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Para ministro, o Estado deve garantir
acesso à informação e conhecimento à toda população
NA
Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) realizou na segunda-feira (16), na
sede do Ipea, o seminário “Alternativas para o desenvolvimento da
infraestrutura e do acesso em banda larga”. O ministro-chefe da SAE, Samuel
Pinheiro Guimarães, destacou que “a informação e a transmissão das
informações são essenciais para a maior eficiência e para a maior qualidade
das atividades econômicas e sociais, das empresas e do Estado”.
O evento
contou com a presença do coordenador dos programas de inclusão digital da
Presidência da República, César Alvarez, que apresentou os princípios que
orientam o Plano Nacional de Banda Larga que será apresentado ao presidente
Lula na próxima terça-feira, 24.
“O
objetivo maior do Plano é massificar o serviço de banda larga para cidadãos
e empresas, governos e entidades da sociedade civil, independentemente da
localização geográfica, com qualidade satisfatória e preço acessível, de
forma a estimular o desenvolvimento socioeconômico, ampliar as oportunidades
e promover a inclusão de cidadãos, hoje à margem das tecnologias”, afirmou
Alvarez.
Segundo
Alvarez, as diretrizes do programa trarão propostas de nacionalização e
adensamento da cadeia produtiva e deverão “articular e harmonizar o conjunto
de instrumentos legais, políticos, normativos e federativos à nossa
disposição para, em conjunto com as iniciativas das empresas da área,
construir este sistema da melhor forma e no menor prazo possível”.
O ministro
Samuel Pinheiro ressaltou o baixo investimento em pesquisa tecnológica no
Brasil e destacou a importância do processo de redução dos custos “para
permitir que uma grande maioria da população, que tem um nível de renda
baixo, tenha acesso à informação, ao conhecimento”. “O desenvolvimento da
banda larga permite um aumento da qualidade da transmissão dos dados e novas
aplicações dessa tecnologia em diversos setores da sociedade, como os
programas sociais, na educação, na saúde”, disse o ministro.
“Qual será
o papel do Estado, além de regulador? Que tipo de ação direta do Estado”?,
questionou o ministro. “Se houver algum tipo auxílio, algum tipo de
incentivo ao setor privado, qual a dimensão desse auxílio? “Certamente”,
enfatizou, “é um dever do Estado, assim como é garantir o acesso a
saneamento, assegurar que a sua população tenha acesso à informação”, disse
o ministro.
César
Alvarez disse que será utilizada a rede de mais de 21 km de fibra ótica das
estatais: “Não é possível que ainda se mantenha uma visão anacrônica e
ideologicamente preconceituosa de que o governo não possa fazer uso de seus
ativos em fibras óticas”. Sobre a gestão da rede ficar a cargo da Telebrás,
o coordenador disse que os estudos estão bastante avançados, mas ainda não
está definido.
Alvarez
frisou que a questão tributária (Fistel e PIS/Cofins) não pode ser tratada
como o problema que torna a banda larga brasileira “cara, lenta e
concentrada”. A banda larga no Brasil, acrescentou, ainda é para poucos. Dos
5,3% da população que têm acesso ao serviço, 40% estão no Estado de São
Paulo. Somando os estados do sul e sudeste, o percentual é 80%. “Estamos
dispostos a discutir a questão tributária mas, em contrapartida, o que vai
ganhar a população brasileira?”, declarou.
Alvarez
informou que o Fundo de Universalização das Telecomunicações (Fust),
destinado à telefonia fixa, será usado para massificar a banda larga no
país, conforme decisão do presidente Lula. Há, inclusive, o compromisso do
Ministério do Planejamento de liberar em 2010 os recursos arrecadados este
ano, sendo necessária a aprovação no Congresso Nacional do projeto de lei
que muda as finalidades de aplicação dos recursos do Fust.
Perguntado
sobre o papel das teles, o coordenador do programa disse que “não tem
conversado com elas” e até “cancelou reunião com alguns operadores”. Segundo
Alvarez, “vamos sentar na mesa e ver o posicionamento delas”. Alvarez disse
que não cabe ao governo apresentar o programa das teles. “Elas é que têm que
definir o papel delas”.
No dia 10,
após reunião com as teles, o ministro das Comunicações, Hélio Costa,
apresentou a pauta dos monopólios privados para a banda larga nacional: não
pagar impostos, uso do Fust e a utilização gratuita da rede pública de fibra
ótica.
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