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Diretor da Dersa diz que empreiteiras
estão liberadas para repetir o desastre
O funcionário do governo Serra, Paulo Vieira de Souza, diretor de engenharia
da Dersa, empresa do governo que deveria fiscalizar as obras do Rodoanel,
afirmou na sexta-feira que não viu nenhum “problema no fato de as
empreiteiras terem inserido na construção do viaduto que caiu só quatro das
cinco vigas previstas”. Na opinião do presidente do Conselho de Engenharia e
Arquitetura (Crea-SP), José Tadeu da Silva, essa deve ter sido a principal
causa do desabamento. Outra possibilidade levantada pelo Crea é de que todas
as vigas, e não apenas a que foi detectada, estavam rachadas.
Sem nenhuma fiscalização por parte do governo do Estado, que transferiu a
responsabilidade para um consórcio formado por cinco empresas privadas, três
vigas de 80 toneladas cada uma desabaram do viaduto do Rodoanel sobre a
Rodovia Régis Bittencourt, ferindo três pessoas e destruindo vários veículos
que transitavam pelo local. Na ocasião, o governador José Serra considerou o
fato como uma mera “barbeiragem”.
Na mesma linha de desrespeito com as vítimas do acidente, revelada pelo
governador, o diretor de engenharia da Dersa, Paulo Vieira de Souza, disse
que as construtoras estão liberadas para repetir esse procedimento (de não
instalar todas as vigas de uma só vez), inclusive quando for retomada a obra
do viaduto que desabou. Perguntado sobre o que teria então provocado a queda
das vigas ele disse que não sabe ainda a causa do acidente. “Simplesmente
não detectamos problemas”, informou. E, num total desrespeito à opinião
pública, completou: o que nós sabemos é que “a viga não tentou suicídio”.
Não satisfeito, o funcionário do governo comparou a manifestação do Crea,
cujo presidente é engenheiro civil, à de leigos. “Não são especialistas. Se
perguntar para minha esposa [que é decoradora], ela tem uma opinião. A
empregada de casa também. Todo mundo [tem]”, declarou. O presidente do
Crea-SP, José Tadeu da Silva, afirmou na semana passada, em entrevista
coletiva, que o procedimento de colocar apenas quatro vigas desrespeita as
boas práticas da engenharia. Segundo ele pode ter havido sobrecarga e que
essa pode ter sido a principal causa do acidente.
Sem condições de continuar acobertando os responsáveis pelo desastre, o
secretário dos Transportes, Mauro Arce, teve que admitir que a
responsabilidade pela falha na obra não se limita às empreiteiras do lote 5
(OAS, Mendes Jr. e Carioca), mas se estende também ao grupo de cinco
empresas contratadas pela Dersa por R$ 24,5 milhões para fiscalizá-la. Além
de investigar a ação dos engenheiros, o Crea decidiu também fazer uma
vistoria em todas as vigas pré-fabricadas usadas pelo governo no Rodoanel.
O TCU havia denunciado em relatório a troca de material usado nas vigas para
a obtenção de menores custos na obra.
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