Serra
despenca e Dilma cresce na nova avaliação CNT/Sensus
Em pouco
mais de 2 meses Serra caiu mais 8 pontos. Comparado com dezembro perdeu 15
A candidatura do governador José Serra (PSDB) à
Presidência da República em 2010 vem descendo a ladeira. Isso é o que
constata a última pesquisa CNT/Sensus, realizada entre os dias 16 e 20 de
novembro e divulgada na segunda-feira (23). Nela a aprovação do presidente
Lula cresce ainda mais, bem como o apoio à ministra Dilma Rousseff.
Segundo CNT/Sensus, desde a última pesquisa,
realizada em setembro deste ano, Serra despencou mais 8 pontos percentuais.
Naquela data ele aparecia com 39,5% das intenções de voto e agora está com
apenas 31,8%. Se a comparação for feita com dezembro do ano passado, a queda
é ainda mais dramática. Chega a 15 pontos percentuais: de 46,5% para 31,8%.
Em janeiro deste ano Serra estava com 42,8% e em maio, 40,4%.
No mesmo período a ministra Dilma Rousseff,
candidata apoiada por Lula e por uma ampla frente de partidos, entre eles
PMDB e o PT, mais que dobrou a sua popularidade, passando dos 10,4%
recebidos em dezembro de 2008 para os 21,7% das intenções de voto da última
pesquisa. A diferença que era de 36,1% em dezembro despencou para apenas
10,1%.
Um outro dado importante é que nos levantamentos
realizados anteriormente o CNT/Sensus não incluía na lista o nome do
deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) que aparece agora com 17,5% das
intenções de voto. Ou seja, com a metade dos votos obtidos por Ciro, a
ministra Dilma já praticamente alcança José Serra. Também se nota neste
levantamento que a candidatura de Marina Silva, do PV, insuflada pela mídia
pró-tucana para tentar tirar votos de Dilma e viabilizar Serra, vem
mantendo-se estacionada na faixa de 5,9%.
Os resultados confirmam ainda que quanto mais
José Serra é caracterizado como o candidato anti-Lula, maior é a sua queda.
Ou seja, quanto mais polarizada a eleição pior para ele. E, mesmo
aconselhado por seu amigo e orientador, o sr. Carlos Montenegro, dono do
Ibope, no sentido de que não bata de frente com Lula para evitar perder mais
votos, Serra não consegue se conter. O problema é que sua índole é de se
chocar com tudo que é progressista e tudo que interessa ao povo brasileiro,
principalmente aos mais pobres. Por isso vive às turras com Lula. Como
porta-voz dos setores mais retrógrados do país, como defensor ardoroso do
entreguismo, das privatizações e do desmonte do Estado, além do arrocho
salarial de trabalhadores e servidores públicos, ele não consegue manter
intacta a sua máscara.
E, para agravar ainda mais a situação em que se
encontram os tucanos para as próximas eleições, o levantamento mostrou ainda
que quanto mais associados os nomes de José Serra com o de Fernando Henrique
Cardoso pior fica a situação da candidatura tucana. É que 49,3% dos
entrevistados responderam que não votariam de jeito nenhum em um nome
apoiado por FHC e apenas 3% votariam em um candidato do ex-ocupante do
Planalto. Para 76%, os sete anos do governo Lula são melhores que os oito
anos da era FHC, só 10% acreditam que Fernando Henrique foi melhor e 11,1%
afirmaram que os dois governos são iguais.
Segundo Clésio Andrade, presidente da CNT
(Confederação Nacional dos Transportes), a ministra Dilma Rousseff começa a
estimular a polarização eleitoral, crescendo nas simulações e se favorecendo
da avaliação negativa de José Serra e da imagem desgastada do ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso. “O Serra cai em função do apoio do Fernando
Henrique, que fala em nome dele, independente dele querer ou não. O apoio
ostensivo de FHC é prejudicial”, disse o presidente da CNT. “A pesquisa
aponta ainda que 51,7% dos entrevistados votariam ou poderiam votar em um
candidato apoiado por Lula”.
No mesmo dia, José Serra acusou o golpe. Durante
uma solenidade de seu governo ele tentou de todas as formas evitar
comentários sobre política. Não queria falar sobre a pesquisa. Questionado
se estaria de volta ao local em 2012 para a inauguração de uma linha do
Metrô, o governador foi lacônico: “Deus é quem sabe”. Perguntado se quem
saberia a resposta não seriam os eleitores, Serra retrucou: “A essa altura
do campeonato, só Deus”.
A pesquisa confirmou também que os ataques da
oposição ao governo em relação ao apagão ocorrido no início do mês não
tiveram os dividendos que eles esperavam. Ao contrário, ela mostrou um
crescimento na aprovação do governo do presidente Lula, que aparece com 70%
de avaliação “ótimo” e “bom”. O percentual do último levantamento tinha
apresentado 65,4% em setembro. O número de insatisfeitos com o governo Lula
também caiu em novembro, segundo a pesquisa. Enquanto em setembro 7,2% dos
entrevistados faziam uma avaliação negativa do governo, em novembro este
percentual caiu para 6,2%.
SÉRGIO CRUZ