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Conselho Eleitoral considera fraudulenta a
coleta
de assinaturas por terceiro mandato para Uribe
O
Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Colômbia invalidou o recolhimento de
assinaturas para a realização do referendo que poderia permitir a reeleição de
Alvaro Uribe em 2010, na medida em que os seus promotores se negaram
repetidamente a revelar os nomes dos financiadores da milionária campanha. Eles
serão investigados penalmente por fraude processual.
A decisão do CNE não questiona a possibilidade de uma terceira reeleição do
presidente em sim mesma, mas as irregularidades cometidas para burlar a
Constituição. A ação mostrou que o suposto movimento “voluntário” de
recolhimento de assinaturas para promover a consulta, foi financiado por
conhecidos estelionatários e por grupos ligados ao paramilitarismo.
O ex-ministro Fernando Jaramillo, gerente da organização “Colombia Primeiro”,
criada para coordenar a preparação da campanha de assinaturas - que a lei
colombiana exige para permitir a convocação do referendo que poderia dar a
condição a Uribe de concorrer ao terceiro mandato - é o presidente de Odinsa, o
maior grupo de construtores do país, cujos principais lucros advêem de contratos
com o governo, em especial de obras financiadas pelos EUA, através do chamado
Plano Colômbia, assim como a construção do novo aeroporto de Bogotá. Também
figuram na lista de promotores econômicos da campanha, o ex- governador do
departamento (Estado) de Magdalena, José Domingo Dávila, que está na cadeia por
envolvimento com os paramilitares; a família Name, que tem comprovadas ligações
com os grupos mafiosos de Barranquilla e ainda David Murcia, o maior escroque da
história recente desse país denunciado por afanar milhares de trabalhadores
através de pirâmides financeiras e também denunciado em corte norte-americana
por lavagem de milhões de dólares do narcotráfico através de conta do hoje
quebrado Merrill Lynch.
A palavra final ainda será dada pela Corte Constitucional, que prevê decidir
sobre este processo no mês de janeiro. Na medida em que o prazo para inscrever
as candidaturas para concorrer as eleições marcadas para 30 de maio do ano que
vem é até 12 de março, e a proposta tem de ir ao Congresso, a senadora Piedad
Córdoba, do Partido Liberal considerou que “o referendo já é inviável, a única
alternativa é Uribe realizar um ato anti-constitucional, de força, impondo sua
candidatura à revelia da lei. Acho que não há espaço para isso. A sociedade
colombiana ainda está chocada com a instalação das bases dos EUA, que
representam a entrega de nossa soberania”.
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