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Requião: “seria uma honra ser candidato do PMDB”
O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB),
afirmou que se o PMDB optar pela candidatura própria e o lançar candidato “seria
uma honra”. “Já postulei a indicação duas vezes [2002 e 2006] e fui derrotado
nas duas ocasiões, pois o PMDB preferiu apoiar outras candidaturas. Mas esse
debate interno não me torna diferente”, disse.
“Quero deixar claro que sou e continuo lulista.
Acho que o governo Lula trouxe avanços inegáveis na área social. Distribuiu
renda, reduziu as desigualdades. Mas fez uma aliança com o grande capital. O
Brasil passou a ser administrado de forma objetiva pelo Banco Central. Não há
ninguém capaz, com esta estrutura, de formular e aplicar um plano de
desenvolvimento, uma política trabalhista, um programa agrícola. Continuamos
subordinados ao Consenso de Washington, mesmo neste momento em que o mundo
assiste à falência do neoliberalismo”, analisou o governador em entrevista para
a revista CartaCapital da semana passada.
O governador paranaense criticou o
pré-compromisso fechado entre a direção do PMDB e o PT para apoiar a ministra
Dilma Rousseff. “As pessoas podem jantar juntas, se reunir. Mas, no caso, os
representantes do PMDB tinham apenas o direito de escolher a sobremesa, no
máximo. Não podiam submeter o partido a um compromisso não discutido
internamente. Veja, não sou contra um acordo com o PT, apesar do comportamento
deles aqui no Paraná. É um acerto que só tem um objetivo aqui, abrir uma vaga
para o Senado a um nome do PT”, assinalou Requião, referindo-se ao apoio que o
PT do Paraná quer dar ao senador Osmar Dias, do PDT, adversário do governador.
Segundo Requião, caso a proposta de candidatura
própria do PMDB não vingue, “a maior parte dos diretórios estaduais [do PMDB]
irá com a ministra Dilma”. Mas ele ressalva que “da parte das bases do partido
não há dúvidas ou divisões: a opção é pela candidatura própria”.
Questionado sobre o que uma candidatura do PMDB
poderia oferecer de diferente no cenário polarizado entre PT e PMDB, Requião
respondeu: “Um projeto de país”.
“Um candidato do PMDB faria a diferença ao
apresentar proposta de um projeto nacional, desvinculado dos interesses do
capital financeiro, das grandes corporações transnacionais, desse capitalismo
pantagruélico, devorador de vidas, de energia, de sonhos, de dignidade. Se vejo
no meio da tal polarização PT-PSDB o Henrique Meirelles e toda aquela gente do
Banco Central, não percebo qualquer divergência. Ao contrário, vejo um traço de
união. Estabilidade, preservar os fundamentos macroeconômicos... que os
diferencia? Onde a polarização? São notáveis os avanços que o presidente Lula
impulsionou. No entanto, não podemos ficar presos ao papel de produtores de
grãos e minérios para a exportação”, comentou o governador.
“Chegou a hora da construção de um projeto
nacional que consolide a inclusão de milhões de brasileiros que o presidente
Lula trouxe à mesa. Do contrário, logo, logo estarão de novo disputando restos”.
Na opinião do governador, depois de “500 anos,
os pobres aproximaram-se da mesa e eles querem enxotá-los. Para que essa
conquista se consolide e não haja retrocesso, temos de avançar com um projeto de
nação, desvinculado dos interesses do mercado financeiro, do grande capital.
Precisamos entender que o nosso destino se opõe, diverge em essência da
globalização neoliberal. Precisamos entender que as políticas sociais hoje
vigentes têm vida curta, um voo de galinha, sem mudanças estruturais que
redirecione o país”.
Ao ser perguntado se isso seria “um programa
pós-Lula”, como diz o governador de Minas, Aécio Neves, Requião rechaçou essa
perspectiva respondendo que “não”. “Essa ideia do pós-Lula é um disfarce do
antilulismo. O que os tucanos querem é voltar ao que havia antes: a
predominância do Banco Central sem as políticas sociais”, sublinhou.
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