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Para Zelaya, retorno às
vésperas
da eleição seria “encobrir o golpe”
“Na minha condição de Presidente eleito pelo povo Hondurenho, reafirmo minha
decisão de que a partir desta data, não aceito nenhum acordo de retorno à
presidência, para encobrir o golpe de Estado”, afirmou no sábado passado o
presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya, em carta enviada ao
presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.
Em declarações à Rádio Globo, o dirigente reiterou sua decisão: “É uma
disposição firme de não aceitar nenhuma restituição que humilhe ao povo
hondurenho ocultando a ilegalidade em que vivemos e a repressão militar a
que está submetido o povo mais humilde”, expressou.
A carta foi lida no dia 14, na embaixada brasileira em Tegucigalpa, onde
Manuel Zelaya está hospedado desde 21 de setembro.
“A nova posição do governo americano se esquiva do objetivo inicial do
acordo de San José, relegando a segundo plano um diálogo com o governo
legitimamente reconhecido até que um novo processo eleitoral seja realizado
e sem se importar com as condições em que o pleito vai acontecer”, diz o
presidente, reafirmando ainda que não vai apoiar a eleição que será
fraudulenta, marcada para o dia 29 de novembro.
A volta ao governo de Honduras era o ponto central do pacto discutido no fim
de outubro pelos negociadores de presidente legítimo e do golpista Roberto
Micheletti.
A decisão sobre a volta de Zelaya ao poder ficaria, segundo o acordo, a
cargo do Poder Legislativo, mas a ditadura, durante semanas, protelou o
desfecho, dizendo que o Congresso só decidirá sobre o assunto quando tiver
um parecer da Corte Suprema, do Ministério Público e da Procuradoria-Geral
da República, fatos que até menos de duas semanas da data em que pretendem
realizar essa simulação de eleição não aconteceram.
“3500 pessoas detidas em pouco mais de cem dias, mais de 600 pessoas feridas
e agredidas que se encontram em hospitais, mais de um centena de
assassinatos e uma incalculável quantidade de pessoas submetidas a torturas
cometidas contra cidadãos que se atrevem a se opor e a manifestar suas
idéias, de liberdade e justiça, em manifestações pacíficas, tudo isso
transforma as eleições de novembro num exercício anti-democrático por estado
de ilegitimidade, pela incerteza e a intimidação militar, para grandes
setores de nosso povo”, denuncia a missiva endereçada a Barack Obama.
A Frente Nacional contra o golpe de Estado, ampla aliança de forças sociais
e políticas, ratificou que desconhecerá os resultados de qualquer eleição
feita nessas condições de ilegalidade. “É um arremedo de eleição, que serve
de farsa para legitimar os golpistas”, disse o sindicalista Juan Barahona
(ver matéria abaixo).
Tanto a Frente como Zelaya esclareceram que o não reconhecimento desse
processo viciado não é uma renúncia, que continuarão na luta até conseguir a
restituição do presidente eleito pelo povo a seu cargo e a volta da
democracia em Honduras.
“Estamos firmes, decididos a lutar pela nossa democracia, sem ocultar a
verdade e quando um povo se decide a lutar pacificamente por suas idéias não
há arma, não há exército nem manobra capaz de detê-lo”, afirmou Zelaya.
Todos os governos latino-americanos, a Organização das Nações Unidas (ONU),
o Grupo de Rio e a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (ALBA)
anunciaram que continuarão com sua postura de no avalizar o processo se não
é restituída a ordem institucional. |