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Diretório do PT
repudia decreto de prisão contra líderes do MST no Pará
Ao decretar a prisão de líderes do MST
(Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) por acusação de “envolvimento em
atos de violência no Sul do Pará”, a “Justiça” do Estado repete os mesmos
descaminhos da mídia servil ao banqueiro Daniel Dantas. Nem um único jagunço que
baleou e seqüestrou sem-terras está preso, mas as vítimas - o coordenador
estadual do MST, Charles Trocate, e a coordenadora do movimento na região sul do
Pará, Maria Raimunda César de Souza - estão com ordem de prisão.
Em vez de investigar os verdadeiros criminosos,
juízes como Alexandre Arakaki, de Curionópolis, a 697 km de Belém, se voltam
contra os que se insurgem. No total, as terras da Agropecuária Santa Bárbara,
de propriedade do banqueiro que enriqueceu com as privatizações de FHC, abrangem
cerca de 510 mil hectares - 210 mil de pastagens e 300 mil de reservas -, pouco
mais de três vezes o tamanho do município de São Paulo. Para completar, vários
dos municípios onde a Santa Bárbara atua no Pará constam da lista negra das
localidades que mais derrubaram a floresta amazônica nos últimos anos.
“A desproporcionalidade do conflito, no qual o
latifúndio tem o poder econômico e midiático, exige que estejamos ao lado dos
lutadores e lutadoras que estão sendo tratados como bandidos. Queremos a
imediata revogação de prisão das lideranças do MST”, afirma a nota de
solidariedade do Diretório Estadual do PT no Pará. Segundo o documento, é fato
que, assim como o MST, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf)
e a CUT “tem lutado pelo direito à terra, trabalho e liberdade, direito de morar
e produzir”. “É real e confirmada pelo Censo de 2006 a concentração cada vez
maior da propriedade privada no Brasil. Menos de 15 mil latifundiários de terra
em nosso país detêm fazendas acima de 2,5 mil hectares e possuem 98 milhões de
hectares. Cerca de 1% de todos os proprietários controla 46% das terras”,
acrescenta a nota. |