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Eduardo de
Oliveira: “A luta nos conduz ao caminho da verdade”
Jubileu
literário do guerreiro poeta reuniu, no dia 18, lideranças políticas,
estudantis, do movimento negro, feminino e sindical em jantar em Sâo Paulo
Diversas
personalidades, políticos, sindicalistas, lideranças estudantis, femininas e do
movimento negro estiveram presentes no último dia 18, em jantar na Casa da
Fazenda do Morumbi, para comemorar o Jubileu Literário e os 83 anos de vida do
poeta, combatente e presidente do Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB),
professor Eduardo de Oliveira.
No ano em que o
Estatuto da Igualdade Racial foi aprovado na Câmara, e que o Hino à Negritude
foi aprovado em todo o território nacional pela Comissão de Constituição e
Justiça (CCJ) da Câmara, em caráter conclusivo, o professor Eduardo completa 51
anos da publicação do seu primeiro livro “Além do Pó”, que surgiu na especial
data de 13 de maio de 1958.
“É uma retrospectiva
de vida”, disse o professor Eduardo. “Eu fico muito feliz, estar aqui é uma
alegria imensa, porque realmente eu fiz e procurei fazer o que qualquer pessoa
de bom senso faria, como estão fazendo os nossos companheiros que demonstram
soberbas lições de vida”.
Compositor do Hino à
Negritude aos 16 anos de idade, o professor Eduardo afirmou que com a aprovação
do Estatuto da Igualdade Racial, “surge um instrumento de abertura muito grande
para mudarmos nossas vidas. Essa é a grande verdade”.
“Agora eu vejo
algumas pessoas, na minha comunidade particularmente, lamentando, chorando, que
o Estatuto da Igualdade Racial é uma coisa pequena, mas é importante dizer o
seguinte: é muito melhor 60% de alguma coisa, do que 100% de nada”.
Lição
Do alto dos seus
mais de 80 anos de idade, o professor Eduardo ensinou que “o que importa é o
seguinte: a luta nos direciona para o caminho da verdade. Eu sempre falo que o
negro, não só no Brasil, mas no mundo, é sempre uma afirmação de um crime
perpetrado contra a Humanidade. Cada rosto negro é um corpo de delito. É a prova
de uma perversidade feita por um grupo sobre outro grupo. Mas o que é
fundamental é que esse erro ficou marcado e está sendo reconhecido o crime”.
“Dizem que o negro
não existe, que não existe raça e que o povo não tem mais referência racial, mas
até pouco tempo tinha, para ser escravo, para trabalhar muito, para ficar na
senzala, era a raça que servia, eram os filhos do continente negro”, falou o
professor Eduardo apontado para o local da Casa da Fazenda onde está localizada
uma senzala, que os convidados visitaram antes do cerimonial. A Casa da Fazenda
do Morumbi foi construída em 1813 pelo regente do Império, Padre Antônio Feijó.
Contribuição
Representando a
executiva nacional do Partido Pátria Livre (PPL), Rosanita Campos, afirmou que o
professor Eduardo “nos dá força, energia e ilumina nossa luta, nossa busca
diária, com seu amor pelo povo, pela pátria, pelos negros, pelos homens e
mulheres do nosso país e do nosso povo. Se o Cláudio [Campos, secretário-geral
do Movimento Revolucionário 8 de Outubro – MR8 – falecido em 2005] estivesse
aqui, ele ia dizer assim: ‘Ei professor, mais um ano se passou, mais ainda vão
ter muitos pela frente’. Parabéns professor, muito obrigado pela sua grande
contribuição esses anos todos à nossa luta, ao nosso partido e ao nosso país”.
O vice-prefeito de
São Carlos, Emerson Leal, lembrou que com um projeto de lei apresentado por ele,
São Carlos foi uma das primeiras cidades do país a oficializar o Hino à
Negritude. “Quero que o universo lhe dê muita força, muita energia para o senhor
conviver conosco por muito tempo para transformarmos em realidade esse sonho de
transformar o Brasil em uma pátria livre, democrática e soberana”, estimou.
Primeira vereadora
negra por São Paulo, em 1968, e primeira deputada estadual negra na década de
1970, Theodosina Ribeiro, lembrou que quando foi eleita para Câmara Municipal, o
professor Eduardo foi o grande baluarte, aquele que ia de casa em casa entregar
propaganda e estava sempre presente nos comícios.
“O professor Eduardo
era um menino órfão de pai e mãe. Veja que nós, que temos famílias estruturadas,
muitas vezes não nos esforçamos para chegar ao ponto que ele chegou. Ele não foi
educado em casa, e sim em um orfanato. Mas com sua inteligência, sua
perspicácia, sua observação desde a infância naqueles que estavam progredindo na
vida, ele foi seguindo seu caminho. E são esses caminhos que nós ensinamos aos
jovens aqui presentes: não há empecilho, barreira, nem nada que possa nos
impedir para vencermos na vida pelo caminho do bem”, enfatizou Theodosina.
Exemplo
Para o
vice-presidente da CGTB e vice-presidente do CNAB, Ubiraci Dantas de Oliveira, o
professor Eduardo “é um exemplo de vida que não existe igual. Um homem que tem a
capacidade de viver todos esses anos levando adiante uma luta de um setor da
sociedade que construiu esse país, que é a maioria no Brasil, tendo paciência,
tolerância, dignidade, determinação, firmeza, só com muito amor ao povo. O
senhor é a nossa referência de que podemos seguir com a mesma determinação”.
O presidente da UGT
e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, Ricardo Patah, enviou carta ao
professor ressaltando “essa força interior se reflete em todos, seja pela sua
presença, pelo seu talento poético, seja por estar sempre de braços abertos ao
próximo na defesa dos direitos e contra a discriminação”.
A presidente da
Federação de Mulheres Paulistas (FMP) e vice-presidente da Confederação das
Mulheres do Brasil (CMB), Lídia Correa, lembrou que quando era vereadora
apresentou o projeto de lei e São Paulo foi a primeira cidade do país a o Hino à
Negritude. “Principalmente pela decisão do professor Eduardo que não deixava a
gente recuar, ia lá para Câmara, insistia, e não tinha jeito, era ir ou ir
enfrentando e vencendo aqueles que queriam diminuir a importância do trabalho,
da força e da garra da raça negra”.
“Essa conquista do
Hino à Negritude no Brasil todo é um exemplo para todas as pessoas ao redor do
planeta que lutam contra a fome, contra a miséria, saber que aqui no Brasil,
esta nação que é negra, tem o professor Eduardo que já vem lutando por toda sua
história de vida para que os negros cantem o Hino do jeito que a gente vê
cantando”, disse Márcia Campos, presidente da Federação Democrática
Internacional das Mulheres (FDIM).
Também estiveram
presentes representantes da UNE, UMES, Força Sindical, UGT, CUT, Unegro, CNTI,
FST e várias outras entidades. E contou com uma homenagem feita pela cantora
Carmen Queiroz, que cantou um trecho da música de Roberto e Erasmo Carlos, “Você
meu amigo de fé”. Já a cantora Priscila Rezende, com o coro dos presentes,
cantou “Senhora Liberdade”, de Nei Lopes e Wilson Moreira antes dos convidados
irem para o jantar. Tagino Alves do Santos, da OAB Campinas, entregou ao
professor Eduardo o troféu Força da Raça “por ser um ativista do movimento negro
e também pela iniciativa do Hino à Negritude”.
Para o professor
Eduardo, “o trabalho, quando feito com fé, determinação, ele realmente retribui
100 por um.”.
ANDRÉ AUGUSTO |