|
Entrada de dólar especulativo é recorde em
outubro: 17,119 bi
Em 4 meses, entradas somam US$ 37 bilhões
O ingresso de investimentos estrangeiros em carteira, dinheiro puramente
especulativo, somou em outubro nada menos que US$ 17,119 bilhões, um recorde
segundo o Banco Central. Desde julho, essas entradas totalmente parasitárias e
predatórias totalizaram US$ 37,431 bilhões.
A maciça entrada de dinheiro especulativo em outubro se deu mesmo com a
instituição, em meados do mês, da cobrança de 2% de Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF) sobre capital estrangeiro aplicado em ações e títulos de renda
fixa.
Os números divulgados na terça-feira demonstram bem a política deliberada dos
Estados Unidos de jorrar bilhões de dólares sem lastro, emitidos após setembro
de 2008, com as taxas de juros daquele país estabelecidas em zero ou próximo de
zero. As operações de “carry trade” (tomada de empréstimos a juros baixos para
aplicar especulativamente em países onde o juro é mais alto) dos bancos
norte-americanos, operações que passaram a inundar o mundo de dólares, não são
apenas uma consequência dessa política de emissão desabalada e juros a zero.
Rigorosamente, essa política monetária dos EUA força essas operações, de forma
consciente e deliberada. Trata-se, sinteticamente, da tentativa de sair da crise
em que os monopólios financeiros lançaram a economia americana, através da
pilhagem da economia de outros países - nesse caso, de todos os outros países
(ver matéria na página 6).
Essa enxurrada de dólares tem provocado a sobrevalorização do real, deteriorando
as exportações e estimulando as importações. Segundo o ex-ministro Delfim Netto,
“as empresas estão substituindo as cadeias produtivas internas pelas importações
e instalando-se no exterior para substituir exportações tornadas não
competitivas pela taxa de câmbio. Essa supervalorização e volatilidade são
também nocivas para o setor agrícola, que tem de preocupar-se com a taxa de
câmbio no plantio (que determina seus custos) e estimar a taxa de câmbio na
colheita (que determina sua receita)”.
Somente nos dez primeiros meses de 2009, a apreciação do real ante à moeda
norte-americana já se aproxima de 40%.
O resultado de outubro demonstra, também, que a taxação do IOF é uma medida
muito tímida diante dessa guerra cambial. Antes de mais nada, é preciso reduzir
drasticamente as taxas de juros reais para os patamares internacionais, entre
zero e 1% ao ano. No Brasil, os juros reais do BC estão em 4,3%. Além disso,
acabar com a isenção de Imposto de Renda aos especuladores estrangeiros - para
defender nossa eeonomia na guerra cambial deflagrada pelos EUA, seria um bom
começo.
No mês passado, o déficit nas transações (balança comercial, serviços e rendas e
transferências unilaterais) somou US$ 2,911 bilhões. O resultado da balança
comercial foi superavitário em US$ 1,328 bilhão. A conta de serviços e rendas
(onde estão a maior parte das remessas de lucros, oficiais e disfarçadas) teve
déficit de US$ 4,456 bilhões. No acumulado do ano, o déficit em conta corrente
foi de US$ 14,788 bilhões.
VALDO ALBUQUERQUE
|