como assinalou, ter perdido, no curso de cinco
meses de serviço no Afeganistão, “a compreensão e a confiança nos propósitos
estratégicos da presença dos EUA” no país invadido. “A insurgência pashtun”
– ele advertiu, “é alimentada pelo que é percebido pelo povo pashtun como um
contínuo e sustentado assalto, através dos séculos, à terra, cultura,
tradições e religião pashtun, por inimigos internos e externos. Tenho
observado que o grosso da insurgência não luta pela bandeira branca do
Talibã, mas contra a presença de soldados estrangeiros e taxas impostas por
um governo não-representativo de Cabul”. A bem da verdade, a insurreição já
está por toda a parte.
ANTONIO PIMENTA |