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Uma CPI
contra a Reforma Agrária e os interesses do Brasil
JOÃO
ANTONIO FELÍCIO *
Por que mais uma CPI para investigar um
movimento social que tem contribuído enormemente com o país ao apontar os
problemas que a concentração de terras gera? Ainda mais frente a uma
realidade onde segundo a FAO um bilhão de pessoas passam fome no mundo e
muitas outras procuram por um trabalho decente?
Certamente esta CPI orquestrada pela bancada
ruralista e pelos setores de direita do Congresso Nacional tem como objetivo
principal impedir que sejam atualizados os índices de produtividade agrícola
em vigor, que atualmente levam em conta dados do censo agropecuário de 1975.
Muitas coisas mudaram no meio rural nos últimos 34 anos, não havia sementes
geneticamente modificadas, máquinas agrícolas com comandos eletrônicos e
muito menos ferramentas como o GPS e previsão do tempo precisa como temos
hoje.
Há 30 anos o setor agrícola tomava conhecimento
dos pesticidas, venenos e outras tecnologias desenvolvidas por companhias
multinacionais para fins militares que, com o pós-guerra, encontravam como
destino o uso na agricultura.
Esperamos o dia em que aconteça uma CPI para
investigar o financiamento do agronegócio, os prejuízos ambientais e sociais
gerados por este modelo concentrador de terras e monoculturas utilizado
pelas elites agrárias de nosso Brasil.
É estarrecedor que uma empresa privada, com o
único objetivo de obter lucro, produza laranjas em uma área pública,
reclamada pela justiça e pelo INCRA. Estamos falando de 10 mil hectares de
terras públicas e 15 mil hectares de terras improdutivas, no interior do
Estado de São Paulo, e que se destinadas à reforma agrária estariam gerando
alimento, trabalho e vida.
As imagens que a grande mídia divulgou à
exaustão foram colhidas momentos após a saída do MST da área, portanto não
existe a certeza de se trata realmente de uma ação de integrantes do
movimento ou um “factóide midiático”, questão que necessita de uma apuração
mais detalhada antes da execração pública de alguns integrantes do
movimento.
Por estas razões, manifestamos nosso total apoio
e solidariedade ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. O MST é um
movimento reconhecido internacionalmente e que muito tem contribuído com o
desenvolvimento do Brasil e muito ainda vai contribuir para o desmoronamento
das estruturas agrárias da época de um país colonial e subserviente aos
interesses externos.
Caminhamos juntos para a construção de um novo
Brasil, soberano, com democracia, justiça, trabalho, igualdade e pão!
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Secretário Sindical Nacional do PT e secretário de Relações Internacionais
da CUT |