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Lei do despejo
sumário chega à Casa Civil para receber vetos
O projeto de lei nº
140/09, que altera a Lei do Inquilinato, está na mão do presidente Lula e deve
ter pelo menos quatro vetos, segundo a Agencia Brasil. O projeto passou pelo
Congresso em apenas poucos meses, sem debate entre os parlamentares e permite o
despejo sumário de famílias e comerciantes em apenas 15 dias.
A Associação
Comercial de São Paulo (ACSP) enviou carta ao presidente pedindo vetos e a
Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) fez campanha contra os
abusos da proposta. De acordo com a reportagem, entre os vetos estariam os
parágrafos 3º do Artigo 13 e 3º do Artigo 52, além de todos os parágrafos do
Artigo 74 e o 75.
Entre os
dispositivos que poderão ser vetados está o que se refere ao “ponto comercial”,
tradição que permite aos comerciantes receberem por sua atuação em valorizar o
imóvel dos quais são inquilinos. A mudança proposta no terceiro parágrafo do 52º
artigo dá ao locador (proprietário) o direito de não renovar o aluguel do
comerciante se receber proposta melhor de um concorrente. Esta foi uma das
principais críticas da ACSP e da CNDL.
Mas, do ponto de
vista do morador, os artigos mais insensíveis são o 74 e o 75, que permitem o
despejo sumário. Segundo o projeto, ao invés dos seis meses para desocupação,
hoje previstos na lei 8.245/91, em caso da não renovação do contrato por
proposta melhor de terceiro, o inquilino teria apenas 30 dias – com permissão
extra para o juiz conceder uma liminar reduzindo este prazo para 15 dias.
E ainda, não só o
inquilino teria que deixar sua casa ou ponto comercial em duas semanas, como o
direito a indenização – garantido na lei vigente – ficaria condicionado a
possibilidade, inclusive financeira, de entrar com uma ação por perdas e danos.
Mesmo não tendo condições de cobrir uma oferta de terceiro.
Outros dispositivos
dificultam a vida não só do inquilino mas também do fiador, e outros ainda
ampliam as permissões para que os proprietários possam despejar um inquilino.
O prazo para que os
senadores apresentassem recurso, pedindo que o projeto fosse discutido e votado
pelo plenário do Senado, acabou na última quinta-feira (12). O senador Pedro
Simon chegou a circular um documento que, inicialmente, obteve 12 assinaturas,
três a mais dos que as nove necessárias para a aceitação do recurso. No entanto,
ainda na quinta-feira, sete senadores retiraram os seus nomes do requerimento,
sendo o recurso, então, arquivado pela Secretaria-Geral da Mesa.
“Sou contrário a que
qualquer projeto de grande importância seja aprovado em caráter conclusivo e
esse é um caso típico pelo que ele representa para a sociedade. Acho que o
plenário deveria dar a palavra final”, justificou Simon.
A partir do momento
em que chega à Casa Civil, o presidente Lula terá 15 dias úteis para vetar os
artigos. |