Brasil adverte que EUA vai ficar isolado se reconhecer a farsa eleitoral em
Honduras
O
assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, voltou
a criticar na quarta-feira (25) o governo de Barack Obama por sua disposição
em reconhecer a farsa eleitoral em Honduras, sem que Manuel Zelaya tenha
reassumido a Presidência, e previu que “os Estados Unidos se isolarão e
consideramos que isso é muito ruim para os Estados Unidos e sua relação com
a América Latina. “Países muito importantes - a maior parte em termos de
população e peso político - não vão reconhecer (o resultado)”, disse.
“Essa eleição tem as impressões digitais de um
golpe de Estado”, disse Marco Aurélio Garcia. “Se aceitarmos, estamos
encorajando outros países a adotar a mesma solução”. “Acho que a OEA vai
colocar isso (na pauta) e já ouvi de alguns setores, países membros, que
Honduras pode ser excluída (do órgão)”, informou.
O ministro das Relações Exteriores, Celso
Amorim, também reafirmou no mesmo dia que “sem o retorno do presidente
Zelaya ao poder, os presidentes das Américas do Sul, Central e Caribe, já
declararam que consideram as eleições ilegítimas e que não reconhecerão o
governo", declarou. "O Brasil continua firme nessa posição”. Ele negou que
houvesse tensão entre Brasil e EUA. “Nós temos é que nos acostumar a ter
diferenças. E, no passado, já tivemos em relação à ALCA (Área de Livre
Comércio das Américas), em relação à OMC (Organização Mundial do Comércio).
Isso não gera tensão”,
No dia anterior, na terça-feira (24), Marco
Aurélio Garcia disse que a posição dos Estados Unidos é “equivocada” e pode
ser vista como um endosso ao golpe. “Por que reconhecer um governo golpista,
que abusou de instrumentos ilegais, violentos, e rompeu o equilíbrio que
havia no país?”, questionou, na terça-feira (24).
“É lamentável que se queira limpar um golpe de
Estado com um processo de eleição que se realiza num país que viveu
virtualmente sob estado de sítio nesses últimos meses, com repressão diária,
manifestações, com determinados momentos inclusive com estado de sítio
declarado. Achamos que isso não é bom inclusive do ponto de vista do diálogo
dos EUA com a América Latina”, afirmou.
O assessor da Presidência confirmou que o
presidente Barack Obama enviou uma carta a Lula justificando a posição dos
EUA. Garcia lamentou que o governo dos Estados Unidos tenha mudado de
posição, passando a considerar que o pleito de domingo possa servir para
recuperar o diálogo. Garcia avaliou que o presidente dos EUA está
enfrentando uma situação complexa em seu país, “com uma agenda interna
difícil e complexa, mas isto está provocando uma certa frustração”. “O
presidente Lula continua com a expectativa de que possamos ter bom
relacionamento com os EUA, mas a grande verdade é que há um certo sabor de
decepção, que esperamos que seja revertido”, acrescentou.