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Goldman Sachs e o Bezerro de Ouro
Mr. Lloyd Blankfeint,
presidente do Goldman Sachs, o banco recordista de Wall Street em bônus e lucros
pós-bailout, afirmou ao jornal londrino “Sunday Times”, que “os bancos fazem o
trabalho de Deus”, declaração exposta na manchete em primeira página. Supondo-se
que não esteja se referindo à natureza divina dos derivativos e do carry trade,
nem ao costume do Goldman Sachs de nomear Secretários do Tesouro e chefes de
gabinete da Casa Branca, entra governo, sai governo nos EUA, pode-se inferir
que, conforme Mr. Blankfeint, o roubo praticado pelos bancos é uma dádiva de
Deus para quem é roubado ...
Desenvolvendo mais
sua teologia banqueirística e o novo marco regula-tório do Bezerro de Ouro, ele
acrescentou ainda que os bancos “desempenham um papel social”, ajudando as
empresas a crescer, investir e gerar empregos – como extensamente visto e
revisto antes e durante o bailout. Mais social que isso, só os juros compostos,
os swaps cambiais e o investment grade. Com laços mais modestos com o Altíssimo,
o primeiro Rockefeller, o capo da Standard Oil, disse certa vez que “Deus me deu
o meu dinheiro”. Afinal, Este só pode recompensar quem rapina e monopoliza.
A desfaçatez dos
barões ladrões ao estilo século XXI provocaram respostas. Como registrou Paulo
Nogueira Jr., representante do Brasil no FMI, “se o sr. Blankfein, que teve sua
face sorridente também estampada na primeira página do jornal, resolver sair à
rua, será provavelmente caçado a pauladas feito ratazana prenhe (como diria
Nelson Rodrigues).”
A.P.
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