Projeto dos despejos sumários é ampliação do apartheid social  

Projeto 140/09 é excrescência neoliberal

Os vetos ao projeto de lei dos despejos sumários, anunciados pelos senadores Adelmir Santana (DEM-DF) e Ideli Salvatti (PT-SC), são inteiramente insuficientes para alterar o seu caráter pernicioso, anti-popular – e, em certos aspectos, francamente fascista. Sancioná-lo, somente serviria para comprometer o governo Lula.

Acreditamos que a senadora Ideli não o tenha percebido. Disse a senadora que os vetos “não desfiguram a espinha dorsal do projeto”. Esse é exatamente o problema: a “espinha dorsal” do projeto é, pura e simplesmente, o despejo sumário de famílias de trabalhadores – e daquelas que estão em maiores dificuldades. Tanto assim que concordou-se rapidamente, diante da mobilização dos lojistas, no veto aos dispositivos que mais afetavam os imóveis comerciais.

É algo triste ver a senadora Ideli aceitando parceria com o senador Demóstenes Torres no seu parecer final – e, pior ainda, argumentando que esse projeto servirá para “baixar o déficit habitacional brasileiro”, quando a única coisa que ele pode fazer é aumentar o número de homens, mulheres, crianças e idosos debaixo dos viadutos. Ou seja, aumentar, precisamente, o déficit habitacional. O mais misterioso, para nós, é por que a senadora Ideli considera que “agilizar os despejos” é uma coisa boa – e até um “aperfeiçoamento” da lei, como está em seu parecer.

Além do que já foi anunciado, o que é necessário vetar?

Primeiro: o despejo sumário. O projeto, inclusive, altera o caput do artigo 63 da lei do inquilinato, que, atualmente, é: “Art. 63. Julgada procedente a ação de despejo, o juiz fixará prazo de trinta dias para a desocupação voluntária”, etc.

No projeto: “Art. 63. Julgada procedente a ação de despejo, o juiz determinará a expedição de mandado de despejo, que conterá o prazo de 30 (trinta) dias para a desocupação voluntária”, etc.

O mandado de despejo, portanto, é antes dos 30 dias que o inquilino tem para deixar a casa. Na lei atual, ele é emitido somente se o inquilino não deixar a casa após os 30 dias – o leitor que já esteve desempregado e com o aluguel em atraso sabe o que significa essa diferença.

Porém, o prazo de 30 dias é fictício. A redução para 15 dias é estendida praticamente a todos os casos (artigo 63, incisos VI, VII, VIII e IX).

Segundo: a diminuição da caução que o senhorio tem de pagar nas execuções provisórias de despejo: hoje ela é “não inferior a doze meses e nem superior a dezoito meses do aluguel”. No projeto, passa a ser “não inferior a 6 (seis) meses nem superior a 12 (doze) meses do aluguel” (artigo 64).

Terceiro: a inclusão de mais 4 motivos, além dos que já existem na lei atual, para que o inquilino possa ser despejado (artigo 59, incisos VI, VII, VIII e IX).

Quarto: a exigência de pagamento em 15 dias dos aluguéis atrasados, com correção e demais encargos, para suspender o despejo (artigo 62, inciso II); a lei atual requer “autorização para o pagamento”, e não o pagamento imediato. Os 15 dias para pagar são um prazo inexequível para quase todos os inquilinos em dificuldades - equivalendo, portanto, ao despejo.

Quinto: se o senhorio alegar que o pagamento não foi integral, o inquilino não precisaria mais estar ciente dessa alegação para que se contem 10 dias de prazo para o depósito da diferença.

Sexto: se o inquilino suspender o despejo pagando os atrasados nos 15 dias de prazo, perderá o direito de fazer o mesmo nos 24 meses que se seguirem (artigo 62, parágrafo único); atualmente, o inquilino pode fazê-lo por duas vezes em doze meses.

Segundo os senadores, o governo teria concordado em vetar os parágrafos 3º do artigo 13; 3º do artigo 52; todos os parágrafos do artigo 74 e todo o artigo 75. Ainda que isso seja pouco, realmente não há o que fazer com esses dispositivos senão jogá-los na lixeira.

O parágrafo 3º do artigo 13 (inexistente na atual lei) instituía o absurdo de que, quando uma empresa mudasse de proprietário, a locação somente poderia continuar se autorizada pelo senhorio, mesmo que a empresa signatária do contrato de locação fosse a mesma.

A alteração do parágrafo 3º do Artigo 52 retirava do inquilino comercial o direito de receber indenização se o dono do imóvel não renovasse o contrato por ter recebido proposta mais alta de aluguel.

Os parágrafos do artigo 74 são, todos, para coibir o direito do inquilino de contestar na Justiça a não renovação do contrato de locação. Porém, além deles, é preciso vetar a modificação do caput. Na lei atual: “Art. 74. Não sendo renovada a locação, o Juiz fixará o prazo de até seis meses após o trânsito em julgado da sentença para desocupação”.

No projeto: “Art. 74. Não sendo renovada a locação, o juiz determinará a expedição de mandado de despejo, que conterá o prazo de 30 (trinta) dias para a desocupação voluntária”.

O leitor, certamente, dispensará maiores comentários sobre essa “desocupação voluntária”.

Quanto à alteração do artigo 75, ela retirava do inquilino o direito à indenização no caso da Justiça decidir a seu favor (não é brincadeira, leitor), nos casos de não renovação devido a uma proposta mais alta de aluguel. Esse direito era substituído pelo “direito” a impetrar na Justiça uma ação, separada da primeira, por perdas e danos. E ainda proibia o inquilino que ganhasse a ação de retornar, “em qualquer hipótese” (sic), ao imóvel.

A lei atual – do governo Collor – já foi o maior retrocesso da História do país no campo das leis do inquilinato, ao se preocupar, pela primeira vez, não em proteger os inquilinos da sanha parasitária dos especuladores imobiliários, mas em dar a estes mais poder para esfolar os primeiros – por isso, incorporou a “denúncia vazia”. Pois esse projeto é a exacerbação mais estúpida desse escárnio neoliberal, num momento em que o neoliberalismo faliu, tanto ideologicamente quanto financeiramente. E não estamos falando de proteger pessoas que têm um, dois ou três imóveis para alugar.

O autor do projeto, deputado José Carlos Araújo (PDT-BA), apresentou como exemplo um amigo que tem “80 apartamentos fechados” (sic). Qualquer um que sonegue produtos ao mercado para aumentar seu preço está cometendo um crime – não importa que esses produtos sejam batatas ou apartamentos. No entanto, o deputado, ao invés de propor um imposto que impeça um sujeito de deixar 80 apartamentos fechados, ou uma lei que faça esse cidadão ir para a cadeia, acha que é preciso aumentar os privilégios do sonegador em relação aos inquilinos.

Não nos surpreende que o senador Adelmir Santana diga que “o grande beneficiário [do projeto] é o país, porque aumenta a segurança jurídica para os investidores do mercado imobiliário”. Confundir o país com os especuladores imobiliários, com uma minoria microscópica de sanguessugas, é bem próprio de um senador do DEM.

No entanto, não entendemos a ansiedade da senadora Ideli, ao defender a aprovação do projeto a toque de caixa (“Não há óbice do governo em vetar os quatro dispositivos. Se houvesse recurso ao plenário, haveria o risco de não votarmos este ano”).

O risco é exatamente o oposto. Esse projeto foi aprovado em apenas duas comissões da Câmara e uma do Senado. Foi aprovado sem passar pelo plenário nem da Câmara nem do Senado, da forma mais anti-democrática possível no Brasil atual. Enviado à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), foi publicado no dia 14/07, distribuído no dia 06/08, entrou na pauta da CCJ em 19/10 e foi aprovado em caráter terminativo no dia 28/10. Em termos congressuais, isso é mais do que a velocidade de um MiG-35, se este pudesse fazer atalhos, como o projeto fez, evitando o plenário.

CARLOS LOPES


Primeira Página

 

Página 2

Governo de SP terceiriza a sua função e não fiscaliza Rodoanel

Simão Pedro: “Obra do Rodoanel deve ser paralisada e contratos investigados”

Mantega e a deletéria estatística americana

Senadores criticam proposta da Anatel de partilhar com as teles faixa 2,5 GHz

BNDES libera mais R$ 4,4 bi para Oi

Expediente

Página 3

Lula e Cristina: sul-americanos não precisam de bases dos EUA

Brasil cobra dos países ricos metas para redução das emissões de gases

STF joga para Lula decisão sobre Battisti

Apagão: comissões do Senado convidam Dilma e Lobão

PL da Petro-sal é aprovado pelo plenário da Câmara

Cinebiografia do presidente é lançada em Brasília

Na Venezuela existe ampla liberdade de opinião e crítica, afirmou Samuel Guimarães

Dona Canô desautoriza Caetano e desagrava Lula

De Sanctis condena anistia a crimes de evasão de divisa e a criação do juiz de garantias

Página 4

Projeto dos despejos sumários é ampliação do apartheid social

Justiça do Rio de Janeiro decide pela constitucionalidade das cotas

Ausência de Serra na Marcha demonstra a sua falta de diálogo com prefeitos paulistas 

Kassab quer elevar o IPTU em até 60%

Cartas

Página 5

Com lucros recordes, teles querem reajustar salário abaixo da inflação

Lucro da Embratel chega a R$ 345,6 milhões no terceiro trimestre de 2009

Comissão da Câmara aprova fim do fator previdenciário

Trabalhadores da Bosch entram em greve contra quebra do acordo salarial

Obra da Construtora Atlântica é barrada após constatação de irregularidades trabalhistas

Fernando Siqueira faz palestra sobre o filme ‘O Petróleo tem que ser nosso’

Página 6

Orçamento do Pentágono: o maior de sempre e continua crescendo 

Página 7

Para FAO especulação de múltis com alimentos é a causa da fome

Kadafi denuncia que corporações montam latifúndios com terras do Continente Africano

Jogatina na bolsa gera a alta nos preços do milho, soja, trigo e arroz

“Comércio mundial deve garantir alimentação dos povos e não a valorização de comodities”

Cristina a Peres: “ninguém vai nos dizer com quem escolheremos nos relacionar”

Chefe da polícia de Buenos Aires é flagrado ao espionar Néstor e Cristina Kirchner

Página 8

Lei da Saúde nos EUA: monopólio intocado e melhorias esquálidas

Zelaya denuncia farsa eleitoral sob a ditadura de Micheletti no dia 29

Com a crise americana, 47% da população do México fica abaixo da linha de pobreza

Obama critica a China por defender-se do dólar furado

Goldman Sachs e o Bezerro de Ouro

 

 

Leia

Tucanos passaram a amigos fiscalização da obra do rodoanel

Desabamento do rodoanel é a cara do governo Serra

Atribuir apagão a “fator climático” é lero de tucano
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Aécio põe namorada a nocaute com murro no meio da festa VIP

Democratas vetam a entrada de Serra em seu programa na TV

SPC apura sumiço de meio bilhão do fundo de pensão da Sabesp
Parasitismo de teles pôs na ordem do dia a volta da Telebrás
Telefónica ganha de Serra isenção fiscal para fraudar usuário
“PMDB pode assumir de público que tem a vice”, afirma Berzoini
Oposição sem voto quer mudar quorum para lei do pré-sal

Usuário perde as estribeiras com a ferrovia privatizada no Rio de Janeiro

Yes, we créu!

Golpista relaxa toque de recolher mas lota prisões em Honduras

Congresso pede o fim do estado de sítio em Honduras
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Projeto para o pré-sal abre perspectiva para o retorno da lei 2004
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Trapaça para isentar teles de pagar multa abre crise na Anatel
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Conselheiro denuncia lobby na Anatel para aliviar multa de teles

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GM já era

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“Para quem no começo falava menas laranja é chique demais”

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PF indicia Dantas em cinco artigos do Código Penal

‘V. Exa. não está falando com os seus capangas do Mato Grosso’

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“País deve se basear na força do mercado interno”, afirma Lula

Empresas nacionais repelem portaria que estimula importação de máquinas usadas

BC usa “previsões” para frear queda da taxa básica de juros

Revolta contra os cupins financeiros conflagra Londres

Centrais querem mais emprego e menos juro para impedir tsunami de invadir nossa praia

Remessas ao exterior mantêm a escalada e vão a US$ 2,6 bilhões

Bancos propõem corte na renda da caderneta de poupança em prol do achaque ao Erário

Múltis drenam do país US$ 3,266 bilhões só em dez dias de março

Vale demite, reduz salários e distribui R$ 5 bi a acionistas

Sob pressão, BC recua juro outro pontinho e meio

Aumento do IDE agrava sangria de recursos do Brasil para fora

Desnacionalização e gestão temerária sufocam a Embraer

Solução para a Embraer é voltar a ser do Estado

Febraban diz que reduz spread se a União pagar conta de inadimplentes

“Decisão do governo é não emprestar a quem desemprega”, diz Lula

Lula: “Eles cultivam o ódio dos de cima contra os de baixo” 

BC assalta 80 bi das reservas para ajudar bancos em Wall Street

Juros e pilantragem de múltis fazem produção industrial encolher 19%

Repatriamento de capital por múltis ameaça as contas externas do Brasil

Juro alto do BC é o fundamento do spread aloprado

Conselheiros do CDES pedem a antecipação da reunião do Copom

Meirelles recua debaixo de vara e reduz os juros em um pontinho

Centrais fecham com Lula ofensiva contra os juros, demissões e redução dos salários

Fiesp abre guerra contra os salários dos trabalhadores

BB paga R$ 4 bilhões para Votorantim ficar com o controle do BV

Juros e alarmismo midiático freiam a produção industrial

 Israel testa Obama com chacina contra palestinos em Gaza

Para Lula, juros têm que cair no começo de 2009

Para nababos da Vale, povo duro é a melhor receita contra a crise

“Toma o beijo da despedida, seu cachorro!”

Meirelles afronta o Brasil e não reduz taxa de juros para jogar país na crise

Alencar mantém BC sob pressão: “esses juros são anomalia”

Lula a Meirelles: “juro está além daquilo que o bom senso indica”

Montadoras almoçam os R$ 8 bi do crédito e mantêm ameaça de demitir trabalhadores

Meirelles diz que não aceita baixar juro para priorizar crescimento

Juro alto dissipa 29% da renda disponível no país, afirma Ipea

Procurador avalia que há provas para Daniel Dantas pegar um ano a mais que Al Capone

“Gasto público que precisa ser cortado é o juro”, diz Ipea

Meirelles quer que Brasil traia o compromisso com G-20 sobre redução do juro

China põe R$ 1 trilhão na infra-estrutura para crescer 9% em 2009

EUA responde à crise votando em massa na mudança

Fusão de Unibanco com Itaú torna mais anti-social sistema financeiro privado

Banqueiros põem o compulsório no bolso e dão uma banana ao crédito

Greve da Polícia Civil cresce e responde a Serra nas ruas de SP

Eleições em S. Paulo opõem integridade de Marta à dissimulação indecorosa de Kassab

Governador trai promessa e dá ordem para PM atacar policiais

Marta sobe porque é Lula. Kassab cai porque é oposição

Retratação de Gabeira reafirma preconceito contra “suburbanos”

Inauguração da P-51 é resposta do Brasil à crise

Eleições dão vitória aos aliados de Lula em todas as regiões

Lula pede a S. Paulo que vote em Marta: “temos as mesmas idéias e projetos”

Veto popular assusta republicanos e trava bailout de US$ 700 bi a especulador falido

Economia na mão de especuladores levou EUA à crise, diz Lula

Para Serra, Kassab é leal. Alckmin, não

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Maleta não faz grampo, apenas a varredura, diz técnico da Abin

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BC faz do Brasil último peru com farofa em mesa de especulador, diz Delfim Netto

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