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Jogatina na bolsa gera
a alta nos preços do milho, soja, trigo e arroz
Os preços dos alimentos de hoje não têm relação com a lei de oferta e
procura. São sim, resultado da especulação exercitada pelos monopólios dos
alimentos em conluio com o sistema financeiro internacional.
Em 2003 o total da produção mundial de arroz ficou 20 milhões de toneladas
abaixo do que foi consumido, havendo então um déficit em relação ao
utilizado. Em 2008, após aumento na produção, houve um superávit de 1 milhão
de toneladas/ano. Caso fossem regidos pela lei do mercado, ou seja pela
propalada lei da oferta e procura, os preços teriam apresentado uma razoável
baixa entre 2008 e 2003, com o grande aumento de oferta em relação à
procura. No entanto, o que de fato aconteceu é que o preço passou de US$ 200
em 2003 para US$ 499 em 2008, de acordo com dados da FAO e da Bolsa de
Chicago.
Quanto ao milho o acesso aos estoques por déficit na produção caiu 11%
comparando as colheitas de 2003-2004 com as de 2007-2008. Além disso, estes
estoques estavam em 90 milhões de toneladas, ou 10% do consumo mundial, quer
dizer, muito longe do esgotamento. No entanto, apesar do avanço da produção
em relação ao consumo, houve um aumento na direção oposta ao que a lei de
mercado pura e simples determinaria: o preço saltou 125% no período.
O caso mais escandaloso é a soja: a produção cresceu 28% entre 2003-2004 e
2007-2008. Os estoques mundiais cresceram 40% e são hoje equivalentes a uma
parcela maior do consumo do que antes. Mas a tonelada de soja aumentou de
US$ 300 em 2003 para US$ 500 em 2008.
Tomado o ano de 2006 como referência, no ano de 2008 o preço do trigo, onde
também a oferta aumentou em relação à procura, houve alta de 135%.
O que estes exemplos mostram é que está por trás do aumento dos preços dos
alimentos a determinação dos mesmos através dos cartéis que dominam sua
produção e distribuição. Além disso, transformados em comodities e depois
disso em títulos nas bolsas de futuros, os produtos sofrem uma especulação
alucinada. Aposta-se nos preços que vão existir meses depois – mas que serão
impostos por meia-dúzia de monopólios, que ganham nessas bolsas o que
quiserem, pois são eles, afinal, que determinam o resultado do jogo, ou
seja, os preços.
Foi o fim de qualquer restrição à ação dos monopólios em nome de um
inexistente “livre mercado”, com suposta alta capacidade de autorregulação
que fez os preços serem catapultados ao tempo em que a fome aumentava.
Para isso, como destaca em seu artigo “La Bolsa de Valores e Control Mundial
de Alimentos”, Aurélio Suárez Montoya, os monopólios passaram a dominar a
produção após uma ação de dumping devastadora: “os países do Norte,
encabeçados pelos Estados Unidos, tomaram o controle mundial dos alimentos,
graças aos bilhões de dólares diários de subsídios estatais que lhes
permitem exportar seus excedentes a preços abaixo do custo e quebrar as
produções domésticas do Sul, ao qual, para facilitar o assalto, se obrigou a
eliminar ou reduzir as tarifas [sobre as importações]”.
Como conseqüência, acrescenta Montoya: “entre 1994 e 2004, a produção de
alimentos de todos os países em desenvolvimento caiu 10% em relação à década
anterior, enquanto suas compras alimentícias externas cresceram 33%”. |