|
CNI pede atitude firme do governo para
proteção da moeda brasileira
Durante o
4º Encontro Nacional da Indústria, que reuniu 1.500 empresários nos dias 17
e 18 em Brasília, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI ),
Armando Monteiro Neto, cobrou do governo que o Brasil adote medidas mais
eficazes para proteger a sua moeda e evitar o agravamento das condições
provocadas pela valorização do real diante do dólar.
Segundo
ele, o câmbio valorizado prejudica o desenvolvimento do setor. “A indústria
brasileira não pode ser desmontada por conta de fatores conjunturais que
reclamam uma atitude firme do governo”, afirmou Monteiro Neto.
“A
situação chegou a um limite. O processo acarreta implicações negativas para
um conjunto de segmentos industriais e sua continuidade irá gerar
conseqüências: perdas irrecuperáveis de mercado, redução de lucratividade e,
eventualmente, fechamento de empresas e redução de empregos. Essa situação
exige ações de forma a evitar tais danos”.
“Todo
mundo sabe que o dólar vai perder força nos próximos anos, em função dos
problemas da economia americana e dos deficits fiscais e comerciais”, disse
o empresário. “Até se adotar outra moeda padrão ou um novo arranjo do padrão
monetário internacional, os países emergentes poderão sofrer muito porque
passam a ser objeto de especulação e de ganhos que se realizam em curto
prazo.”
Segundo o
empresário, há o agravante que é o diferencial da taxa de juros praticadas
no Brasil e a taxa de juros externa. “O que acontece é que se financia em
operações nos Estados Unidos, a juros quase negativos, para se aplicar no
Brasil, em função das taxas de juros”, afirmou.
Para
Monteiro, é difícil apontar um câmbio ideal porque há setores que importam
insumo. "Mas o fato é que não vejo hoje um câmbio que possa ser inferior a
R$ 2,30 para que o setor exportador se veja remunerado”, declarou.
Armando
Monteiro Neto disse que o real avançou, neste ano, cerca de 30% em relação
ao dólar dos EUA e ao ien do Japão; também cresceu em torno de 20% comparado
ao euro, um pouco mais que isso diante da libra esterlina, da Inglaterra, e
mais de 40% em relação ao peso argentino.
Para o
chefe da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens,
Serviços e Turismo (CNC), Carlos Thadeu de Freitas Gomes, existe ainda
"perspectiva inequívoca de mais valorização do real”, por causa da enxurrada
de dólares no mercado nacional, mesmo com a taxação de 2% de Imposto sobre
Operações Financeiras (IOF). “O câmbio é o problema mais sério que temos
hoje no curto prazo”, afirmou Freitas.
De acordo
com Monteiro Neto, a crise financeira nos EUA atingiu seriamente a indústria
pela falta de crédito. Segundo a CNI, houve forte desaceleração da produção
nacional, embora o setor venha se recuperando há nove meses, de forma lenta
e gradual. Uma eventual mudança desse ritmo dependerá muito do retorno das
exportações, ora prejudicadas pela valorização cambial, disse o presidente
da entidade.
Na
reunião do Grupo de Avanço da Competitividade (GAC), com o ministro da
Fazenda, Guido Mantega, no dia 25, o presidente da CNI voltou a defender
medidas mais efetivas para lidar com o câmbio, como a reforma na legislação
do setor. “O Brasil optou por um câmbio flutuante, mas como atuar diante
desse cenário?”, questionou Monteiro Neto. “Apoiamos firmemente uma posição
ativa do Banco Central em comprar divisas e defendemos a revisão e
modernização da legislação cambial”. |