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Com lucros recordes, teles querem reajustar
salário abaixo da inflação
As companhias Claro, Oi, Vivo, Tim e Embratel
propuseram 0% de aumento real
As operadoras Claro (Telmex/AT&T), Oi (La
Fonte), Embratel (Telmex/ATT), Intelig (Telecom
Italia), Vivo (Telefónica/Portugal Telecom) e
Tim (Telecom Italia) apresentaram proposta de
aumento salarial zero a seus funcionários,
limitando-se quando muito a repor a inflação do
período.
Em campanha salarial, a Federação Nacional dos
Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações (Fenattel)
defende aumento real de salários (cerca de 5%) e
Participação nos Lucros e Resultados. A resposta
das teles, denuncia a Fenattel, veio em forma de
“proposta indecente: aumento zero”.
Conforme o Sindicato dos Telefônicos do Rio (Sinttel-RJ),
a Embratel quer pagar apenas 3% para os salários
até R$ 5 mil, o que é inferior ao próprio INPC
(Índice Nacional de Preços ao Consumidor,
utilizado como referência para repor a inflação
– 4,45%). Para o auxílio refeição, a proposta é
ainda pior: zero de reajuste; a cesta básica
teria um aumento de R$ 5,00, a assistência
pré-escolar e educação especial – 3,5% de
reajuste (menos que o INPC) e ainda a
multinacional se propõe a adotar jornadas
diferenciadas de 44 horas semanais. Para a
Comissão de Negociação do Sindicato, “é
inaceitável qualquer reajuste abaixo do INPC,
especialmente porque se reivindica ainda um
percentual de ganho real para os salários e
benefícios”. A Comissão foi clara: não aceita
nenhuma condição que represente um retrocesso ao
que já é praticado atualmente, seja em relação
ao percentual das horas extras aos sábados e
domingos ou a qualquer outro benefício. “É
inadmissível qualquer aumento na jornada de 40
horas semanais. Destaque-se também que os
números de desempenho da empresa nos últimos
anos não justificam quaisquer cortes”.
Conforme os trabalhadores, na véspera da
negociação, a Vivo divulgou seu balanço
trimestral: R$ 342 milhões de lucro. Mesmo
assim, a proposta é 0% de aumento real, com
reajuste salarial escalonado da seguinte forma:
salários até R$ 2.000,00 – 4,4%; até R$ 3.000,00
– 4,0%; até R$ 4.000,00 – 3,0%; até R$ 5.000,00
– 2,5% e acima – 2,0%. Os demais benefícios
seriam reajustados em apenas 4%.
Conforme Celso Giovannini, diretor do
Sinttel-Rio, que esteve na reunião acompanhado
de dirigentes de São Paulo, Acre, Goiás e Santa
Catarina, a contraproposta da categoria é a
reposição integral da inflação mais 6% de ganho
real, sem escalas.
A Agência Reuters divulgou recentemente que “a
melhora do desempenho operacional e financeiro
garantiu à Vivo lucro líquido de R$ 340 milhões
no terceiro trimestre, alta de 154% em relação
ao ganho de R$ 133,9 milhões ano antes”.
OI
Os sindicalistas lembram que na primeira
negociação depois da fusão com a Brasil Telecom,
a Oi foi para a mesa de reunião propor reajuste
salarial zero “em função do momento que a
empresa atravessa”. Segundo o site Teleco, no
terceiro trimestre de 2009 a empresa superou sua
principal concorrente, a Telefónica, em receita
bruta, com R$ 11,6 bilhões. O lucro líquido foi
de R$ 64 milhões. Na última quarta-feira, a
companhia ainda recebeu mais R$ 4,4 bilhões de
empréstimo do BNDES (Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social).
Os representantes de 16 sindicatos filiados à
Fenattel pediram a interrupção dos trabalhos e
apresentaram uma contraproposta que inclui:
reajuste salarial de 7%, 10% de correção para
todos os benefícios, unificação dos acordos
coletivos e garantia das condições sociais
praticadas.
Com a Claro, informou a Fenattel, o máximo que a
empresa admite é reajustar os salários pelo INPC
integral (4,45%), só que limitado ao teto de R$
5 mil. Acima disso, reajuste zero. “Ao oferecer
o INPC integral a empresa apenas cumpre a lei”,
declarou Virgínia Berriel, representante do
Sinttel-Rio nas negociações e que chegou a ter
barrado o seu acesso à empresa. Ao excluir do
reajuste os salários acima de R$ 5 mil, alertou,
a Claro prejudica todo o pessoal de engenharia
no Rio. “Isso é um absurdo e um retrocesso”.
Na TIM, igualmente, nenhum acordo. A
reivindicação dos trabalhadores é 10% de
reajuste.
Lucro da Embratel chega a R$ 345,6 milhões no
terceiro trimestre de 2009
Além dos empréstimos bilionários do BNDES, as
remessasa de lucros aumentam cada vez mais.
No ano passado, as remessas declaradas pelas
teles registraram crescimento de 91% em relação
a 2007 (US$ 881 milhões contra US$ 461 milhões.
Para se ter uma idéia, em 2008, o faturamento da
Telefónica, Embratel, Oi, Vivo, TIM, Brasil
Telecom e Claro foi mais da metade do
faturamento das 200 maiores empresas de
tecnologia instaladas no país. Elas faturaram
US$ 58,1 bilhões de dólares, enquanto a soma do
faturamento das 200 maiores foi US$ 110 bilhões.
Matéria publicada pelo jornal Valor Econômico
aponta que o lucro da Embratel cresceu 323% no
trimestre, com a empresa obtendo ganho líquido
de R$ 345,6 milhões, frente aos R$ 81,6 milhões
do mesmo período do ano anterior. |