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A ilusão da recuperação econômica
A economia
global tem um grande câncer: ele foi diagnosticado corretamente por alguns,
mas a prescrição foi para curar uma tosse. O tumor econômico foi
identificado. A questão é: aceitaremos isto e tentaremos tratá-lo ou
pretenderemos que a prescrição para a tosse o curará?
ANDREW GAVIN
MARSHALL *
À luz das sempre
presentes e obstinadamente persistentes manifestações do desejo de “um fim”
para a recessão, de uma “solução” para a crise e de uma “recuperação” da
economia, devemos recordar que aqueles que nos falam disso são exatamente as
mesmas pessoas e instituições que nos disseram, nos últimos anos, que não
havia “nada com que se preocupar”, que “os fundamentos estão ótimos” e que
“não havia perigo” de uma crise econômica.
A crise
econômica está muito longe de ser ultrapassada, as “soluções” têm sido
semelhantes a colocar band-aid sobre um braço amputado. O Bank for
International Settlements (BIS), o banco central dos bancos centrais do
mundo, advertiu e continua a advertir contra tais esperanças descabidas.
O QUE É O BIS?
O BIS nasceu do
Young Comittee, estabelecido em 1929 para lidar com o pagamento das
reparações [de guerra] alemãs estabelecidas pelo Tratado de Versalhes, em
1919. O Comité era encabeçado por Owen D. Young, presidente e administrador
executivo da General Electric, co-autor do Plano Dawes, de 1924, membro do
Board of Trustees da Fundação Rockefeller e vice-presidente do Federal
Reserve de Nova Iorque. Como principal delegado americano à conferência
sobre as reparações alemãs, ele foi acompanhado por J.P. Morgan, Jr. [cf.
HEROES: Man-of-the-Year. Time Magazine: Jan 6, 1930].
Daí saiu o Plano
Young, de pagamento das reparações alemãs, que entrou em vigor em 1930,
depois do crash do mercado de ações. Parte do Plano implicava a criação de
uma organização internacional de liquidação, à qual foi constituída em 1930,
e passou a ser conhecida como Bank for International Settlements (BIS). O
banco foi supostamente concebido para facilitar e coordenar os pagamentos
das reparações da Alemanha de Weimar às potências aliadas. Entretanto, a sua
função secundária, que é muito mais secreta e muito mais importante, era
atuar como “um coordenador das operações dos bancos centrais de todo o
mundo”. Descrito como “um banco para bancos centrais”, o BIS “é uma
instituição privada com acionistas, mas faz operações para agências
públicas. Tais operações são mantidas estritamente confidenciais, de modo
que o público habitualmente não sabe da maior parte das operações do BIS”
[cf. James Calvin Baker, The Bank for International Settlements:
Evolution and Evaluation, Greenwood Publishing Group, 2002: page 2].
O BIS foi
fundado pelos “bancos centrais da Bélgica, França, Alemanha, Itália,
Holanda, Japão e Reino Unido, juntamente com três importantes bancos
comerciais dos Estados Unidos - J.P. Morgan & Company, First National Bank
of New York e First National Bank of Chicago. Cada banco central subscreveu
16 mil ações e os três bancos dos EUA também subscreveram este mesmo número
de ações”. Mas, “apenas bancos centrais têm poder de voto” [cf. Baker, op.
cit., page 6].
Os
representantes dos bancos centrais têm reuniões bimensais no BIS, onde
discutem uma série de questões. Observe-se que a maior parte “das transações
executadas pelo BIS em nome dos bancos centrais exige segredo absoluto”,
razão pela qual a maior parte das pessoas nem mesmo ouviu falar dele. O BIS
pode proporcionar aos bancos centrais “confidencialidade e segredo, o que é
mais valioso do que um banco classificado com um triplo A” [cf. Baker, op.
cit., page 148].
CRISE DE DERIVATIVOS À FRENTE
Em setembro de
2009, o BIS informou que “o mercado global de derivativos deu um salto
para US$ 426 trilhões no segundo trimestre, quando retornou o apetite pelo
risco, mas o sistema permanece instável e tendente a crises”. O
relatório trimestral do BIS disse que os derivativos subiram 16% “devido
principalmente a uma alta em futuros e contratos de opção sobre taxas de
juros de três meses”. O economista-chefe do BIS advertiu que o mercado
de derivativos apresentava “grandes riscos sistêmicos” no setor das finanças
internacionais e que “o perigo é que os reguladores fracassem outra vez em
ver que grandes instituições assumiram muito mais exposição do que podem
lidar em condições de choque”. O economista acrescentou que “a utilização de
derivativos pelos hedge funds e assemelhados pode criar grandes exposições
ocultas” [cf. Ambrose Evans-Pritchard, Derivatives still pose huge risk,
says BIS. The Telegraph: September 13, 2009].
No dia seguinte,
após a publicação do relatório do BIS, o antigo economista-chefe do BIS,
William White, advertiu que “o mundo não cuidou dos problemas no cerne da
baixa econômica e é provável que deslize outra vez para a recessão”. Ele foi
citado sobre a entrada numa recessão de duplo mergulho: “Estaremos indo para
uma recessão [em forma] de W? Quase certamente. Estamos indo para uma
[recessão em forma de] L? Eu não ficaria nem levemente surpreendido”. E
acrescentou: “a única coisa que realmente me surpreenderia seria uma
recuperação rápida e sustentável a partir da posição em que estamos”.
Em 20 de
Setembro de 2009, o Financial Times informou que o BIS, “cabeça do corpo que
supervisiona a regulação bancária global”, durante a reunião de cúpula do
G-20, “emitiu uma severa advertência de que o mundo não pode escorregar para
uma suposição ‘complacente’ de que o setor financeiro recuperou-se bem” e
que “Jaime Caruana, administrador-geral do Bank for International
Settlements e ex-presidente do banco central da Espanha, afirmou que a
recuperação do mercado não deveria ser mal interpretada” [cf. Patrick
Jenkins, BIS head worried by complacency. The Financial Times:
September 20, 2009].
A isto se
seguiram as advertências do BIS em relação às falsas esperanças com os
pacotes de estímulo organizados por vários governos. No fim de junho, o BIS
declarou que “pacotes de estímulo fiscal não podem proporcionar mais que um
impulso temporário ao crescimento, sendo seguidos de um extenso período de
estagnação econômica”.
E acrescentava
que “há um perigo de que autoridades fiscais exauram sua capacidade de
endividamento antes de finalizar a tarefa custosa de reparar o sistema
financeiro” e “exprimiu dúvidas sobre o pacote de resgate bancário adotado
nos EUA” [cf. David Uren, Bank for International Settlements warning over
stimulus benefits, The Australian: June 30, 2009].
Com o último
relatório sobre a bolha de derivativos, tornou-se penosamente claro que foi
exatamente o que aconteceu: a criação de outra bolha de preços de ativos. O
problema com as bolhas é que elas estouram.
O Financial
Times informou que William White, ex-economista-chefe do BIS, “argumentou
que após dois anos de apoio governamental ao sistema financeiro, agora temos
um conjunto de bancos que são ainda maiores e mais perigosos do que antes”,
o que também “foi argumentado por Simon Johnson, ex-economista chefe do
Fundo Monetário Internacional”, o qual “afirma que o sistema financeiro
capturou efetivamente o governo dos EUA” e declarou enfaticamente: “a
recuperação fracassará a menos que quebremos a oligarquia financeira que
está bloqueando a reforma essencial” [cf. Simone Meier, BIS Sees
Risk Central Banks Will Raise Interest Rates Too Late, Bloomberg: June
29, 2009].
Em meados de
setembro, o BIS afirmou que “os bancos centrais devem coordenar a supervisão
global das câmaras de compensação de derivativos e considerar oferecer-lhes
acesso a fundos de emergência para limitar o risco sistêmico”. Por outras
palavras, “os reguladores pressionam para que grande parte dos US$ 592
trilhões do mercado livre de derivativos seja movido para câmaras de
compensação as quais atuam como comprador para todo vendedor e como vendedor
para todo comprador, reduzindo o risco de incumprimentos para o sistema
financeiro”. O relatório divulgado pelo BIS perguntava se câmaras de
compensação “deveriam ter acesso a facilidades de crédito de bancos centrais
e, em caso afirmativo, quando?”
[cf. Abigail
Moses, Central Banks Must Agree Global Clearing Supervision, BIS Says.
Bloomberg: September 14, 2009].
A PRÓXIMA CRISE
O mercado de
derivativos representa uma ameaça maciça para a estabilidade da economia
global. No entanto, é uma entre muitas ameaças, todas elas relacionadas e
entrelaçadas, atuando uma sobre a outra. O grande elefante na sala é a
principal bolha financeira criada pelos pacotes de salvamentos e “estímulos”
pelo mundo todo. Este dinheiro foi utilizado pelos bancos principais para
comprar bancos menores e absorver a economia real, a indústria produtiva. O
dinheiro também foi para a especulação, alimentando a bolha de derivativos e
levando a uma ascensão dos mercados de ações, uma ocorrência completamente
ilusória e fabricada. Os salvamentos, com efeito, alimentaram a bolha de
derivativos, elevando-a a novos níveis perigosos, bem como incharam o
mercado de ações até uma posição insustentável.
A crise
econômica foi criada devido às baixas taxas de juro e ao dinheiro fácil:
empréstimos de alto risco, dinheiro investido em qualquer coisa e em tudo, o
mercado habitacional inchado, o mercado imobiliário comercial inchado, o
comércio de derivativos decolou para centenas de trilhões ao ano, a
especulação corria desenfreada e dominava o sistema financeiro global. Os
hedge funds foram os facilitadores receptivos do comércio de derivativos e
os grandes bancos foram os principais participantes e possuidores dos
mesmos.
Ao mesmo tempo,
os governos gastaram dinheiro perdidamente, especificamente os Estados
Unidos, pagando guerras e orçamentos de defesa de múltiplos trilhões de
dólares, imprimindo dinheiro a partir do nada, cortesia do sistema global de
bancos centrais. Todo o dinheiro que foi produzido, por sua vez, produziu
dívida. Em 2007, a dívida total – interna, comercial e do consumidor – dos
Estados Unidos elevava-se a uns chocantes US$ 51 trilhões.
[cf. US home prices the most vital indicator for turnaround. FIABIC
Asia Pacific: January 19, 2009; Alexander Green, The National Debt: The
Biggest Threat to Your Financial Future. Investment U: August 25, 2008;
John Bellamy Foster and Fred Magdoff, Financial Implosion and Stagnation.
Global Research: May 20, 2009].
Como se este
fardo da dívida não fosse bastante, os últimos dois anos viram o mais
expansivo e rápido crescimento da dívida jamais visto na história mundial –
na forma de pacote de estímulos e de salvamentos por todo o mundo. Em julho
de 2009, informou-se que “os contribuintes dos EUA podem estar pendurados
por algo em torno de US$ 23,7 trilhões para promover a economia e salvar
companhias financeiras”, disse Neil Barofsky, inspetor-geral especial do
Troubled Asset Relief Program, TARP, do Tesouro” [cf. Dawn Kopecki and
Catherine Dodge, U.S. Rescue May Reach $23.7 Trillion, Barofsky Says.
Bloomberg: July 20, 2009].
PLANO BILDERBERG
Em maio de 2009,
escrevi um artigo sobre a reunião de Bilderberg, uma reunião altamente
secreta das principais elites da Europa e da América do Norte, que se
encontram uma vez por ano a portas fechadas.
Bilderberg atua
como um think tank internacional informal e eles não divulgam qualquer
informação. Assim, relatos das reuniões são vazamentos e as fontes não podem
ser verificadas. Contudo, as informações proporcionadas pelos rastreadores
de Bilderberg e jornalistas, como Daniel Estulin e Jim Tucker,
demonstraram-se surpreendentemente precisas no passado.
Em maio, a
informação que escapou dizia respeito ao principal tópico da conversação e
era, não surpreendentemente, a crise econômica. A grande questão era “ou
uma depressão prolongada e agonizante que assombraria o mundo com décadas de
estagnação, declínio e pobreza... ou uma depressão intensa, porém mais
curta, que pavimentasse o caminho para uma nova ordem econômica mundial
sustentável, com menos soberania porém mais eficiência”.
É importante
notar que um ponto importante da agenda foi “continuar a enganar milhões
de poupadores e investidores que acreditam no alarde acerca da suposta
viragem na economia. Eles estão prestes a serem submetidos a perdas maciças
e doloroso sofrimento financeiro nos próximos meses”.
Estulin informou
sobre o vazamento de um relatório que afirmou ter recebido logo depois da
reunião, que relata grandes desacordos entre os participantes, pois “os
radicais duros são pelo declínio dramático e uma severa depressão de curto
prazo, mas há aqueles que pensam que as coisas foram longe demais e que as
consequências do cataclisma econômico global não podem ser calculadas com
precisão”. No entanto, a visão de consenso era que a recessão ficaria
pior e que a recuperação seria “relativamente lenta e prolongada” e
tais expressões surgiram na imprensa nas semanas e meses seguintes. De fato,
tais expressões apareceram ad infinitum na mídia.
Estulin informou
também “que alguns dos principais banqueiros europeus, confrontados com o
espectro da sua própria mortalidade financeira, estão extremamente
preocupados, chamando isso de perigoso equilibrismo ‘insustentável’ e
dizendo que os déficites orçamentários e comerciais dos EUA poderiam
resultar na morte do dólar”.
Um participante
de Bilderberg disse que “os próprios bancos não conhecem a resposta para
o quando o fundo que será atingido”. Todos pareciam concordar em que “o
nível de capital necessário para os bancos americanos pode ser
consideravelmente mais alto do que o governo dos EUA sugeriu através dos
seus recentes testes de stress”. Além disso, “alguém do FMI destacou
que o seu próprio estudo sobre recessões históricas sugere que os EUA estão
apenas a um terço do caminho daquela atual; portanto, economias à espera de
se recuperar com o ressurgimento da procura nos EUA terão uma longa espera”.
Um participante declarou que “as perdas em ações em 2008 foram piores do
que aquelas de 1929” e que “a próxima
fase do declínio econômico também será pior do que a da década de 1930,
principalmente porque a economia dos EUA carrega cerca de US$ 20 trilhões de
excesso de dívida. Até que aquela dívida seja eliminada, a ideia de um boom
saudável é uma miragem” [cf. Andrew Gavin Marshall, The Bilderberg
Plan for 2009: Remaking the Global Political Economy. Global Research:
May 26, 2009 ].
Poderia a
percepção geral de uma economia em recuperação ser a manifestação do plano
de Bilderberg em ação? Bem, para proporcionar alguma visão de uma tentativa
de resposta a esta pergunta, devemos ver quem foram alguns dos participantes
chave na conferência.
Dirigentes de
bancos centrais:
Muitos estiveram presentes, como habitualmente. Dentre eles estavam o
presidente do Banco Nacional da Grécia, o presidente do Banco da Itália, o
presidente do Banco Europeu de Investimento; James Wolfensohn, ex-presidente
do Banco Mundial; Nout Wellink, presidente do Banco Central da Holanda e
diretor do Bank for International Settlements (BIS); Jean-Claude Trichet,
presidente do Banco Central Europeu; o vice-presidente do Banco Nacional da
Bélgica e um membro da direção executiva do Banco Central da Áustria.
Ministros das
finanças e mídia:
Dentre os países com representantes da área financeira estavam Finlândia,
França, Grã-Bretanha, Itália, Grécia, Portugal e Espanha. Também havia
muitos representantes das grandes empresas de mídia de todo o mundo. Isto
incluia o editor do Der Standard, da Áustria; o presidente da Washington
Post Company; o editor-chefe de The Economist; o vice-editor de Die Zeit, da
Alemanha; o presidente e editor-chefe do Le Nouvel Observateur, da França; o
editor associado e comentarista econômico principal do Financial Times;
assim como o correspondente de negócios e o editor de negócios de The
Economist.
Banqueiros:
Também foi importante o comparecimento de banqueiros privados à reunião,
pois são os principais bancos internacionais que possuem as ações dos bancos
centrais do mundo, os quais, por sua vez, controlam as ações do Bank for
International Settlement (BIS). Dentre os bancos e companhias financeiras na
reunião de Bilderberg, estavam: Deutsche Bank AG, ING, Lazard Freres & Co.,
Morgan Stanley International, Goldman Sachs, Royal Bank of Scotland, e, é
importante notar, David Rockefeller, ex-presidente do Chase Manhattan (agora
J.P. Morgan-Chase), o qual pode razoavelmente ser mencionado como o atual
“rei do capitalismo” [cf. Maja Banck-Polderman, Official List of
Participants for the 2009 Bilderberg Meeting. Public Intelligence: July
26, 2009].
Administração
Obama:
Os membros da administração Obama envolvidos na resolução da crise econômica
também estiveram fortemente representados na reunião de Bilderberg. Dentre
eles estava Timothy Geithner, secretário do Tesouro e ex-presidente do
Federal Reserve de Nova Iorque; Lawrence Summers, diretor do National
Economic Council da Casa Branca, ex-secretário do Tesouro na administração
Clinton, ex-presidente da Universidade de Harvard e ex-economista chefe do
Banco Mundial; Paul Volcker, ex-presidente do Federal Reserve System e
presidente do Economic Recovery Advisory Board de Obama; Robert Zoellick,
ex-presidente do Goldman Sachs e atual presidente do Banco Mundial.
[cf. Andrew
Gavin Marshall, The Bilderberg Plan for 2009: Remaking the Global
Political Economy.
Global Research:
May 26, 2009].
Havia
informações não confirmadas sobre a presença do presidente do Fed, Ben
Bernanke. Se a história e os antecedentes das reuniões de Bilderberg são
algo que nos oriente, tanto o presidente do Federal Reserve como o
presidente do Federal Reserve Bank of New York estão sempre presentes, de
modo que, na verdade, seria surpreendente se não tivessem ido à reunião de
2009. Contatei o Fed de Nova York para perguntar se o presidente comparecera
a qualquer organização ou reuniões de grupo na Grécia nas datas assinaladas
do encontro de Bilderberg e a resposta dizia-me para pedir à organização por
uma lista de comparecimentos. Se bem que não confirmando a sua presença,
eles também não a negaram. Entretanto, isto ainda não foi confirmado.
Naturalmente,
todos estes atores chave exercem bastante influência para alterar a opinião
pública e as percepções da crise econômica. Eles também têm muito a ganhar
com ela. Contudo, qualquer que seja a imagem que construam, ela permanece
apenas isso: uma imagem. A ilusão destruir-se-á muito em breve e o mundo
perceberá que a crise que atravessamos até aqui é meramente o capítulo
introdutório da crise econômica, quando ela for escrita nos livros de
história.
CONCLUSÃO
As advertências
do Bank for International Settlements (BIS) e do seu ex-economista chefe,
William White, não devem ser tomadas com ligeireza. As advertências de ambos
no passado foram ignoradas e demonstraram-se exatas com o passar do tempo.
Não permitir que a esperança de “recuperação econômica” apregoada pela mídia
ponha de lado a “realidade econômica”. Embora possa ser deprimente
reconhecer, é de longe muito melhor estar consciente do terreno sobre o qual
se pisa, mesmo que esteja juncado de perigos, do que ser ignorante e correr
imprudentemente através de um campo de minas. Ignorância não é felicidade,
ignorância é catástrofe adiada.
Um médico deve
primeiro identificar e diagnosticar corretamente o problema antes de propor
qualquer espécie de prescrição. Se o diagnóstico for incorreto, a prescrição
não funcionará e poderá de fato tornar as coisas piores. A economia global
tem um grande câncer: ele foi diagnosticado corretamente por alguns, mas a
prescrição foi para curar uma tosse. O tumor econômico foi identificado. A
questão é: aceitaremos isto e tentaremos tratá-lo ou pretenderemos que a
prescrição para tosse o curará? O que dará maior probabilidade de
sobrevivência?
Como disse
Gandhi: “Não há deus maior do que a verdade”.
* Pesquisador
do Centre for Research on Globalization (CRG). |