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Bosch quebra acordo salarial e se recusa a pagar
aumento
Os trabalhadores da fábrica em Curitiba fizeram
paralisação na segunda e deram 24 horas para
empresa cumprir acordo
Os funcionários da unidade da Bosch da Cidade
Industrial, em Curitiba, realizaram paralisação
de advertência de duas horas nesta
segunda-feira, das seis às oito da manhã, em
frente à fábrica, e exigiram que a multinacional
alemã cumpra o acordo coletivo fechado com a
categoria. Junto ao alerta, foi dado um prazo de
24 horas para que a empresa volte a negociar,
sob pena de enfrentar uma greve por tempo
indeterminado.
Diante da pressão crescente realizada pela
categoria ao lado do Sindicato dos Metalúrgicos
da Grande Curitiba, a direção da empresa
concordou em reajustar os salários em 4,13%,
equivalentes à previsão do INPC (Índice Nacional
de Preços ao Consumidor), para ser pago no dia
1º de dezembro, e garantir o aumento real de
3,5%. O grande problema, denunciam os
trabalhadores, é que a Bosch anunciou que
pretende pagar pela conquista somente em
dezembro de 2010, “o que é completamente
inaceitável, já que corroeria qualquer ganho”.
“Os trabalhadores não podem esperar mais de um
ano para receber aumento. Não aceitamos essa
proposta”, afirmou Jurandir Ferreira, diretor do
Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba.
Ele lembrou que a mesma prática leviana e
irresponsável, de desacertar o que foi acordado,
acabou sendo adotada pela Bosch “no que diz
respeito ao pagamento do abono salarial dos
metalúrgicos”. Conforme Jurandir, apesar da
multinacional ter aceitado desembolsar os R$ 2
mil reivindicados pelo movimento, a dilatação do
prazo também acabou inviabilizando qualquer tipo
de negociação.
“Essa proposta é um desmérito para aqueles que
produziram tanto em 2008, que deram lucro para a
empresa. Foram nove meses de alta produção e
hora extra. A postura da Bosch não está à altura
daquilo que os trabalhadores merecem”, ressaltou
o presidente do Sindicato, Sérgio Butka.
Os trabalhadores da fábrica defendem que o abono
seja pago no próximo dia 1º, enquanto a empresa
quer fatiar o benefício em duas parcelas: R$
500,00 em dezembro de 2009 e R$ 1.500 apenas em
abril de 2010. Além disso, os metalúrgicos da
Bosch reivindicam a implantação do vale-mercado
no valor de R$ 130,00 e maiores informações
sobre o plano de cargos e salários que a empresa
alega querer colocar em prática na fábrica a
partir de fevereiro de 2010, mas que mantém sob
sigilo, sem esclarecer critérios.
Por meio de sua assessoria, a Bosch disse que a
nova proposta apresentada aos seus
“colaboradores” é “coerente com a situação dos
negócios, contribuindo para assegurar a sua
competitividade e sustentabilidade no médio e
longo prazo”. No ano passado, a Multinacional
registrou um faturamento de 45,1 bilhões de
euros.
A unidade de Curitiba conta com aproximadamente
três mil funcionários, que produzem sistemas de
injeção para veículos com motores movidos a
diesel. |